O DEMÔNIO SEM ALMA

NARRAÇÃO HEITOR

- Agora já pode tirar as mãos dos meus seios.

Aperto ainda mais suas saliências e isso é tão intrigante. Meu pau até treme de felicidade.

- Heitor, pode soltar meus seios?

- Não consigo! Eles são tão...

- Tira a mão!

Levo um tapa. Caramba! Ela bateu na minha mão e doeu.

- Faz de novo!

- Fazer o que?

- Me bate!

- Não vou te bater.

- Por que não vai me bater?

- Porque não se deve bater nas pessoas.

- Primeiro eu não sou "pessoas".

Dou ênfase na palavra que odeio. Humanos são a espécie mais podre criada. Um demônio nunca deve ser comparado a lixo.

- Segundo, você acabou de me bater.

- Te bati porque está tocando meus seios.

- Oh!

Agora tudo fica mais claro. Tetas liberam a agressividade humana. Volto a tocar as tais tetas e isso é tão legal.

- Para!

Levo outro tapa.

- Eu preciso entender porque posso te sentir.

Espera! Ela disse que me sente. Pego sua mão e enfio no meu pau.

- Consegue sentir ele?

- Sim!

Normalmente as humanas que enfio meu pau, não o sentem de verdade. Ela sentem algo... como foi mesmo que a outra disse? Algo celestial, de outro mundo. É como se fosse algo fora do mundo e nada humano. Então entendi que não sentia o meu toque, mas o prazer em si que eu as dava. Um prazer que venho tentando sentir a cada trepada com humana que dou. Olho a humana a minha frente e ela parece tão deliciosa. Isso deve ser o tal apetite sexual. Quero me enfiar nela pra caralho.

- Vamos trepar.

- O que?

- Trepar! Vou enfiar meu pau no seu buraco.

- No meu buraco?

- Deixo você escolher. Não tenho problemas com nenhum deles. Pode ser boca, a sua buceta ou cu. Se quiser o ouvido, tudo bem. Mas devo informar que a ultima que tentou enfiar meu pau no ouvido, teve...

- Chega!

A humana grita com cara de nojo. Humano tendo nojo de humano. Julgando uns aos outros por suas escolhas.

- Você não vai enfiar nada em mim.

Olho para o meio de suas pernas e agora entendo tudo. Ela é tipo humana que nasceu humano. Ela tem pau. Bom! Nunca tentei isso antes, mas se ela é a única que pode me sentir...

- Tudo bem! Pode enfiar na minha bunda.

- O que?

Achei que não era possível ela fazer uma cara mais assustada que a de antes.

- Pode enfiar seu pau em mim. Nunca chupei um, mas se todas pedem pra chupar meu pau, é porque deve ser bom. Abaixa a calça e deixa eu provar.

- Meu Deus!

- Não enfia ele nisso! Não estou afim de ouvir sermão divino. Chame o diabo que ele vai me entender.

- Você usou drogas?

- Não! Já tentei usar, mas não fizeram efeito em mim.

- Bebeu?

- Bebida também não faz efeito em mim.

- Você é louco?

- Não! Sou um demônio.

E humana ri de mim e odeio quando fazem isso. Quando menos percebo, minhas mãos estão em seu pescoço.

- Hei...tor...

Bate no meu braço e isso é tão intenso. O que estou sentindo agora? Isso que cresce dentro de mim é um sentimento? Prazer?

- Me... solta...

Seus olhos cor de mel parecem desesperados e tudo que eu sentia antes some, entrando outro sentimento que também não reconheço. Remorso? Solto seu pescoço em busca o ar.

- Você quase me matou!

- Não era isso que queria?

Me olha com tristeza. Caramba! Muitos sentimentos aqui em tão pouco tempo.

- Há alguns minutos atrás estava querendo isso.

Limpa o rosto e percebo que chora.

- É melhor eu ir embora!

Vira e começa a andar. Sigo atrás dela, sem saber pra onde vamos.

- Por que está me seguindo?

- Porque vou com você!

Para de andar e não vira.

- Não! Vou embora sozinha!

- Não! A partir de agora estou com você.

- O que?

Vira pra mim e seus olhos estão bem apertadinhos. Isso dificulta minha leitura sobre ela. Essa humana é confusa demais.

- Olha! Sei que acabou de salvar minha vida e agradeço muito por isso.

Arruma o cabelo e parece inquieta.

- Mas não vai acontecer de novo. Estou bem!

- Não me importo com você!

Ela para de se mover e parece paralisada. Isso facilita minha tentativa de entendê-la. Apesar que paralisada totalmente assim, não me diz nada.

- Não me importa se vai se jogar da ponte.

Seus olhos piscam muito rápido.

- Na verdade o que me importa é saber porque você me sente de verdade e eu te sinto.

- Porque somos dois corpos cheios de carne, pele e isso facilita a parte do tato.

Fala com um tom de... irônia?

- Não! Não sinto vocês, humanos.

- Você também é um humano!

- Não! Eu sou um demônio!

- Certo! Você deve ser louco e não se contraria suas loucuras. Vou entrar na loucura.

Respira fundo e sorri com a boca quadrada.

- Talvez, oh digníssimo demônio, esteja demais entre nós humanos e tenha virado um de nós.

Isso é uma possibilidade.

- Mas isso só aconteceu com você. Depois que você apareceu pra mim. Quando enfiei meu pau na outra humana, ela enfiou meu pau na boca dela e sentou na minha cara nada aconteceu.

- Pelo amor de Deus, para de me contar suas putarias!

Grita e tenho vontade de rir. Ai caralho! Eu quero rir.

- Já pedi pra não chamar esse homem.

- Então para de falar suas putarias.

Rir é tão legal. Isso é muito bom.

- Qual a graça?

- Falar de trepada te deixa sem graça. Você fica vermelha.

- Estranho é você achar normal falar com estranhos sobre suas... suas... trepadas.

- Não somos estranhos. Te salvei da morte e você me fez sentir. Isso é muito mais intimo que um pau em vários orifícios.

Ela abre um sorriso que agora parece verdadeiro.

- Isso é verdade!

- Acho que somos bem íntimos agora.

- Mais uma vez obrigada por me salvar.

- Parece que a morte foi embora.

Ela olha em volta.

- Morte?

- Sim! A sombra da morte estava com você quando cheguei.

Seus braços agora estão em volta de seu corpo e ela parece assustada.

- Por que estava querendo morrer?

A humana me olha e volta a chorar.

- E agora por que chora?

- Eu não quero morrer.

Limpa as lagrimas e fecha os olhos.

- Eles querem que eu morra.

- Eles quem?

Seus olhos se abrem e parecem que vão me engolir.

- As vozes.

- Que vozes?

- Na minha cabeça! Elas dizem coisas horríveis sobre mim. Mandam fazer coisas para me machucar.

- As vozes na sua cabeça?

- Sim! Eu não sou louca!

- Não disse que era!

- Elas surgem quando a tristeza toma meu coração.

- Elas te mandaram pular da ponte?

- Não me mandam fazer algo. Elas me dizem que não sou nada e que o mundo seria melhor sem mim. Que as pessoas seriam mais felizes.

- Sua família sabe dessas vozes?

Balança a cabeça e volta a chorar.

- Não tenho ninguém! Não sei quem são meus pais. Cresci em um orfanato e eles não fazem idéia de onde vim e quem me deixou lá.

- Você mora nesse orfanato?

- Não!

- Onde você mora?

- Preciso ir...

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