O Milionário Que Encontrou a Filha Perdida

No dia do meu aniversário de casamento, o meu marido, Pedro, estava a celebrar o aniversário de outra mulher.

Essa mulher era a sua ex-namorada, a Sofia.

Eu liguei-lhe. O telefone tocou durante muito tempo antes de ele finalmente atender.

A sua voz estava cheia de impaciência.

"O que foi? Não te disse que estou ocupado?"

Ao fundo, ouvi a voz suave da Sofia.

"Pedro, quem é? Se for trabalho, não precisas de te apressar. Podes comer o bolo primeiro."

Depois ouvi a voz da minha sogra, a rir.

"Sofia, és tão atenciosa. O Pedro tem sorte em ter-te. Corta o bolo, corta o bolo. Vamos cantar os parabéns."

O som alegre de "Parabéns a Você" chegou através do telefone, fazendo-me sentir como uma completa idiota.

"Pedro," a minha voz estava calma, talvez demasiado calma. "A nossa filha, a Lara, está com febre alta. O médico disse que pode ser pneumonia. Precisamos de a internar."

Houve um silêncio do outro lado, seguido pela voz irritada do Pedro.

"Porque é que me estás a ligar por uma coisa tão pequena? Não podes tratar disso sozinha? A Sofia está doente, ela precisa que eu cuide dela. É só uma febre, leva-a ao hospital e já está!"

"Doente?", perguntei, sentindo um nó na garganta. "Ela não está a celebrar o aniversário dela?"

"É o aniversário dela, mas ela também está doente! Ela está fraca desde pequena. Não sejas tão insensível, Ana. A Lara é a tua filha, tens de aprender a ser uma mãe independente."

Ele desligou o telefone.

Sem me dar tempo para reagir.

Olhei para a minha filha de três anos nos meus braços. O seu rosto estava vermelho, a sua respiração era rápida e o seu pequeno corpo tremia.

Senti o meu coração apertar.

Independente?

Desde que a Lara nasceu, eu tenho sido independente. Ele alguma vez se importou? Ele alguma vez perguntou?

Peguei no telefone e enviei uma mensagem ao Pedro.

"Pedro, vamos divorciar-nos."

Desta vez, a resposta dele foi rápida, quase instantânea.

"Estás louca? Divórcio por causa disto? A Lara é tão pequena, queres que ela cresça sem pai? Deixa de ser egoísta."

Egoísta? Eu?

Sorri amargamente. Sim, eu era egoísta. Eu queria que a minha filha tivesse um pai que a amasse, não um que só se lembrasse da sua existência quando lhe convinha.

A sua mensagem seguinte chegou.

"A Sofia precisa de mim agora. Para de criar problemas. Falamos quando eu voltar."

Quando ele voltaria? Ele não voltava a casa há uma semana.

Apaguei a mensagem e bloqueei o seu número.

Não havia mais nada a dizer.

A cola que me prendia a ele não era o amor, era a ilusão de uma família completa para a minha filha.

Agora, a ilusão desfez-se.

O Pedro não se importava com a Lara. Ele não se importava comigo. Ele só se importava com a Sofia.

Sempre foi a Sofia.

Quando nos casámos, ele disse que tinha acabado com ela. Eu acreditei nele.

Que tola.

A febre da Lara não baixava. O médico veio com uma expressão séria e disse que a situação era crítica, que ela precisava de ser transferida para a unidade de cuidados intensivos pediátricos.

O meu mundo desabou.

Enquanto assinava os papéis, as minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia segurar a caneta.

O telefone da enfermaria tocou. Era a minha sogra.

"Ana! O que se passa contigo? Porque é que o Pedro não consegue contactar-te? Estás a tentar irritá-lo de propósito no aniversário da Sofia? Sabes o quão frágil ela é! És tão mesquinha!"

A sua voz era estridente e cheia de acusações.

"A Lara está na UCI."

Disse apenas estas palavras e desliguei. Não tinha energia para discutir.

Todo o meu ser estava focado na pequena figura atrás do vidro da UCI.

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