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Morro de Amores
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Morro de Amores

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Em Morro de Amores, Anne perde tudo e troca o luxo pela vida na comunidade. Neste romance de mafia novel, ela desafia a autoridade de João Gabriel, o chefe do local. Explore esta história intensa ao ler livros online sobre superação, poder e escolhas perigosas em um cenário modern.

Resumo de Morro de Amores

Após a morte do pai, Anne perde tudo ao ser expulsa de casa pela madrasta ambiciosa. Forçada a trocar o luxo de uma mansão pela realidade de um pequeno quarto na comunidade, sua vida sofre uma transformação radical. Lá, ela conhece João Gabriel, o temido Fortão, que aos 25 anos comanda o local com punho de ferro. Apesar de sua postura feroz, Anne desperta sentimentos profundos no jovem chefe, desafiando as barreiras de dois mundos opostos em uma intensa história de amor.
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Capítulo 1 de Morro de Amores

— Giulia, pelo amor de Deus, como assim? — Anne perguntou, sem acreditar no que tinha ouvido.

— Isso mesmo o que você ouviu. Eu não quero você nesta casa. Pode preparar as suas malas e sair da minha casa!

Giulia estava olhando para as próprias unhas recém manicuradas enquanto falava.

— Mas essa casa era do meu pai, era da minha mãe! — Anne se alterou, recebendo como resposta um tapa estalado no rosto.

Giulia a olhava com fúria.

— Você tem uma hora pra pegar as suas tralhas e sair daqui, sua fedelha nojenta! Essa casa é minha, tudo aqui é meu! — ela olhou para Anne com desprezo. — Sinta-se feliz por eu deixar você sair daqui com mais do que a sua roupa do corpo.

— Pra onde eu vou? — Anne perguntou, as lágrimas escorrendo pelo rosto, enquanto o segurava. Apesar de Anne não ser do tipo que abaixava a cabeça para tudo, ela havia acabado de perder o pai e ainda estava sem conseguir reagir a tudo ao redor dela. 

— Isso não é problema meu. Uma hora, é o que eu te dou — Giulia a olhou com desdém e um sorriso brincava em seus lábios. — Ou os seguranças te tiram daqui à força!

A mulher de cabelos longos bem cuidados virou as costas, pegou a bolsa dela e saiu, não sem antes dar instruções para que as malas de Anne fossem revistadas antes que a mesma fosse embora, a fim de que a menina não “roubasse” nada.

Anne caiu de joelhos no chão. Ela tinha perdido o pai e toda a fortuna dela. Não ficou nada e ela sabia que tinha algo de errado! Mas ela era apenas uma menina de 18 anos, que não entendia bem de certas coisas.

— Vem, querida. Eu te ajudo a fazer as malas — Dona Joana, a empregada da casa, sorriu gentilmente para Anne. — Eu tenho um lugar pra você ir, minha filha.

Anne concordou com a cabeça, ainda sem acreditar muito, e seguiu Dona Joana escada acima.

***** ***** ***** *****

— Ah, qual é, princesinha! Eu tenho certeza de que você vai se divertir! — Gabriela, uma morena muito bonita e com um sorriso mais do que simpático, disse para Anne.

— Gabi, eu não sou de festas, você sabe disso — Anne nunca foi festeira, e desde que tinha ido morar na comunidade, ela evitava ainda mais as festas. Ela tinha medo de se envolver com as pessoas erradas. — Olha, eu vou pensar, ok? Eu tenho que estudar e esse fim de semana eu trabalho.

— Tá bem, tá legal — Gabriela jogou as tranças para trás.— Mas faz um esforcinho, vai? É o meu aniversário, pô!

Anne sorri. Ela sabia que acabaria cedendo. Era o primeiro aniversário que ela passaria como amiga de Gabriela, e seria muita ingratidão não ir. Aquela moça foi a primeira desconhecida a lhe estender a mão.

Gabriela deu um beijo no rosto de Anne.

— Vou te esperar, viu? — Ela disse e jogou um beijo por sobre o ombro, antes de sair. 

Anne já estava vivendo ali na comunidade há alguns meses e ela ainda não havia ido a nenhuma festa sequer. Na verdade, as pessoas meio que a achavam estranha. Era bem claro que ela não era dali, não só pela aparência de “gringa”, mas também pela forma como ela falava e como ela se vestia. Eles a chamavam de “Princesinha”.

A moça achava aquilo cômico. A princesinha que morava num kitnet dentro da comunidade. Antes ela morava praticamente num palacete, agora, tudo o que ela possuía cabia dentro daquele espaço diminuto de menos de trinta metros quadrados.

No fim, Anne acabou concordando em ir para a festa de Gabriela. Seria ali mesmo, na comunidade, mas não seria exatamente um baile, já que era para poucas pessoas.

— Eu sabia!! — Gabriela quase gritou, levantando o copo de cerveja, enquanto abria os braços para receber Anne. Assim que agarrou a loira, ela a encheu de beijos.

— Eu não iria te desapontar desse jeito, né?

— Sério, Princesinha, você é demais! Vem, deixa eu te apresentar pra galera!

Gabriela era uma moça que conhecia muita gente, andava em vários círculos e, apesar de não ser usuária e nem vendedora de qualquer tipo de entorpecente, ela conhecia quem trabalhava “na boca”. Anne não queria conhecer aquelas pessoas, no entanto, ela não poderia se negar. 

