Meu marido me pediu para ser testemunha do seu casamento?!

Depois daquele dia, Adrian começou a sentir que algo estava errado.

Evelyn estava calma demais — tão calma que isso o deixava inquieto.

Ela não deixava mais uma luz acesa para ele quando ele chegava tarde em casa, nem deixava uma refeição pronta à espera. Ela parou de atualizá-lo sobre todos os detalhes dos cuidados com Vanessa. Mesmo quando ele mencionava os preparativos do casamento, ela apenas ouvia, sem oferecer qualquer opinião.

Aquele silêncio o incomodava mais do que a antiga obediência dela jamais havia feito.

Como se algo, em algum lugar que ele não podia ver, estivesse silenciosamente desmoronando.

Movido por uma mistura de culpa e o desejo de corrigir as coisas, Adrian desviou o caminho para casa e comprou o bolo de assinatura de morango com matcha de uma confeitaria boutique famosa por suas filas intermináveis.

Ele se lembrava de que Vanessa gostava daquele bolo.

Quanto ao que Evelyn gostava? Ele franziu a testa, pensando por um momento, mas não conseguiu lembrar de nada.

Ela sempre havia seguido as preferências dele.

Talvez... ela também gostasse de doces.

Ele empurrou o bolo em direção a ela, com o tom deliberadamente suavizado. "Eu trouxe isso para você. Sobre o estúdio no outro dia... Eu deveria ter te avisado antes. Só achei que o casamento não poderia acontecer sem fotos da noiva e do noivo. Eu tomei a decisão rápido demais e não pensei em como você se sentiria. Foi erro meu. Não leve isso para o coração."

Evelyn olhou para a delicada sobremesa — os morangos de um vermelho vibrante e o matcha de um verde intenso, como uma pintura.

Ela não gostava de doces. E odiava ainda mais o amargor do matcha.

No primeiro aniversário dela depois de casados, ele havia trazido para casa um bolo Floresta Negra. Ela se forçou a comer, mas passou a noite inteira doente, vomitando.

Ele provavelmente já havia esquecido disso há muito tempo.

"Quando o casamento com Vanessa acabar," Adrian acrescentou quando ela não respondeu, "eu te levarei para fazer uma sessão de fotos de casamento de verdade. Depois, faremos uma viagem. Você não disse uma vez que queria ver a aurora boreal? Que tal um casamento em um destino especial, como uma cidade gelada famosa por suas paisagens?"

Os dedos de Evelyn tremeram ligeiramente.

A aurora boreal.

Era um sonho que ela havia mencionado há muito tempo, quase como um comentário casual.

E o casamento que ele havia prometido a ela...

Ele se lembrava.

Seus lábios pálidos se entreabriram, as palavras quase escapando — talvez ela nem tivesse um futuro.

Mas o celular dele vibrou no bolso. Ele olhou rapidamente, sua expressão mudando ligeiramente — era a cuidadora do hospital.

Ele atendeu imediatamente, a voz tensa. "O que aconteceu? Vanessa está se sentindo mal de novo? Tudo bem, estarei aí imediatamente!"

Ele desligou, pegou o casaco e falou rapidamente para Evelyn: "Vanessa está com uma leve febre e não está estável. Preciso ir vê-la. Por favor, coma o bolo, tá bom?"

Antes mesmo de terminar de falar, ele já estava na porta.

Então, era isso que ele lembrava.

"Adrian." Evelyn o chamou.

Ele se virou, franzindo a testa, uma mão ainda na maçaneta, com toda a postura impaciente.

Evelyn olhou para o rosto dele — tão familiar, mas ao mesmo tempo tão distante — e para a preocupação em seus olhos por outra mulher. As palavras ficaram presas na garganta dela.

Será que ele se lembrava de que ela odiava doces? Odiava matcha?

Se fosse ela quem estivesse doente, ele ficaria?

Ela já sabia a resposta.

"Dirija com cuidado." No final, foi tudo o que ela disse, com o olhar baixo.

Adrian pareceu surpreso por um segundo, como se não esperasse aquilo. Ele murmurou um vago "tá bom" e saiu apressado.

A porta se fechou, cortando todo o som. O silêncio tomou conta da sala.

Evelyn abriu lentamente a caixa do bolo. O aroma doce a atingiu de uma vez.

Ela pegou a pequena colher de plástico, tirou uma mordida e colocou na boca.

Como esperado, seu estômago revirou.

Ela correu para o banheiro e sentiu-se mal, até que precisou se apoiar na pia.

Ela ligou a torneira, observando o vermelho desaparecer e ser levado pela água.

No espelho, seus olhos estavam fundos, seu corpo abatido.

Não importava.

Ela pensou.

Faltavam três dias para o fim de tudo. Logo tudo acabaria.

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