Ponto de Vista de Helena:
Minhas costas bateram em um pesado armário de madeira cheio de potes de vidro com ervas. Uma dor excruciante explodiu ao longo da minha coluna, aguda e cegante. Para uma Ômega como eu, a força de um Beta era avassaladora. Caí no chão, o ar expulso dos meus pulmões.
— Quem é o louco aqui? — ofeguei, me levantando, meu corpo gritando em protesto. — Você! Você é quem perdeu o juízo!
Minha voz subiu para um grito histérico.
— Você me fez um juramento diante da Deusa da Lua! Você me deixou sozinha, uma mera Ômega, para enfrentar o julgamento do Rei Alfa e as risadas de duas alcateias!
— Quando você se tornou tão irracional? — Bruno retrucou, seu rosto contorcido de raiva. — Você nunca foi assim!
— Eu nunca fui publicamente humilhada antes! — gritei.
— A cerimônia pode ser remarcada! — ele argumentou, gesticulando descontroladamente para Marina, que agora soluçava em suas mãos. — Minha reputação pode aguentar um atraso. A vida dela não! Ela estaria morta se eu não tivesse vindo!
Soltei uma risada amarga e quebrada. O som era feio, cheio de desespero. O truque barato de uma renegada, e ele havia caído completamente. Ele trocou minha honra por uma mentira.
Naquele momento, o último resquício de amor que eu tinha por ele morreu. Murchou e virou cinzas em meu peito. Um homem que não conseguia proteger a dignidade de sua própria companheira não merecia ter uma.
Uma calma estranha tomou conta de mim. Fiquei de pé, ereta, ignorando a dor latejante nas minhas costas. Olhei-o diretamente nos olhos, minha voz nivelada e fria como gelo.
— Bruno, nosso noivado está oficialmente terminado.
Virei-me e caminhei em direção à porta, sem olhar para trás. Eu não lhe daria mais um segundo da minha vida.
Quando cheguei à porta, ouvi a voz enjoativamente doce de Marina.
— Bruno, você deveria ir atrás dela...
E então a resposta dele, pingando arrogância e desdém.
— Deixe-a ir. Ela é apenas uma Ômega. Vai voltar chorando para mim em alguns dias.





