Forever

Após algumas semanas eu recebi a notificação da premiação do concurso de fotografia, pela terceira vez consecutiva eu era a vencedora, sorri de ponta a ponta da orelha e fui até a o banco para resgatar meu prêmio.

Na volta passei no hospital para visita-la.

- Senhorita Lívia! Mas que bela surpresa.

Exclamou o Dr. Roger, médico responsável pelo tratamento de minha irmã menor, senti uma pontada de culpa ao me lembrar que eu não havia respondido nenhuma das mensagens dele, na verdade eu o ignorava a meses, ele fazia tanto por minha irmã, e era tão gentil comigo, então será que eu estava sendo muito errada em não dar uma chance a ele? Suspirei pesado e me voltei para ele sorrindo, tentando mandar para longe aqueles pensamentos.

- Oi, Dr. Roger.

- Eu já disse que pode me chamar apenas de Roger, sem formalidades, não disse?

Corei, sem graça, eu sabia por que ele estava sendo tão gentil e isso fazia com que eu me sentisse ainda pior.

Porém, logo voltei a vestir a minha armadura, sendo gentil ou não, ele estava fazendo o trabalho dele e eu devia me concentrar em arrumar dinheiro para custear o tratamento de Penélope, então ele teria que entender que o romance precisava esperar, eu só esperava que ele fosse maduro o suficiente para não confundir as coisas.

- Sim, você disse, e bom na verdade eu vim para ver em quanto está a minha dívida.

- Lindsey reclamou esses dias, mas não se preocupe... Ao que depender de mim, jamais deixarei sua irmã sem tratamento.

- Eu sei, mas não poderá segurar as pontas sempre... A clínica não vai perdoar minha dívida todas às vezes.

- Conseguiu algum dinheiro?

- Cerca de 50 mil... Eu sei que não cobre tudo, mas será que com esse valor podem segurar as coisas?

- É claro que sim! Mas, aceitaria um conselho?

- Diga...

- Arrume um emprego fixo, sua dívida cresce devido aos juros pelo atraso de pagamento, dessa forma nunca conseguirá dar a volta... Se tiver um emprego fixo, conseguirá estipular um valor por mês e facilitará as coisas.

- Eu estou tentando, juro que estou, mas fotografia não é bem uma área que oferta muitas vagas, talvez eu precise desistir disso de vez e pensar sobre o conselho que me deu em alguma outra área de atuação.

- Eu compreendo, quer talvez visitar sua irmã agora? Assim você relaxa um pouco e pensa sobre o que conversamos.

Ele disse fazendo um carinho em meus ombros, me senti acolhida, porém eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu seria cobrada, se não por ele, por algum outro superior da clínica e eu não fazia ideia de como poderia resolver tudo.

- Sim! Por favor...

Penélope minha irmã tinha nascido com uma doença degenerativa nos ossos, e estava internada à cinco anos na clinica Longevittá, única especializada naquele tipo de doença.

Eu olhei ela do vidro e ela sorriu para mim, acenando freneticamente, mesmo sendo uma criança muito doente Penélope nunca foi de se queixar, as vezes choramingava por ter que colher sangue ou fazer infeções, vivia me perguntando quando iriamos para casa, mas isso tudo era normal, perto de tudo que ela já tinha passado, porém eu não tinha resposta para essa última pergunta, na maioria das vezes eu tentava enrolar ou desconversar mudando de assunto, mas ela estava crescendo e logo eu teria que ter uma conversa séria com ela sobre isso, não tinha condição de eu leva-la para casa, sem o cuidado que ela tinha ali na clinica ela poderia se machucar com muito mais facilidade, sem falar que eu jamais conseguiria dar conta de estar com ela 24 horas por dia e ainda custear o tratamento, na verdade eu já não estava conseguindo assim imagina de outra forma.

Penélope estava internada desde os três anos de idade naquela clinica, aquele lugar já tinha se tornado seu lar, nossa mãe tinha falecido a alguns anos e o pai de Penélope e meu padrasto, nos abandonou assim que soube da doença da menina, ou seja, eu estava sozinha para cuidar dela, ela era tudo que eu tinha, e eu era tudo que ela tinha.

Entrei, sorri para ela e me aproximei da cama.

Ela estava mais magra que o normal, parecia fraca, mas ainda assim sorriu de volta animada.

- Oi meu amor, como se sente?

- Mana! Você veio me ver... Fazia tempo que não vinha, onde esteve?

Lembrei-me da tragédia que tinha sido minha semana anterior, quando por estupidez minha eu quase havia me matado em um barco, sem remos e sem gasolina, respirei fundo engolindo a raiva e a vergonha que tinha de mim mesmo, o rosto do rapaz bonito, porém nada gentil, se formulou involuntariamente, e eu abanei a cabeça jogando tudo no passado.

