O CEO e a Bibliotecária

Eu me sentia deslocada naquela boate cheia de pessoas desconhecidas. A maioria dos convidados eram amigos ou sócios de Arthur. Às vezes, ele desaparecia com alguma garota na pista de dança. Após tomar duas cervejas e dispensar dois caras que vieram falar sobre seus mustangs ou sobre os iates em que passeavam nos fins de semana, abri caminho entre aquelas pessoas aglomeradas. Luzes coloridas iluminavam os rostos e corpos suados.

“Que merda de lugar é esse?'' Murmurei a pergunta baixinho.

Parei como uma estátua quando o encontrei. No canto, vi Arthur em pé com a mão na parede. A mulher estava ajoelhada, dando beijinhos calientes no brinquedinho dele. Pelo jeito que ele movia o quadril, não ia demorar até se cansar daquela garota.

''Corajosa'', resmunguei.

Tem que ser uma mulher muito ousada para fazer isso num local público, não que eu não pensasse sobre isso nas minhas fantasias mais quentes. Sempre quis transar no banco de trás de um carro ou numa praia deserta. Virei para o lado oposto assim que Arthur ergueu os olhos, eu estava tão distraída que esbarrei em alguém. Tomei um banho de uma bebida destilada.

— Você não olha para onde anda? — Encarei o grandalhão que exibia os braços tatuados.

— Era você quem estava distraída, moça! — Ele retrucou.

— Idiota! — Meu suéter branco estava manchado.

— Espere! — Deu um puxão em meu braço. — Você é aquela moça da livraria.

— O que você quer?

— Deixa eu te pagar uma bebida como pedido de desculpas!

— Quero que pague a conta da lavanderia!

— Eu pago, mas só se você tomar um drink comigo e me der o seu telefone.

Tinha mais de cinco meses que eu não transava. Lembrei de Tony falando que eu precisava tirar o meu atraso.

“ É apenas uma bebida”, pensei. “ Ele não vai me comer em cima do balcão na frente de um barman.” Aceitei o convite do gostosão e o acompanhei.

— O que vai beber?

Ele tocou no meu ombro e massageou lentamente. Fiquei muda com aquele fogo subindo no meio das minhas pernas.

— Gin tônica! — Sentei no banco perto do balcão reto.

Olhei discretamente para o jeans que ele usava e notei um volume considerável.

A minha mãe me mataria se soubesse que eu estava pensando em dar para um homem que eu mal conhecia. Ela é extremamente religiosa e vive dizendo que eu tenho que casar e construir uma família.

— Foi obra do destino! — Ele tomou um pouco Gin Bombay Sapphire.

— O quê? — Pisquei sem parar.

Theo se ajeitou e tombou para o meu lado, os olhos cintilavam.

— Te encontrar aqui!

Aqueles olhos negros eram tão expressivos que me hipnotizaram, eu cheguei a pensar que aquele babaca ia me beijar, mas ele exibiu aqueles dentes branquíssimos.

— Na verdade, eu vim para comemorar o aniversário do meu amigo.

— Sorte a minha! — Ele disse.

Tomei o meu gin de uma vez.

— Aceita outro drink?

Reparei que o misterioso homem estava com a mão direita no bolso. Tinha algo estranho no ar. Leio muito sobre a linguagem do corpo e reparo em cada gesto que uma pessoa faz. Virei o copo e coloquei sobre o balcão.

— Por favor, mais um! — Theo pediu ao atendente.

Um arrepio subiu pela minha espinha quando ele se posicionou atrás de mim e segurou minha cintura.

— Você precisa relaxar mais!

Engoli em seco. Se ele soubesse que eu estava molhada, já estaria me levando para um quarto de hotel. Levantei meus olhos e peguei o drink que o funcionário da boate me serviu.

— Se você quiser, nós podemos conversar em um lugar mais calmo — sussurrou perto do meu ouvido.

— Não costumo dormir com um cara na primeira noite.

— Eu não disse isso!

— Não precisa! — Olhei sobre os meus ombros e o encarei. — Está escrito na sua testa. — Sorvi mais um gole do meu drink.

Eu fiz o que pude para escapar das garras daquele homem que não saía da minha cola. Sei que é normal conhecer alguém na balada, mas, o que eu faria se ele fosse um psicopata em busca de sua próxima vítima? Ele sabia onde eu trabalhava e estava na boate onde o meu melhor amigo comemorava mais um ano de vida. Me chamem de paranoica, mas eu não dou mole para o azar. Cruzei as minhas pernas no mesmo instante que os lábios quentes de Theo tocaram na pele do meu pescoço.

— Tenho uma biblioteca ampla na minha casa!

— Não vou para a sua casa!

No terceiro copo, os meus olhos estavam embaçados, precisava fingir que estava bem.

— Preciso ir!

Saí da cadeira, virei o meu pé e os braços fortes me envolveram antes que eu me chocasse contra o chão.

— Posso te levar para casa?

— Não, obrigada! — Dispensei rapidamente.

— Você é comprometida?

Ele observou a aliança que eu ainda usava no meu anelar direito.

— Eu era! — respondi secamente. — Ele me traiu! — mencionei.

