O pai Cowboy do meu amigo

Desce na cozinha e faz um café expresso, assim que começa a beber o telefone vibra, ela olha a mensagem na tela.

 — Princesa, cheguei.

— Estou tomando café, entra e toma comigo.

— Certo.

Abre a porta para o amigo e se cumprimentam com um abraço e um beijo no rosto.

São amigos desde os 8 anos, passaram por muita coisa, juntos. Tomam café com pão recheado, que a mãe fez ontem e saem.

Ele sempre anda de carro pequeno, mais hoje veio de Hilux.

— Porque esse carão?

 — É 4 x 4, a estrada é de terra. Se nós atolarmos, fica mais fácil de sair ou subir uma montanha, também trouxe corrente para colocar no pneu se necessário.

— Nossa, que homem prevenido... desculpa aí viu, kkk...

— Aprendi com o melhor.

— Hum, e o melhor é o seu pai?

— Sem dúvidas, RS.

Ela se endireita no assento sorrindo.

— Bom pai, bom filho e bom professor. No que mais seu pai é tão bom?

— Bom marido, bom fazendeiro, bom patrão, o cara é fera.

— Nossa, não vejo a hora de o conhecer então, RS.

Por um instante Lucas sente uma leve pontada de ciúmes, mais deixa passar. Eles têm a mesma idade, e o pai não namora moças jovens, com idade para serem suas filhas.

— Bom, disse que ele era um bom marido. Porque ele se separou da sua mãe então?

— Minha mãe era uma boa pessoa, mais quando os pais dela faleceram, ela começou a beber. Meu pai tentou ajudar, mais ela bebia cada vez mais, chegando a virar uma alcoólatra. Foi muito triste, vivia bêbada pelos cantos da casa.

— Meu Deus!

— Papai, tentou levar ela para se tratar. Nunca dava certo e o casamento começou a se desgastar. Mamãe começou a sair com as amigas a noite e voltava ao amanhecer, nisso eles já não dormiam mais juntos. Meu pai cuidava de mim e da fazenda. Até o dia, que chegou aos ouvidos dele, que ela estava traindo ele. O pior de tudo, com vários homens. Quando ficava bêbada, não tinha muita consciência do que fazia, acabava dormindo com outros. Pensa na tristeza do meu pai.

— Que história, estou chocada.

— Sim, meu pai foi conversar com o tio dela e logo mamãe saiu de casa e se divorciaram. Não foi assim fácil como estou falando, foi doloroso para todos nós.

— Coitado do seu pai. Ele namora?

Lucas sorri com gosto.

— Se namora? kkk... O cara virou um garanhão, pega todas que passa pela frente, já partiu vários corações. Não se apega a mais ninguém, o único amor dele foi minha mãe.

— Resolveu virar um canalha. Eu entendo ele, mais coitadas das mulheres que ele brinca.

— Concordo com você, mais quem sou eu para aconselhar ele sobre isso. Deixa ele viver, quem sabe um dia isso muda?

— Quantos anos ele tem, uns 50 já?

— Nada, ele é jovem. Parece mais meu irmão mais velho, RS. Tenho 21 anos como você bem sabe e meu pai apenas 36.

— Sério? Nossa, ele teve você com 15 anos?

— Sim e minha mãe tinha 14, aprontaram cedo, mais desde jovem meu pai tinha a cabeça desenvolvida e logo se casou.

— Taí, gostei.

Continuam conversando durante umas duas horas e logo saem da estrada.

— Você disse que seria estrada de terra, saímos da rodovia e ainda é asfaltado.

— Até a cidadezinha mais próxima é tudo asfaltado, quando sairmos dela é de terra.

— Hum...

— Você não é de ir para sítio e chácara né?!

— Sou fã de praia e balada, puts, puts... kkk. 

Chegando na cidade, eles param.

— Porque paramos?

— Vou ver se meu pai precisa de algo da cidade.

— Por quê?

— Para ele não perder tempo vindo aqui, sendo que já estamos aqui.

— Hum.

Ele liga para o pai, que atende rápido.

— Sim, pai, já cheguei. Certo... Vai precisar do quê? Uma seringa Milho. Ãhn? Certo, pego sim, até mais.

Ele dá, a volta e vão até à Agropecuária.

— Olá, bom?

— Bom. — Responde Enzo (atendente).

— As encomendas da fazenda, Lírio do Vale por favor.

— Sim, claro.

O rapaz foi buscar, as sacas de milho, de ração. Seringas e remédios.

— Agora entendi, porque você veio com a Hilux.

— RS, para isso também.

— Vou pegar as caixas com os animais, patrão.

— Certo.

— Que animais?

— Galinhas, marrecos e codornas.

— Seu pai encomendou um casal de avestruz, mais ainda vai demorar um pouco para chegar. — Diz o atendente olhando para a Érica.

— Sem problemas. Obrigado.

— De nada senhor, volte sempre.

Eles entram no carro e logo pegam a estrada de terra.

— Avestruz? Que medo, esse bicho corre atrás da gente.

— É se bobear corre mesmo, RS.

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