- Trabalhando meu amor, eu precisava conseguir dinheiro para o seu tratamento, desculpe se a mana se ausentou.

- Tudo bem, irmã, eu entendo, apenas fiquei com saudades... Você conseguiu o dinheiro? As tias não vão mais me mandar embora?

- Consegui querida, consegui um pouquinho, mas deve ser o suficiente, não se preocupe.

Ela encheu os olhos de lágrimas.

- Eu não queria ter nascido doente, isso não é justo! Se eu fosse saudável você não precisaria trabalhar! Dou tanto trabalho para você, deve ter sido por isso que o papai me abandonou!

Eu a abracei com força.

- Não fale isso! Nunca mais, entendeu? – Eu disse olhando para ela e a segurando pelos ombros. – Eu amo você e você nunca será um trabalho para mim, você é minha irmã e eu te amo do jeitinho que você é, se o Celso nos abandonou é porque ele foi covarde, e quer saber mais? Ele não sabe a preciosidade que ele perdeu! Você é a melhor irmã que eu poderia ter!

- Mas por minha causa você vive trabalhando!

- Penélope querida, a vida dos adultos é essa mesmo, não há muitas opções, mesmo que você estivesse em nossa casa e indo a escola, mesmo que morasse comigo, e tivesse uma vida saudável, ainda assim eu teria que trabalhar... Nada mudaria...

Ela fez um beiço, porém logo se desarmou e pareceu me entender se desculpando.

Assim que saí do quarto de Penélope eu me senti exausta, cada dia que passava eu sentia que a perdia cada vez mais, meu sonho era tirá-la dali e cuidar dela em casa, oferecer um tratamento alternativo, onde ela pudesse levar uma vida normal, porém a cada dia que passava esse sonho se tornava, mais e mais distante.

Cheguei a recepção e pedi para ver a conta, fiquei em pedaços, Roger tinha toda razão a dívida só fazia crescer mais e mais, passei a mão nos cabelos nervosa e alcancei discretamente o pacote com o dinheiro para a secretária que me olhava de cima abaixo como se me medisse.

- 50 mil? Sua dívida é bem maior que isso.

- Eu sei, porém é o que eu tenho para hoje, será que conseguem segurar ela por mais alguns dias, prometo conseguir mais, assim que possível.

A mulher suspirou olhando de canto como se eu estivesse pedindo alguma esmola, será que ela tinha família? Tinha filhos? Deus, ela muita maldade.

- Ok, vou ver o que posso fazer.

- Obrigada.

Eu disse me retirando de cabeça baixa, “aonde eu conseguiria mais dinheiro”? Eu estava começando a ficar sem opções.

A dívida estava em $ 87.000 dólares, com os 50.000 que eu tinha dado agora ainda restavam 37.000, que deveriam ser pagos antes que o juros voltasse a subir, era um valor muito alto.

Assim que alcancei a saída desmoronei nas escadas da clínica à chorar, eu precisava conseguir mais dinheiro, caso contrário eles a mandariam para um hospital público onde eu sabia que não havia tratamento para ela.

A casa onde morávamos tinha sido deixada por minha mãe antes de morrer, não era das piores, porém estava longe de ser aconchegante, talvez se eu vendesse alguns móveis conseguisse arrecadar o dinheiro restante, fechei os olhos pensando sobre o assunto e nesse mesmo minuto como se minhas preces fossem ouvidas meu telefone tocou.

- Alô?

- Boa tarde, por gentileza Lívia Raught?

- É ela...

- Nossa! Sua voz me parece tão familiar, sou Margareth Thompson Hammer, da editora de revistas de turismo Hammer.

- Sua voz também, me parece conhecida, porém não estou lembrada apenas pelo nome, deve ser impressão, no que posso ajudá-la?

- Querida, estou ligando para marcarmos um almoço, estou muito interessada em seu trabalho, vi recentemente que recebeu um prêmio em fotografia muito renomado, aliás, já é a terceira vez que leva o troféu para casa, parabéns!

- Sim, fui a ganhadora três anos consecutivos da Adventury Photograf, muito obrigada.

- Excelente, se importa se marcarmos um almoço para sexta feira então? Adoraria saber mais sobre você!

- Claro!

Respondi animada, a mulher agradeceu parecendo satisfeita e desligou, eu nem conseguia acreditar no que estava acontecendo, isso não parecia real, isso mais parecia um sonho, eu tinha realmente uma entrevista de emprego! Deus, minha sorte estava finalmente mudando!

Continuar Lendo
Leia a Novel Completa em Moboreader
UDesbloquear Todos
Abrir o Site Oficial
Chapters
Customize

Você pode gostar

Logo
Seu guia para os melhores dramas curtos online. Prévias gratuitas, informações completas do elenco e links para plataformas oficiais — tudo em um só lugar.
©2026 PinesDramas Todos os direitos reservados