“Dizer ‘oi’ não mata ninguém!”, ela disse para si mesma, enquanto seguia Gabriela. 

Anne falou com algumas pessoas, umas mais “normais”, como ela as classificava, e outras que ela notava serem um pouco mais “barra pesada”. Ela tentava se desconstruir do que  sempre tinha ouvido a respeito das pessoas de comunidade e ela já tinha aprendido e entendido muita coisa. No entanto, traficantes ainda eram algo que ela não conseguia aceitar.

Anne percebeu que a um canto, tinha uma mesa com umas pessoas estranhas. Gabriela percebeu que Anne viu os homens ali, rodeados de umas mulheres mais arrumadas ou, como falavam ali, “montadas”. O status daqueles homens era claramente diferente dos demais. 

— Aqueles ali são os caras, Anne.

Anne franziu a testa.

— Os caras? Como assim?

— Eles são os grandões daqui — Gabriela disse baixinho e deu um olhar significativo a Anne, que então compreendeu.

— Por que você chamou esse povo? — Anne perguntou, confusa.

Gabriela a olhou como se ela estivesse fazendo uma pergunta boçal.

— Amada, se eu não chamar, é como dizer abertamente que eu não gosto deles. Aqui você tem que entender que, se você os conhece de alguma forma, não convidá-los para as paradas é uma ofensa muito grave.

Anne mordeu o lábio, mas entendeu. Certas coisas eram do jeito que eram, ela gostando ou não.

O cheiro de maconha ali estava deixando Anne meio zonza. Ela detestava aquilo.

Normalmente, Anne não bebia. Ela não era chegada, por isso, estava só bebendo água e refrigerante na festa. As músicas começaram a ficar mais “atrevidas” conforme a hora foi avançando e ela sabia que ela tinha que ir embora. Anne tentou esperar pelo parabéns, mas ela sabia que não podia mais aguentar.

De repente, uma latinha de cerveja foi oferecida a ela. Anne nem sequer olhou quem estava oferecendo, mas ela sabia que era homem, pela mão máscula e cheia de tatuagens.

—Não, obrigada! — ela recusou, educadamente.

— Bebe — a voz era grossa, profunda e fez ela sentir um frio na espinha. Aquela pessoa não estava oferecendo nada a ela. Ele estava dando uma ordem. Ela, então, se virou para ver quem era.

O ambiente estava escuro, então ela não conseguia ver o rosto do homem perfeitamente, mas as luzes estilo boate, quando iluminavam o rosto dele, o faziam parecer misterioso, sexy. Ele tinha olhos claros e isso Anne conseguia ver. Bem como era cheio de tatuagens, inclusive no rosto, com uma lágrima abaixo do olho esquerdo. Os lábios eram cheios. Ele era, na opinião de Anne, muito bonito e extremamente charmoso, bem como perigoso.

Ela também reconheceu como uma das pessoas na mesa dos “grandões” por conta do boné que ele estava usando e que tinha chamado a atenção dela, mas ela não tinha se dado ao trabalho de olhar no rosto do dono do acessório. Anne não costumava olhar para as pessoas, por vergonha.

— Obrigada, mas eu não bebo, moço — Ela falou pausadamente e ofereceu um sorriso educado. O homem a encarou e deu um passo à frente.

— Vai desobedecer? — Ele perguntou e Anne engoliu em seco. Ela abriu a boca algumas vezes para responder, mas ela não sabia o quê, porque ele a estava intimidando.

— Ah, Fortão! Essa é a Anne — Gabriela disse, andando até eles. Ela viu Fortão se aproximando da moça e ficou preocupada. Fortão dificilmente chegava em uma mulher, era o contrário que acontecia. Então, ele devia estar ou interessado ou intrigado com Anne.

— Anne… — ele repetiu o nome dela. — Vem sentar na mesa, Anne.

— Sabe o que é? E-eu já tava de saída. Eu trabalho amanhã — ela falou com um leve tremor na voz e olhou de relance para Gabriela, claramente pedindo ajuda. — Mas muito obrigada pelo convite.

— Ela trab… — Gabriela se calou, pois Fortão levantou a mão, impedindo-a de falar.

— Eu não perguntei nada. Eu te disse pra sentar comigo, porra!

Anne sentiu o sangue lhe subir pela cabeça. Ela apertou os lábios e inspirou fundo. 

— Você… Tá me dando uma ordem, então? — Anne perguntou, estreitando os olhos para o homem alto na frente dela. Ela tinha 1,70, o que não era pouco, mas mesmo assim, ela não passava do ombro dele. E ela entendia o motivo do apelido. Ele era imenso. Não só para cima. O homem era musculoso.

— Tú é burra mesmo ou tá se fazendo? — ele perguntou e aquilo fez Anne apertar os pulsos, com raiva.

— Olha só… Eu não sou burra! Mas as pessoas não chegam dando ordens em estranhos, dessa forma!

— Anne… — Gabriela segurou no braço de Anne, para impedi-la de continuar. Anne nem tinha notado que a música tinha parado de tocar.

— Não, Gabi! — ela olhou para Gabriela e, então, para o tal Fortão. — Quem você pensa que é pra falar assim comigo? Nem o meu pai falava comigo desse jeito!

Fortão deu mais um passo na direção dela, agora, quase encostando no peito dela. Ele abaixou de leve a cabeça e Anne precisou focar no que estava acontecendo, em vez de se deixar perder nos olhos sedutores de Fortão.

— Eu sou o DONO dessa porra!

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