Maria Júlia-Maju
Olá meninas, sou Maria Júlia ou Maju como preferirem tenho 25 anos,vou contar um pouquinho da minha vida meu sonho sempre foi estudar me formar e construir uma família com o homem que eu amava só que nem tudo saiu como planejei,já que o homem que me jurou amor eterno me abandonou grávida até hoje não sei o motivo mas também isso já não me importa, fui obrigada a me casar com o homem que eu mais odiava ou era isso ou eles tirariam minha filha de mim, eu só tinha 17 anos não tive outra escolha, a não ser aceitar, hoje vivo em um casamento de aparência sou agredida fisicamente e psicologicamente diariamente,meus pais dizem que tenho que ser submissa ao meu esposo que ele sabe o que é bom pra mim,meus pais são evangélicos conservadores muito preconceituosos não aceitam ter uma filha divorciada,eles dizem que preferem me vê morta só pra vocês terem noção.
Minha filha hoje tá com 7 anos ela é minha vida suporto tudo por ela,depois de anos morando no interior de São Paulo voltei pro Rio o Cesar perdeu o emprego,meus pais estão morando na Rocinha e é aqui que estamos vivendo,sou infermeira conseguir uma vaga no pontinho aqui da favela,as coisas não estão fácil eu odeio meu casamento odeio o César, tenho nojo de mim que me submeto a essa vida.
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Morar aqui na Rocinha até que tá sendo bom, principalmente para a Isabella ela tá amando tudo aqui, ela estuda o dia todo, o colégio meu pai faz questão de pagar, preconceituoso do jeito que ele é, colocou ela em um colégio de granfino, diz ele que neta dele não se mistura com filho de bandido, como se aqui só morasse bandido, isso por que vive na igreja, dentro da igreja ele fala em salvação de perdão de julgamento ele é o primeiro a julgar a apontar os defeitos e erros das pessoas, tanto dos irmãos da igreja quanto os de fora, ele não é o único, a maioria são todos assim, mas sempre falo que ele é o pior.
Fiz amizade com uma menina no salão um amor de pessoa Carol o nome dela, no postinho a maioria me olham torto me acham metida, mas é só o meu jeito sou mais reservada, mas quando faço amizade, a história é diferente.
O César tá viajando, amo quando ele viaja são dias de paz, ele me liga todos os dias, como se eu quisesse sabe o que ele anda fazendo por lá, por mim nem voltava, o César me tem como um troféu, sempre me leva pra restaurantes, barzinho, praças e eventos só lugar chique, sai me mostrando a todos e faz questão de deixar bem claro que eu sou sua mulher, gruda igual carrapato me beija eu fico com nojo daquele homem, ele não é feio, ao contrário muito bonito, a Carol coitada quando viu ele a primeira vez disse que eu tive sorte, se ela soubesse o que passo nas mãos daquele ser, ele colocou na cabeça que um dia eu vou me apaixonar por ele, isso nunca vai acontecer.
Sempre que saímos quando voltamos é uma briga, aguento tudo calada sou agredida mesmo sem ter feito nada, se um homem me olha ele me bate diz que eu estou dando ousadia, ele quer que eu me arrume pra chamar atenção, e todos vê que eu sou dele, uma vez ele quebrou meu pulso por que um homem em um restaurante me cumprimentou e deu um beijo na minha mão, muitas vezes fui parar no hospital, o pior não era nem as agressões, o pior foi o depoimento da minha mãe dizendo que fomos assaltadas, isso aconteceu em São Paulo em uma das visitas que ela sempre fazia.
Ela faz questão de me lembrar que a guarda da minha filha está com eles, e se eu me separar eu nunca mais verei ela, eles conseguiram um laudo onde diz que não sou capaz de cuidar da minha filha. A única coisa que eu conseguir foi não deixei o César registrar a minha filha , pelo menos isso eles concordaram comigo, o César é daqueles crentes que tá com um pé na igreja e outro no mundo meu pai diz que é o homem certo pra mim, só eu sei o que aquele homem é capaz de fazer, tô juntando dinheiro pra fugir com a Bella, não suporto mais essa vida, se pelo menos eu tivesse o apoio dos meus pais.
__mãe, por que não posso estudar aqui?__estávamos voltando pra casa fomos comprar leite__tem um colégio bem aqui pertinho de casa__olho pra ela tentando achar uma resposta boa para dar.
__Amor, a mãe já te disse seu avô fez questão de pagar um colégio bom pra você.
__mas eu quero saber o por que gastar dinheiro se tem um colégio perto e de graça e bem aqui ao lado.
__Bella eu...
__meu avô mora aqui mas não gosta do pessoal daqui__ela para e me olha, arqueio uma sobrancelha enquanto ela me olha de cara fechada ela é minha cópia escrita, mas tem a personalidade do pai__ele disse que não posso falar com ninguém daqui que não devo me misturar com favelado__respiro fundo sem argumento__nem com as meninas da igreja posso brincar__fala emburra.
__filha, não vamos falar disso agora ok__volto a pegar na mão dela, ela só confirma com a cabeça__um dia vamos nos livrar disso tudo penso alto, ela enruga a testa sem entender o que eu quis dizer, continuamos caminhando quando já estávamos na rua de casa fogos foram lançados e logo se ouviam os tiros, aperto a mão da Bella e saio correndo em direção a nosso casa, entramos, fechei a porta respirando fundo, olho a minha filha, ela está muito assustada.
__vem meu amor, vamos pro quarto da mãe__deitamos em um colchonete no chão, fiquei tentando acalma-lá, os tiros eram longe mas mesmo assim é assustador, a Bella dorme depois de um tempo agarrada em mim.
Os tiros agora parecia que estavam mais próximos, ouço um barulho, parece que algo caiu, olho pra Bella que abre os olhos assustada, muito barulho e gritaria lá fora.
__Mamãe...
_shiiiiii não é nada...a mãe vai na cozinha vê o que caiu e pegar um copo com água, não levanta ok.
__não demora__me levanto e caminho pra fora do quarto os tiroteio está bem intenso lá fora.
__aí meu Deus..._grito levando a mão a boca quando vejo um homem ensanguentado caído no chão da minha cozinha,ele me olha e não sei o que fazer se eu correr ele pode me matar já que ele tá com uma arma em mãos.
__me ajuda aí mina...vai ficar parada aí, porra, essa merda tá doendo pra caralho__tô sem reação nenhuma,mas não posso deixar ele assim, me aproximo mesmo com medo, levanto a camisa vendo o ferimento.
__preciso limpar isso...consegue levantar sozinho?
_acho que consigo__ele se apoia no balcão e consegue ficar de pé..._essa meda tá doendo pra caralho tio, sem caô.
__sente-se aqui, vou limpar o ferimento, preciso estancar o sangramento pra poder tirar a bala, você tá perdendo muito sangue__ele não diz nada só se senta e tira a camisa, pego a maleta de primeiro socorros, lavo as mãos e coloco as luvas.__vai doer.
_pô mina não é a primeira vez que passo por isso não, pode continuar.
Faço todo o processo de limpeza e remoção do projetio ele aguenta firme, logo em seguida dou ponto no local.
_caralho, tu é médica mina?
__Enfermeira__falo guardando as coisa na maleta__trabalho no postinho.
__nunca te vir por aqui.
__me mudei faz pouco tempo..._ele me olha e depois sorrir, logo ele já estava me falando da vida que ele leva, vocês acreditam que o homem que está na minha casa nada mais é que, um dos traficantes mais procurados do país, é pouco ou quer mais, a polícia tá lá fora querendo a cabeça dele e, ele veio se abrigar na minha casa, é o meu fim.





