Minha Ex-Esposa Sem Piedade: Consequências Inesperadas

Dois dias depois, tive alta do hospital.

O meu irmão mais novo, Leo, veio buscar-me. Ele olhou para o meu rosto pálido e para os meus olhos vazios, e os seus próprios olhos encheram-se de lágrimas.

"Mana..." ele começou, mas não conseguiu continuar. Ele apenas me abraçou com força.

"Estou bem, Leo," eu disse, afagando-lhe as costas. "Estou melhor do que nunca."

Quando chegámos ao apartamento que eu partilhava com o Miguel, a porta estava destrancada.

Lá dentro, encontrei o caos. Roupas espalhadas, pratos sujos na cozinha. E no nosso quarto, na minha cama, um vestido de mulher que não era meu.

Era um vestido caro, do estilo que a Clara gostava.

Ao lado, na mesinha de cabeceira, um frasco de comprimidos para a dor com o nome dela.

Ele trouxe-a para a nossa casa. Para a nossa cama.

O Leo viu o meu olhar e o seu rosto ficou vermelho de raiva. "Aquele desgraçado! Eu vou matá-lo!"

"Não," eu disse, a minha voz firme. "Não vamos sujar as nossas mãos. Vamos fazer isto da maneira certa."

Passei a tarde seguinte a fazer as malas. Não as minhas coisas, mas as dele.

Coloquei todas as roupas, sapatos, livros e objetos pessoais do Miguel em sacos de lixo pretos. Cada item era uma memória, uma promessa quebrada. Esvaziei o apartamento de qualquer vestígio dele.

Quando terminei, havia uma pilha de sacos de lixo junto à porta.

O Leo observou-me em silêncio, a sua preocupação a transformar-se em admiração.

"O que vais fazer agora, Sofia?"

"Vou contratar um advogado," eu disse, pegando no meu telemóvel. "O melhor advogado de divórcios da cidade."

O nome que me veio à mente foi Rafael Costa. Uma lenda nos tribunais, conhecido pela sua abordagem implacável e pela sua taxa de sucesso de cem por cento.

Diziam que ele era caro, mas eu não me importava. O meu pai tinha-me deixado uma herança considerável, um fundo que eu nunca tinha tocado, pensando que o guardaria para o futuro da minha família.

Bem, o futuro tinha mudado.

Consegui uma consulta com o Rafael para a manhã seguinte.

Quando o Miguel finalmente chegou a casa, já era noite. Ele abriu a porta e parou, olhando para os sacos de lixo.

"O que é isto?" ele perguntou, confuso.

"São as tuas coisas," eu disse, sentada no sofá, com uma chávena de chá nas mãos. "Podes levá-las quando saíres."

Ele olhou para mim, a confusão a dar lugar à raiva. "Sofia, já chega desta estupidez. Eu disse-te, a Clara precisava de mim."

"E eu disse-te," respondi, olhando-o diretamente nos olhos, "que quero o divórcio. O meu advogado entrará em contacto contigo amanhã."

Ele riu, uma risada amarga e desdenhosa. "Advogado? Tu não tens dinheiro para um advogado decente. Vais voltar a rastejar para mim dentro de uma semana, a implorar para te aceitar de volta."

"Veremos," eu disse calmamente.

A arrogância dele era espantosa. Ele realmente acreditava que eu não era nada sem ele, que a sua família era o meu único apoio.

"Sai da minha casa, Miguel."

"Tua casa?" ele zombou. "Esta casa é nossa!"

"O apartamento está em meu nome. Foi comprado com o dinheiro do meu pai. Legalmente, é meu. Agora, sai."

A expressão dele mudou. Pela primeira vez, vi um vislumbre de incerteza nos seus olhos. Ele não esperava isto.

Ele pegou num dos sacos, resmungando maldições, e saiu, batendo a porta com força.

Fiquei sozinha no silêncio do apartamento. Não senti tristeza. Não senti perda.

Senti apenas o começo de algo novo. Uma batalha. E eu ia ganhá-la.

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