O CEO  e a Florista

Capítulo 2

Sophia Mariani

O aroma de rosas e lírios preenchia o ar da pequena floricultura, como se tentasse me anestesiar contra a ansiedade que latejava dentro do meu peito. Passei a manhã inteira em silêncio, podando hastes e organizando arranjos sem realmente enxergá-los. Minha mente não saía do ultimato que o oficial de justiça havia deixado: trinta dias.

Alice, minha colega de balcão e confidente de plantão, percebeu meu estado desde a primeira hora. Ela tinha o tipo de olhar que atravessava qualquer fachada.

- Está escrito na sua testa que alguma coisa aconteceu, Soph. - Ela largou a fita que enrolava num buquê de tulipas e cruzou os braços. - Vai me dizer ou vou ter que arrancar à força?

Suspirei, deixando as tesouras de poda de lado.

- Eu não queria falar disso aqui... mas não aguento mais guardar só para mim.

Alice se aproximou, apoiando o quadril no balcão, pronta para ouvir.

- Ontem... - engoli seco, sentindo a garganta queimar. - O oficial de justiça apareceu. Disseram que o nosso apartamento não serve para uma criança. Se eu não mudar de endereço em trinta dias, vão tirar a Rosie de mim.

Os olhos de Alice se arregalaram, a mão dela indo instintivamente para cobrir a boca.

- Meu Deus, Soph... isso é um absurdo! Você faz tudo por aquela menina, todo mundo sabe disso.

Balancei a cabeça, tentando conter as lágrimas.

- Mas fazer tudo não é o suficiente. Eu não tenho como pagar um aluguel melhor, não sozinha.

Alice me puxou para um abraço apertado, cheirando a lavanda e terra molhada.

- Você não vai perder a Rosie. Vamos encontrar um jeito. Eu prometo.

A esperança parecia tão distante que doía acreditar, mesmo assim deixei aquele abraço me aquecer.

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À tarde, enquanto o sol começava a atravessar as vidraças da loja, o senhor Osvaldo surgiu do escritório. Apesar da idade avançada, ele sempre tinha o semblante sereno, com o avental de jardineiro impecavelmente limpo. Mas, naquele dia, havia preocupação em seus olhos.

- Sophia, preciso de um favor. - Sua voz grave, mas gentil, chamou minha atenção. - Elizabeth não conseguiu sair da cama hoje. As costas dela pioraram.

Dona Elizabeth é a esposa do senhor Osvaldo.

- Pobre dona Elizabeth... - murmurei, preocupada.

- Pois é. - Ele coçou a barba grisalha. - Ela sempre leva a remessa de flores da semana para o Cooper Grand Hotel. Mas, como não tem condições de ir, queria pedir que você acompanhasse meu filho Joseph.

Meu coração deu um pequeno salto. O nome Cooper sempre me causava um arrepio incômodo, mesmo sem que eu entendesse o motivo exato. Respirei fundo e forcei um sorriso profissional.

- Claro, senhor Osvaldo. Eu vou.

Ele assentiu, satisfeito.

- Obrigado, menina. Você tem mãos delicadas, vai saber representar bem a nossa floricultura.

Poucos minutos depois, Joseph apareceu no balcão carregando as caixas com folhagens frescas. Diferente do pai, ele era quieto, sempre meio distraído, mas competente no trabalho.

- Então... vamos? - ele perguntou, ajeitando os óculos no rosto.

Olhei rapidamente para Alice, que me deu um sorrisinho cúmplice e uma "boa sorte" silencioso.

Peguei minha bolsa, respirei fundo outra vez e segui Joseph até a caminhonete carregada de flores.

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