O Preço da Traição de um Piloto

A minha sogra, a Dona Elvira, chegou uma hora depois.

Ela não veio para me consolar.

Ela entrou na minha casa como se fosse dela, com a sua própria chave.

"Sofia, o Leo ligou-me. O que é esta conversa de divórcio?"

A sua voz era acusadora, sem qualquer simpatia.

Ela sentou-se no sofá, cruzando os braços sobre o peito.

"Ele teve um filho com outra mulher, Elvira."

Eu disse-o de forma direta, esperando talvez um vislumbre de compreensão.

Ela encolheu os ombros.

"E então? Tu não lhe podias dar um. Um homem precisa de um herdeiro. O meu filho fez o que tinha de fazer."

Fiquei a olhar para ela, chocada com a sua frieza.

"Ele traiu-me."

"Não sejas dramática," ela disse, abanando a mão com desdém. "Ele não te vai deixar. Tu continuas a ser a Sra. Santos, a mulher de um piloto de prestígio. A Isabela é apenas... uma necessidade. Ela deu-nos um neto. Por isso, deves estar-lhe grata."

Grata? Eu devia estar grata à amante do meu marido?

"Eu quero o divórcio."

A cara da Elvira endureceu.

"Não sejas tola. O divórcio arruinaria a reputação do Leo. Pensa na carreira dele. És egoísta, só pensas em ti."

Ela levantou-se e caminhou até mim, o seu olhar era duro como pedra.

"Ouve-me com atenção. Tu vais ultrapassar isto. Vais aceitar a situação e continuar a ser uma boa esposa. O meu neto, o pequeno Vasco, precisa do pai dele. E o Leo precisa de uma casa estável para onde voltar. Entendido?"

Ela não estava a pedir, estava a ordenar.

"Se insistires neste disparate de divórcio, farei da tua vida um inferno. Vais sair daqui sem nada. Vou certificar-me disso."

As suas ameaças pairavam no ar, pesadas e sufocantes.

Ela saiu tão abruptamente como chegou, deixando para trás um rasto de perfume caro e palavras venenosas.

Sentei-me no chão, o verniz do troféu a parecer frio contra a minha pele.

Eu estava presa. Presa num casamento que era uma mentira, com uma família que me via apenas como um acessório.

O meu telemóvel tocou. Era o meu irmão, o Tiago.

Atendi, a minha voz mal passava de um sussurro.

"Sofia? Estás bem? A mãe está preocupada, não atendes as chamadas dela."

Comecei a chorar. Não conseguia mais conter-me.

Contei-lhe tudo. O caso, o filho, as ameaças da Elvira.

Houve silêncio do outro lado da linha por um momento.

"Faz as malas, Sofia. Vou buscar-te."

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