Desde que terminei o noivado com Zac, cinco meses atrás, não saí com ninguém. Meu ex noivo era um advogado com uma carreira brilhante. Só tinha um problema entre nós, a secretária dele. Não esqueço do dia em que Zac disse que trabalharia até mais tarde e eu resolvi fazer uma surpresa. Entrei sem bater, meu ex-noivo estava sentado na cadeira enquanto aquela vadia de peitos grandes, subia e descia, trabalhando vigorosamente no pau dele.

Pensa que eu saí de mansinho e deixei os dois fazendo hora extra? Peguei a mulher pelos cabelos e a arrastei pelos corredores da administração. No mesmo instante, Arthur saiu da sala da diretoria para saber o motivo da gritaria. Se não fosse pelo meu amigo, só Deus sabe o que eu teria feito com a secretária de Zac.

— Depois disso, você saiu com mais alguém?

Os dois primeiros botões da blusa de Theo estavam abertos. O peitoral se estendia até os ombros largos.

— Não!

Virei o rosto, aquele estranho estava fazendo muitas perguntas.

— Foi bom te … — Não deu tempo de me despedir.

Ele já tinha me puxado e quando dei por mim, a boca carnuda de Theo estava colada à minha. Segurou os fios de cabelos da minha nuca, tombando a minha cabeça para trás. As nossas línguas se encontraram num beijo molhado.

Queria ter a coragem daquela garota que estava chupando o meu amigo, mas confesso que sou covarde. Os únicos lugares interessantes que transei com meu ex-noivo foram pelos cômodos da minha casa.

— Não posso! — Empurrei Theo.

Mesmo tonta, me afastei dele e desvencilhei-me das pessoas que bebiam e dançavam ao som daquela música alta. Tinha que resistir ao sexy appeal daquele homem. Eu estava com muita vontade de sentar no colo dele, mas sou extremamente sentimental, me apego com facilidade.

Esbarrei em algumas pessoas e cambaleei até encontrar as escadas. Uma mão tocou em meu braço e segurou com firmeza, eu estava furiosa demais para aturar mais um cara cheio de desejo à procura da próxima presa.

— Não precisa me levar para casa! — gritei.

— Fique calma! — Arthur arregalou os olhos.

— Você terminou de dar a atenção para a nova amiga? — questionei em tom debochado.

— Posso me dedicar mais a nossa amizade se você…

— Cala essa boca, Arthur! — Neguei com a cabeça. — Não farei isso!

Ergui a mão direita, dei mais um passo e quase caí.

— Está bêbada? — Entrou na minha frente e impediu-me de continuar. — Você não devia beber!

Eu ri da ironia, o Arthur bebe e pega todas as mulheres que vê pela frente e queria me dar lição de moral.

— E aí, brother! — Theo cumprimentou Arthur. — Estou com ela!

“Ai, não! Não acredito que esse ogro estava me seguindo.”

— Fala aí! — Arthur me deu as costas e se aprumou diante do outro homem um pouco mais alto do que ele. — A Bia é minha amiga! — Engrossou a voz.

— Sério? — Theo abriu um sorriso largo.

— Me espere aqui! — O meu amigo deu um passo atrás. — Eu vou pagar a consumação e te levar para casa. — Arthur sumiu no meio da multidão.

— Então o seu nome é Bia!

— Beatriz! — Ajeitei o meu suéter sobre o meu jeans azul.

— Você está bem, Beatriz? — indagou com um sorriso.

— Me deixe em paz!

Toquei no corrimão e comecei a subir os degraus da escada com certa dificuldade. Finalmente, eu estava na saída da boate, fiz sinal para um táxi que passou direto. As pessoas, que caminhavam pela rua, me olhavam de um jeito estranho. Cheguei mais perto e olhei pelo vidro do veículo do carro preto que se movia.

— Saía daqui, maluca! — A voz masculina me expulsou.

Andei pela calçada e pensei se deveria voltar para pedir carona ao meu amigo. Sacudi a cabeça, ele devia estar trepando com mais uma mulher que viu pelo caminho. Uma buzina estridente chamou a minha atenção. Aquele homem misterioso não desistia. Entrei no carro, o meu corpo estava cheio de calor e minha mente dizia: "vai lá garota, você precisa tirar essa teia de aranha! Pare de regular essa mixaria."

— Vamos para a — solucei — minha casa!

Na escuridão do quarto, a luz branda iluminava o corpo do homem que me observava. Eu estava só de calcinha e esperava que o homem misterioso se aproximasse da cama. Com delicadeza, ele chegou mais perto e tirou a roupa que me cobria, deixando-me completamente nua.

Senti a língua quente me provando, me contorci na cama. Ele sabia o que estava fazendo e não tinha pressa. Gemi com o toque delicado do dedo que entrava e saía. Eu queria que ele me penetrasse, que entrasse mais fundo e que se movesse até que eu estivesse totalmente satisfeita.

Eu me abri como uma flor que desabrocha e ergui meu quadril. Fechei os olhos logo que ele se debruçou sobre mim, tocou em minhas coxas e ergueu as minhas pernas. Naquele quarto mal iluminado, soltei um grito intenso quando ele entrou e me preencheu.

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