O Preço da Negação: A Vingança de Uma Mãe

Levantei o olhar, as lágrimas a secarem no meu rosto.

"Este amuleto?" perguntei, a minha voz era um sussurro rouco. "O que o Noah partiu antes de empurrar o Léo? O que deixou o meu filho com um corte na testa que nunca sarou?"

William olhou-me com desdém, a sua recusa em acreditar era uma parede de betão.

"Não inventes histórias. A Lilith disse que o Léo caiu sozinho. Estás a tentar culpar um menino inocente? És tão ciumenta e mesquinha, Raina."

As suas palavras eram facas, mas eu já estava entorpecida pela dor. Ele via maldade em mim, bondade em Lilith. Ele via fraqueza no nosso filho, força no dela. O mundo inteiro via o Léo como um anjo, mas o seu próprio pai via-o como um fardo.

"Eu não quero mais isto," disse eu, mais para mim mesma do que para ele.

Ele bufou, virou-se e saiu, deixando-me mais uma vez na minha solidão fria e escura.

Mais tarde, ele voltou. Desta vez, trazia uma caixa de doces caros.

"A Lilith comprou isto para ti. Para se desculpar pelo teu mau humor," disse ele, colocando a caixa na mesa.

Olhei para a caixa e depois para ele. Uma risada amarga escapou-me.

"Sabes qual é o meu doce favorito, William? Sabes que eu sou alérgica a nozes? Estás casado comigo há quatro anos e não sabes a coisa mais básica sobre mim."

Ele ficou sem reação, a sua ignorância exposta.

"O Léo está morto," repeti, a minha voz monótona. "Ele não está a brincar no jardim. Ele não vai voltar."

Ele ignorou-me, a sua mente fechada para a verdade.

Com um movimento súbito, peguei na caixa de doces e atirei-a contra a parede. Os chocolates espalharam-se pelo chão, uma confusão pegajosa que espelhava a nossa vida.

"Eu arrependo-me," sussurrei para o vazio. "Arrependo-me de não ter fugido contigo, meu filho, no momento em que percebi que este homem nunca te amaria."

No dia seguinte, da janela da cozinha, vi-os no jardim. William, Lilith e Noah. Ele estava a empurrar o Noah no baloiço que tinha construído para o Léo. Riam, uma família feliz. Uma faca torceu-se no meu coração já desfeito.

Saí para o jardim, a minha calma era uma máscara para a fúria que fervia por baixo.

"Que cena comovente," disse eu, a minha voz a pingar sarcasmo. "O pai do ano, a brincar com o filho da sua amante no baloiço do seu filho morto."

William levantou-se, o seu rosto escureceu. "Como te atreves a falar assim à frente do Noah?"

"Hipócrita," cuspi eu. "Gritavas com o Léo por sujar a roupa, mas deixas o Noah pisar as flores com as botas cheias de lama. És um pai maravilhoso... para o filho de outra pessoa."

A sua mão levantou-se como se fosse para me bater, mas parou a meio do ar. Lilith agarrou-se ao seu braço, a fingir medo.

Naquela tarde, liguei à minha única amiga, Clara.

"Vende. Vende a minha vaga na escola de culinária em Paris. Preciso do dinheiro."

"Raina, tens a certeza?" a voz dela estava cheia de preocupação. "Era o teu sonho."

"O meu sonho morreu com o meu filho, Clara. Agora só quero paz."

"Vou tratar de tudo," prometeu ela.

Olhei para o calendário. Mais alguns dias. A contagem decrescente para a minha liberdade tinha começado.

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