LEILOADA AO DONO DO MORRO

No entanto, o complexo do Castelo representava o verdadeiro prêmio daquela guerra. Um território estrategicamente perfeito, com rotas de escoamento privilegiadas, distribuição de material de altíssima pureza e pontos de venda que geravam um faturamento financeiro muito superior a qualquer rede de joalherias de luxo do asfalto.

O grande problema era que aquele império estava completamente desestruturado.

O controle estava nas mãos de um sujeito incompetente conhecido pelo vulgo de Sombra. Um líder meramente decorativo, que se limitava a receber a sua porcentagem nos lucros e consumia o próprio produto da firma dentro da base de operações, permanecendo em um estado constante de entorpecimento. Ele estava tão alienado da realidade que simplesmente esqueceu uma das regras mais fundamentais da nossa organização: a estrutura se sustenta através da disciplina rígida. E se tem algo que carrego em excesso na minha conduta, é a disciplina.

O líder máximo da cúpula entrou em contato comigo através de uma ligação telefônica extremamente curta e direta:

— "Ou você assume o controle definitivo daquele território de uma vez por todas, ou darei a ordem para incinerar toda aquela estrutura. Não tenho mais tempo nem paciência para lidar com lideranças fracas."

Na semana seguinte àquela conversa, desembarquei no complexo do Castelo acompanhado por apenas sete homens da minha total confiança. Somente os indivíduos mais letais e impiedosos da minha equipe.

Na primeira noite da nossa incursão, destruímos completamente o portão principal da base de operações utilizando munição pesada. Encontramos os sentinelas locais totalmente despreparados e sob o efeito de substâncias químicas. Efetuei disparos contínuos contra as paredes da estrutura até que não houvesse mais qualquer tipo de resistência armada por parte dos homens do Sombra.

No segundo dia de ocupação, capturei o gerente geral da contabilidade daquele grupo e o amarrei com cabos de aço diretamente na grade de proteção da escola pública local, localizada no centro da comunidade. Metade dos moradores e dos pequenos comerciantes assistiu, em um silêncio aterrorizado, aquele homem perder a vida implorando por clemência enquanto o sangue escorria pelo concreto.

— "A partir deste momento, as brincadeiras e a negligência estão permanentemente encerradas neste lugar. Este território agora responde diretamente ao meu comando. As regras mudaram" — anunciei através do sistema de som da comunidade.

Na terceira noite da operação, saí pessoalmente à caça do Sombra. Ele havia buscado refúgio em um barraco precário nos limites da favela, pertencente a uma de suas amantes. Encontramo-lo em uma situação deplorável, completamente despido, com vestígios de entorpecentes espalhados pelo rosto e trêmulo de pavor.

Arrombei a porta de madeira com um chute violento. Ele tentou levantar as mãos em um gesto desesperado de rendição.

— "Mantenha a calma, meu irmão... Nós pertencemos à mesma bandeira..."

Irmão é o caralho.

Desferi um golpe violento com a coronha do fuzil diretamente contra a face dele, fazendo com que desabasse no chão como um inseto atingido por veneno.

— "Você quebrou o compromisso com a organização. Você faltou com o respeito diante da liderança. A sua punição será morrer como um animal encurralado."

Forcei o Sombra a ficar de joelhos, mantendo-o naquela situação humilhante. Demonstrei o meu total desprezo cuspindo diretamente em seu rosto antes de posicionar o cano do armamento. Efetuei um único disparo, direcionado cirurgicamente para o interior da sua boca, calando de forma definitiva todas as desculpas que ele pretendia pronunciar.

Na manhã seguinte, ordenei que todos os integrantes da comunidade, desde os pequenos revendedores até os moradores mais antigos, se reunissem no campo de futebol de areia da localidade.

— "A liderança absoluta agora pertence a mim, Taurus. A partir de hoje, qualquer sinal de deboche ou desobediência resultará em eliminação imediata. Quem cogitar a hipótese de trair a firma vai terminar os seus dias dentro de um tambor de metal carbonizado."

Fiz questão de transformar as minhas palavras em realidade imediata diante de todos. Identifiquei um jovem distribuidor que estava retendo parte dos lucros das vendas para benefício próprio. Forcei o sujeito a cavar a sua própria cova no terreno arenoso sob o sol escaldante. Em seguida, ordenei que o recruta mais jovem da minha equipe efetuasse o disparo de execução, para que aquele adolescente compreendesse desde cedo o peso e o preço da lealdade ao crime.

A comunidade silenciou completamente. Os moradores passaram a trancar as portas e janelas de suas residências ao menor sinal da minha aproximação. O complexo do Castelo passou a ser de minha propriedade exclusiva, conquistado não através do diálogo, mas sim através do uso legítimo da força bruta, do poder do fuzil e do medo generalizado. E desde aquele período, exerço o controle absoluto. E exerço com total maestria.

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