Minha Luna se tornou uma Alfa depois que a rejeitei

Os olhos de Amelia se abriram, e uma luz branca ofuscante surgiu diante dela.

Ela piscou uma, duas vezes... antes de fixar o olhar no teto.

Ela estava num quarto de hospital. O cheiro asséptico, o silêncio, as paredes brancas... tudo isso a atingiu como um soco no estômago.

"Amelia", disse uma voz familiar num tom suave.

Virando a cabeça, ela viu Tracy, sua melhor amiga, sentada na beira da sua cama.

"Tracy...", ela chamou com a voz rouca, "O que está fazendo aqui? Onde está Eva?"

Os olhos de Tracy se encheram de tristeza, e ela olhou para Amelia como se olhasse para alguém que estivesse quebrado, indefeso e com o coração partido.

Foi então que a ficha caiu.

Eva...

De repente, as lembranças invadiram Amelia como uma onda avassaladora.

A febre de Eva, o sangue, o hospital, o monitor cardíaco parando...

Sua filha estava morta.

Amelia ofegou, perdendo o fôlego enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto.

"Alguém envenenou minha filha, Tracy. Alguém matou minha filha...", ela sussurrou com a voz embargada.

Suas mãos se agarravam aos lençóis do hospital, os nós dos dedos brancos de tanta força.

"Ela... ela adorava aquela comida. Eu mesma a preparei para ela. Como ela pôde ter sido envenenada?"

"Você precisa se acalmar, Amelia. Você está grávida. Por favor, não se estresse", disse Tracy num tom gentil, colocando suas mãos sobre as dela.

Os olhos de Amelia se arregalaram para ela.

"Como sabe que estou grávida?", ela perguntou, sua voz ainda trêmula.

"O médico me disse", respondeu Tracy.

Nesse momento, um pensamento repentino tomou conta de Amelia.

"Aiden sabe?"

Tracy balançou a cabeça lentamente. "Não, ele não sabe. Ele foi embora antes de os resultados dos exames saírem. Foi ele quem me ligou e pediu para eu ficar com você."

Ele foi embora?

Ela acabara de perder a filha, e seu marido não pôde nem ficar para segurar sua mão?

Pensando nisso, mais lágrimas surgiram nos seus olhos, e sua garganta se apertou.

Ela havia perdido tudo num único dia: sua filha, seu marido, seu casamento. Tudo se desfez num piscar de olhos.

"Preciso falar com Aiden", ela murmurou e afastou os lençóis de repente, suas pernas tremendo enquanto ela se levantava.

"Ele não pode se divorciar de mim. Ele precisa saber que estou carregando o filho dele. E eu não envenenei Eva. Eu jamais faria uma coisa dessas com minha própria filha. Precisamos descobrir quem fez isso, Tracy. Quem matou minha filha... precisa pagar", disse ela, sua voz se quebrando novamente.

"Amelia, espere...", Tracy chamou, mas Amelia já estava saindo pela porta.

Tracy soltou um longo suspiro, balançando a cabeça.

Amelia sempre foi teimosa, desde a faculdade.

Quando Tracy chegou à entrada do hospital, Amelia já havia ido embora.

Após sair do táxi, Amelia parou em frente ao Salão da Matilha, com o coração batendo forte.

Aiden precisava ouvi-la, e tinha que acreditar nela. Talvez... talvez se ela contasse a ele sobre o bebê, ele finalmente a escutaria.

Respirando fundo, ela entrou, e os membros da matilha se curvaram em respeito.

Não importava o que eles dissessem, ela ainda era a Luna.

Após entrar no elevador, Amelia subiu até o quinto andar.

Do lado de fora do escritório dele, ela parou, vendo que a porta estava ligeiramente aberta.

Quando ela estava prestes a bater, ouviu vozes.

Aiden e... uma mulher...

Sofia...

Através da pequena fresta, Amelia viu Sofia sentada na mesa de Aiden com um vestido curto, rindo baixinho de algo que ele disse. A cena fez seu estômago se revirar.

"Não acredito que ela envenenou minha filha. Ela poderia ter me envenenado também. Eu a odeio. Só quero que ela assine os papéis do divórcio", disse Aiden, sua voz fria e marcada pela dor.

