Não Sou Mais a Esposa Dócil: A Revanche

No dia seguinte, fui a um advogado.

Expliquei a situação de forma calma e metódica.

O advogado, um homem de meia-idade com olhos cansados, ouviu-me atentamente.

"Senhora, o seu caso é forte para um divórcio por culpa dele. A infidelidade emocional é difícil de provar, mas a negligência é clara."

"Eu não quero nada dele," disse eu. "Só quero sair disto."

"E a guarda da casa? Bens comuns?"

"Ele pode ficar com tudo. Eu só quero a minha liberdade."

Quando saí do escritório, o sol brilhava forte, magoava-me os olhos.

O mundo continuava a girar, indiferente à minha perda.

Fui ao cemitério.

A pequena campa do Leo estava coberta de flores frescas.

A minha sogra, Elvira, estava lá, de pé, vestida de preto.

Ao lado dela, estava a Sofia, a chorar delicadamente no seu ombro.

A Elvira estava a acariciar o cabelo da Sofia, a sussurrar-lhe palavras de conforto.

Elas não me viram aproximar.

"Não te preocupes, querida," dizia a Elvira. "O Pedro vai perceber que tu és a mulher certa para ele. Aquela Inês nunca foi boa o suficiente. Uma péssima mãe, olha o que aconteceu."

A Sofia fungou. "Mas o Leo... coitadinho. Eu sinto-me tão culpada."

"A culpa não é tua, minha querida. Tu tens um coração de ouro. A culpa é daquela mulher descuidada. O meu neto estaria vivo se ela tivesse um pingo de atenção."

Eu parei.

O meu corpo ficou frio.

Elas estavam a culpar-me, ali, em frente ao túmulo do meu filho.

E a minha sogra estava a consolar a amante do meu marido.

Dei um passo em frente.

O som dos meus sapatos na gravilha fê-las virar.

A Elvira olhou para mim com puro ódio.

A Sofia pareceu assustada, como um coelho apanhado pelos faróis.

"O que é que estás aqui a fazer?" perguntou a Elvira, a sua voz era um silvo. "Vens perturbar o descanso do meu neto?"

"Ele também era meu filho," respondi, a minha voz a tremer ligeiramente.

"Uma mãe que deixa o filho morrer não merece ser chamada de mãe."

A Sofia deu um passo em frente, a mão no peito. "Dona Elvira, por favor. Inês, eu sinto muito pela vossa perda."

"Tu não sentes nada," disse eu, olhando diretamente para ela. "Tu tens o meu marido. O que mais queres?"

Ela recuou, os olhos a encherem-se de lágrimas. "Eu nunca quis isto..."

"Mas tu aceitaste. Cada vez que ligaste, cada vez que precisaste dele, tu estavas a roubá-lo à família dele. Ao filho dele."

Virei-me para a minha sogra.

"E a senhora? A senhora é uma cúmplice. Sempre a protegeu, sempre a desculpou. A senhora ajudou a destruir a minha família."

"Como te atreves a falar assim comigo?" gritou a Elvira. "Tu és uma ingrata! Nós demos-te tudo!"

"Deram-me um marido ausente e um túmulo para visitar. Podem ficar com o resto."

Dei-lhes as costas e afastei-me.

Não olhei para trás.

As lágrimas que eu tinha segurado finalmente caíram, quentes e silenciosas, no meu rosto.

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