O monstro da Calabria

Alessandro

Ela achou que ia pra festa. Que depois do espetáculo no altar, eu ia sorrir pros convidados e fingir que éramos felizes.

Idiota.

Assim que o padre terminou a cerimônia, puxei Bianca pelo braço. Os olhos dela arregalaram por um segundo, mas não disse nada. E se dissesse, não adiantaria.

Sem cerimônia, joguei ela sobre o ombro - como se carrega algo que se comprou, não algo que se ama - e caminhei direto até o carro.

Ignorei todos os olhares. Que se fodam. Eu não devia satisfações pra ninguém.

Joguei a porta do carro aberta e a lancei no banco de trás com a mesma frieza com que abato meus inimigos.

Ela caiu sentada, os cabelos bagunçados, o vestido - ou o que sobrou dele - subindo pelas coxas.

- Você é um animal!, ela gritou.

Ignorei. Entrei no carro. Liguei o motor.

E acelerei.

Dirigi em alta velocidade pelas curvas estreitas das colinas da Calábria. Ela se segurava no banco, assustada. Pela primeira vez... eu senti o medo nela.

E aquilo? Aquilo me agradou.

- Você tá esperando o quê pra subir? - perguntei assim que parei o carro em frente à mansão onde moraríamos. - Vai se preparar pro seu marido. A noite de núpcias começa agora.

Ela hesitou. Os lábios entreabertos. O olhar perdido.

Depois, respirou fundo e desceu do carro.

Subi as escadas com passos lentos, calculados. O som do salto dela atrás de mim ecoava como um relógio prestes a explodir.

Abri a porta. Joguei a chave sobre a mesa.

- Segundo andar. Última porta à direita.

Minha voz saiu firme. Seca.

- E não demore. Eu quero a prova.

Ela parou na escada. Me encarou.

- Prova?

- De que você é virgem. Eu exijo.

Ela empalideceu. Eu vi.

Vi o susto. O pavor.

Mas não voltei atrás.

Fiquei na sala por longos minutos. Escutando cada passo dela lá em cima. Andava de um lado pro outro, como um animal em gaiola.

E quando finalmente escutei a porta abrindo...

Subi.

Entrei no quarto. Ela estava de costas, ainda com o sutiã e a calcinha branca.

Fechei a porta com um clique pesado. E travei.

Ela virou devagar. O rosto corado. O peito subindo e descendo num ritmo nervoso.

Aproximei-me, sem dizer uma palavra.

Ela encarou o volume evidente na minha calça.

Tremeu.

- Deita. Abre as pernas. Fica parada. Se mexer, vai doer mais.

Minha voz saiu baixa, ameaçadora.

Ela mordeu o lábio inferior, hesitou... mas deitou. Abriu.

Devagar. Tensa.

Subi na cama. Me posicionei entre suas pernas.

Não houve carinho. Não houve beijo.

Houve posse.

Houve entrega forçada.

Ela tentou controlar o tremor, mas eu senti. O medo, o desconforto. E ainda assim, ela não chorou.

Forte. Orgulhosa. Arrogante.

Mas nenhuma dessas máscaras resistiu ao meu toque.

Entrei devagar, rompendo cada centímetro com brutalidade medida.

Ela gemeu. De dor. De surpresa.

E eu?

Eu aproveitei.

Levei o tempo que quis. Explorei cada parte daquele corpo que agora era meu.

E quando terminei, não saí.

Ela tentou se mover. Tentou sair da cama.

Mas minha mão a segurou pelo quadril.

- Vai aonde?

- Banho. Trocar de roupa. Acabou.

Ri. Um riso rouco, carregado.

- Acabou? Isso foi só o começo.

Inclinei-me sobre ela, roçando meus lábios no pescoço suado dela.

- Você é uma delícia, Bianca. E essa noite ainda é longa. Muito longa.

Ela fechou os olhos. A respiração descompassada.

Não havia mais provocação em seu rosto.

Havia a certeza.

De que agora...

Ela era minha.

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