O Preço da Traição: Um Coração Quebrado e Uma Nova Luta

Sentei-me ao lado da cama da Lara, segurando a sua mãozinha. Estava fria.

O monitor cardíaco apitava num ritmo lento e irregular. Cada apito era um lembrete do tempo que estávamos a perder.

Pedro entrou no quarto. Ele evitou o meu olhar.

"A cirurgia da mãe começou. Os médicos dizem que as hipóteses dela são boas."

Não respondi. Continuei a olhar para o rosto pálido da Lara.

"Ana, estás a ouvir-me?"

"Eu ouvi-te", disse eu, sem me virar. "Parabéns. Salvaste a tua mãe."

A minha voz era plana, vazia de toda a emoção. Eu sentia-me oca por dentro.

Ele aproximou-se, colocando uma mão no meu ombro. "Olha, eu sei que estás chateada..."

Afastei a sua mão. "Não me toques."

"Ana, por favor. Tenta entender. Eu não podia deixar a minha mãe morrer."

"Mas podias deixar a tua filha morrer." Não era uma pergunta. Era uma afirmação.

Ele recuou, como se eu o tivesse esbofeteado. "Isso não é justo! Nós vamos encontrar uma solução para a Lara. Eu prometo."

"Promessas?" Eu finalmente olhei para ele, a raiva a borbulhar dentro de mim. "As tuas promessas não valem nada, Pedro. Tu prometeste amar e proteger a Lara. Onde está essa promessa agora?"

"Eu amo a Lara!"

"Não, não amas. Tu amas-te a ti mesmo. Amas a tua imagem de filho dedicado. Amas a aprovação da tua família. A Lara? Ela é apenas um inconveniente para ti."

"Isso é mentira!"

"É? Então porque é que não conseguiste olhar para ela? Porque é que, quando o médico nos pediu para escolher, nem sequer hesitaste?"

Ele não tinha resposta. Apenas ficou ali, a abrir e a fechar a boca como um peixe fora de água.

"Sai", disse eu, a minha voz baixa e perigosa.

"Ana..."

"Eu disse para saíres! Vai ficar com a tua mãe. Ela é a tua prioridade, não é? Deixa-me em paz com a minha filha."

Ele olhou para mim por mais um momento, depois virou-se e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.

Fiquei sozinha com o som do monitor cardíaco.

Peguei no meu telemóvel. As minhas mãos tremiam, mas consegui encontrar o número que procurava.

O meu irmão, Tiago.

Ele atendeu ao primeiro toque. "Ana? O que se passa? São duas da manhã."

"Tiago", a minha voz quebrou. "É a Lara. Ela está muito mal. E o Pedro... o Pedro escolheu a mãe dele em vez dela."

Houve um silêncio na outra ponta da linha, depois a voz furiosa do Tiago. "Aquele filho da mãe. Onde estás? Eu vou já para aí."

Dei-lhe o nome do hospital.

Desliguei a chamada e olhei para a Lara. Acariciei a sua bochecha.

"Aguenta, meu amor. A mamã vai resolver isto. A mamã vai salvar-te."

Eu não sabia como, mas tinha de o fazer.

Eu era a única que lutava por ela agora.

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