O CEO Sexy

Fiquei sem graça. Não gostava que ele pagasse tudo, mas acabei relaxando, afinal era a nossa noite. Ele sempre foi dispendioso, mas eu não poderia culpá-lo, vindo de uma família rica, era bastante normal. Lamentei por estarmos em um restaurante tão chique e a educação exigisse que eu ficasse sentada na minha cadeira. Eu queria me sentar no colo dele e lhe dar um beijo cinematográfico na boca. Ele merecia e eu também.

O garçom trouxe o vinho e nos serviu. Eu adorei o sabor e brindamos e ele começou a falar que naquele fim de semana iríamos a uma corrida de lancha no clube. Ele e uns amigos iam correr e ele queria que eu assistisse. Claro que eu iria, mesmo que as garotas que eram suas amigas me olhassem com desdém e debochassem de mim. Porém, o Lucas providenciou um biquíni novo e roupas adequadas para frequentar esses lugares mais caros. Como ele dizia:

— Cada lugar exige um tipo de roupa, você tem que saber se portar e tudo vai dar certo. Ninguém vai perceber suas origens...

Minhas origens? Às vezes, eu me sentia no século dezoito, a plebeia se casando com o nobre rapaz. E as ricas donzelas ofendidas por terem sido preteridas e desfazendo de mim. O mundo nunca mudava, era tudo sempre igual.

— Me pergunto o que teria acontecido se há três anos eu não tivesse batido meu carro no seu – comentei com um sorriso.

Foi assim que a gente se conheceu. Meu fusca perdeu os freios e bateu contra o importado que ele dirigia. Nem precisava dizer que ele foi um cavalheiro e assumiu tudo mesmo eu estando errada. Pegou o número do meu telefone e nunca mais nos separamos. Foi mágico e lindo. Geralmente acidentes de trânsito terminam em brigas, mas o meu culminaria em um casamento. Dava até para escrever um livro sobre isso.

— Sou um homem de sorte. – Ele piscou para mim e bebeu o restante do vinho em sua taça.

— Foi paixão à primeira vista, não foi? – perguntei feliz e me recordando de quando o vi sair do carro furioso com aqueles óculos escuros, parecendo um ator de cinema.

— Com certeza – ele concordou.

A porta do restaurante foi aberta e um grupo ruidoso entrou e se dirigiu para um canto. Não prestei atenção e nosso jantar foi servido.

— Detesto quando essas pessoas não sabem se comportar – Lucas comentou.

— O quê? – eu tive que erguer o rosto para encará-lo. Estava concentrada no meu jantar e morta de fome. Fiquei o dia todo sem

comer para caber naquele vestido.

— Esses caras que entraram e não conseguem falar baixo – ele reclamou e fitou por cima do ombro —, não olhe! – ele pediu. — Seja discreta, por favor...

Nunca diga a uma pessoa para não olhar. Isso atiça a curiosidade de uma forma devastadora. Respirei fundo e forcei um sorriso até que minha cabeça girou discretamente em direção à mesa ruidosa. Era um grupo de homens de terno e gravata, eles riam e conversavam como pessoas normais faziam. Com certeza um Happy Hour, mas o Lucas não gostou deles.

Porém, meus olhos passaram por um homem com ar insolente que olhava para a nossa mesa e engoli em seco quando nossos olhares se encontraram. Ele tinha a barba por fazer, olhos e cabelos escuros e era desconhecido. Mas quando ele notou que o vi, um sorriso insolente formou no canto esquerdo de seus lábios, o deixando charmoso. Olhei depressa para Lucas que os fitava com raiva.

— Será que eles não podem falar mais baixo? – ele perguntou com revolta e voltou a comer.

— É um lugar público, querido...

— Devíamos ter ido para outro restaurante – ele reclamou mal-humorado.

Os homens continuavam em sua conversa animada e algo me disse que se eu olhasse uma segunda vez em direção à mesa, aquele estranho ainda estaria me encarando.

— Você conhece aquele homem, Helena?