O coração de Amelia se despedaçou.

Como ele pôde achar que ela envenenaria a própria filha?

Lágrimas embaçaram sua visão.

"Tem certeza de que ela vai assinar?", perguntou Sofia, seus olhos arregalados com uma falsa preocupação.

"Ela não terá escolha. Depois, faremos a cerimônia de rejeição. Vou rejeitá-la", disse ele sem rodeios.

Mais lágrimas escorreram pelo rosto de Amelia.

"Mas você não a ama?", perguntou Sofia.

"Não se engane. Não sinto nada por ela."

Sofia abriu um sorriso, tocando o ombro dele.

"Eu sabia que ela era malvada. Quando ela for embora, finalmente poderemos ficar juntos."

Aiden não respondeu.

"Aiden?", ela chamou. "Você me ouviu?"

"O quê?", ele perguntou, como se estivesse saindo de um transe.

"Eu disse que finalmente poderemos ficar juntos quando ela sair de cena", repetiu Sofia docemente.

Aiden acenou com a cabeça.

Isso já era o suficiente.

Amelia abriu a porta e entrou.

Aiden e Sofia se viraram, atônitos.

"Você não deveria estar no hospital?", perguntou Sofia baixinho.

"O que quer, Amelia?", Aiden perguntou friamente, se levantando da cadeira. Seu rosto não demonstrava emoção, apenas frieza.

"Preciso falar com você, Aiden. Por favor", disse ela, engolindo em seco e se forçando a não chorar na frente de Sofia.

"Você não tem nada a dizer. Você envenenou Eva. Minha filha está morta por sua causa!", ele gritou.

"Eu não a matei! Eu jamais envenenaria minha filha...", ela exclamou, sua voz trêmula.

Aiden zombou: "Quem preparou a comida que ela comeu?"

"Fui eu, mas..."

"Isso é tudo o que preciso saber. Você preparou a comida e a envenenou. Saia do meu escritório."

"Aiden, eu não... eu..."

"Você o ouviu. Vá embora", disse Sofia com um sorriso presunçoso, a interrompendo.

Os punhos de Amelia se cerraram.

Ela se virou para Sofia, a fúria queimando nos seus olhos.

"E quem é você para falar assim comigo? Isso é entre mim e meu marido. Fique fora disso."

Sofia abriu um sorriso. "É o que diz a mulher que matou a própria filha. Você não merece ser a Luna, nem a esposa de Aiden."

Antes que alguém pudesse piscar, Amelia lhe deu dois tapas.

O som ecoou pelo escritório.

"Não fale assim comigo nunca mais. Ainda sou a Luna, e você não tem esse direito."

Os olhos de Sofia se encheram de lágrimas falsas, e ela olhou para Aiden em busca de compaixão.

"Saia, Amelia", disse ele friamente.

"Aiden..."

"Eu disse SAIA!", ele gritou, batendo o punho na mesa.

Amelia se encolheu. Com a garganta doendo, ela acenou com a cabeça lentamente e se virou.

Antes que a porta se fechasse atrás dela, ela viu Aiden puxar Sofia para seus braços, acariciando os cabelos dela enquanto ela "chorava" no seu peito.

A dor no peito de Amelia foi insuportável.

Ele acreditou em Sofia... Ele escolheu Sofia...

De volta em casa, Amelia se manteve firme apesar da dor.

Após chamar todas as empregadas da casa, ela ficou diante delas, seus olhos vermelhos, mas determinados.

"Quem envenenou minha filha?", ela perguntou, num tom baixo, frio e ameaçador.

As empregadas se curvaram, todas tremendo.

Ninguém respondeu.

"Quem serviu a comida que preparei?"

Octavia deu um passo à frente.

"Fui eu, Luna. Juro pela minha vida que não a envenenei. Estou com você e com o Alfa Aiden desde antes de Eva nascer. Eu jamais a machucaria."

Amelia olhou nos olhos dela por um bom tempo, não vendo nenhuma mentira.

Octavia estava dizendo a verdade.

Mas alguém havia envenenado sua filha, tirando seu anjo dela.

Amelia iria descobrir quem foi e fazê-los pagar.

Continua...

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