Oh, meu Deus! Eu disse a mim mesma. Lucas havia notado. E como sempre, meu namorado pensaria que era culpa minha o fato do homem estar me olhando.

— Quem?

— Um dos homens daquela mesa não tira os olhos daqui.

Quase não consegui respirar. Não queria olhar uma segunda vez para ele, mas se não o fizesse, Lucas poderia concluir besteira. E ele era muito ciumento e possessivo. Engoli em seco e meus olhos viraram na direção do daquele homem. Poderia ter olhado para qualquer outro, mas era impossível. Os olhos de águia estavam presos em mim de uma forma escandalosa e nada discreta. Eu admiti que jamais um homem me fitou daquela forma, tão sexy e poderoso.

Era uma pouca vergonha. Estreitei o olhar com raiva. Descarado! Um sorriso se formou nos lábios charmosos, como se ele soubesse exatamente o que eu estava pensando.

Voltei o olhar para Lucas e vesti minha melhor máscara de indiferença para dizer o óbvio.

— Não conheço ninguém daquela mesa.

Meu namorado não sorriu, apenas assentiu antes de continuar seu jantar me fitando como se eu tivesse algo a esconder.

Viajei o mundo todo. Eu conhecia cada ponto do planeta, e de todos os lugares, sempre amei minha terra natal, o Brasil. Por isso, há alguns anos fiquei por aqui, tratando dos negócios da minha família. Quando eu precisei ir a Nova Nazaré, onde eu tinha a fábrica, pensei que seria entediante. Mas me enganei. Além da hospitalidade agradável tão conhecida dos mineiros, eu ainda me deparei com aquela garota linda e irresistível.

Ela me chamou a atenção no instante em que entrei no restaurante. Como se eu tivesse levado um soco no estômago, como se um raio tivesse caído sobre a minha cabeça. Aqueles cabelos castanhos escuros que caíam como uma cascata de cachos por suas costas delgadas, o vestido dourado, as sandálias de salto alto envolta dos pés pequenos e lindos. Sempre tive fetiche com saltos e meu pau ficou em alerta. Quando ela sorriu para o homem à sua frente, senti inveja dele e isso raramente acontecia. Tinha tudo que o dinheiro pode comprar e posso até possuir sorrisos ao mostrar meu cartão de crédito black, mas nada se parecia com o sorriso daquela garota.

Eu a conhecia de algum lugar, talvez de outras vidas, mas tinha a sensação de já tê-la visto antes. Sentei com as pessoas que me acompanhavam. Todos trabalhavam na empresa e depois de um

dia de reuniões, chamei todos para um happy hour. Foi a melhor decisão da minha vida.

Sentei ao lado do meu amigo e advogado, Fernando Marota, ele olhou na mesma direção que eu e deu um sorriso malicioso.

— Já encontrou uma presa? – ele perguntou enquanto o garçom distribuía os cardápios.

Apenas sorri em resposta, olhando para ele rapidamente. E em seguida, voltei a focar minha atenção naquela princesa linda. A forma como ela movia aquelas mãos enquanto falava, imaginei as unhas vermelhas arranhando minhas costas enquanto eu me afundava em sua boceta quente, suas longas e lindas pernas ao redor dos meus quadris. Fui enlaçado de uma forma rápida e inesperada. Não estava naquela cidade com a intenção de me interessar por nenhuma mulher, eram apenas alguns dias de negócios e reuniões e eu voltaria para casa.

Contudo, aprendi desde muito cedo que um homem esperto tem que aprender a lidar com mudanças repentinas. A cidade sem graça adquiriu novas cores. Pedi um uísque duplo e vi que o acompanhante dela me encarava, ele notou que eu estava olhando para sua garota. Dele não. Minha. Foi dele. A arrogância em seu semblante e a raiva que demonstrou ao notar meu interesse foi um bálsamo ao concluir o quanto ele era inseguro. Outro teria demonstrado que ela o pertencia, mas o babaca apenas me fitou com desdém e raiva. Como se ninguém mais no mundo pudesse admirar a mulher que o acompanhava, ela devia estar numa redoma criada por ele. Idiota!

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