Brian assentiu ligeiramente. "Pode dizer."
Rachel respirou fundo, recompondo-se. "Se, depois de dois anos, você ainda não estiver disposto a reconhecer nosso relacionamento, irei embora sem fazer alarde. Tudo o que peço é que não me impeça quando eu decidir te deixar."
"Tudo bem. Concordo."
No momento em que as palavras saíram dos lábios dele, uma sensação inquietante tomou conta dela - um pânico silencioso e sem forma, como uma tempestade que se formava num horizonte distante.
"Ótimo," ela sussurrou, cerrando os dedos.
Dois anos. Esse era o limite que ela havia se imposto.
Desde os quinze anos, ela o amava - oito longos anos de dedicação, perseguindo uma sombra na esperança de receber um pouco de afeto.
Mais dois anos, e completaria uma década.
Era tempo suficiente para abalar as convicções mais firmes e corroer até os corações mais inflexíveis.
Se, até então, ele ainda não conseguisse amá-la, ela se afastaria e lhe daria a liberdade que ele nunca precisou pedir.
Mas, no fundo, ela rezava para que esse dia nunca chegasse, para que nunca tivesse que se afastar da vida que havia construído ao lado dele.
...
Assim que Brian saiu para o trabalho, o telefone de Rachel tocou. Vendo que era a avó de Brian, ela atendeu rapidamente.
"Rachel, você está de folga hoje? Venha para casa o mais rápido possível. Mandei preparar seus pratos favoritos esta manhã!" A voz calorosa e familiar de Carol White ecoou do outro lado da linha.
Rachel não pôde deixar de sorrir. "Tudo bem, estarei aí em breve."
Após um retoque rápido na maquiagem, ela saiu imediatamente.
Ao chegar à propriedade da família White, ela saiu do carro, mas de repente, o mundo começou a girar, e uma onda de tontura a invadiu.
O motorista ao seu lado reagiu rapidamente, segurando-a. "Cuidado. Você está bem?"
Rachel exalou lentamente, recuperando o equilíbrio. "Devo ter me levantado rápido demais. Às vezes, minha glicemia tende a cair, mas não é nada grave."
Mesmo assim, ela sabia que não estava muito bem de saúde ultimamente. Talvez as noites mal dormidas estivessem cobrando seu preço.
Com o casamento se aproximando, ela precisava começar a se cuidar melhor.
Ao entrar na ampla sala de estar, os olhos de Rachel foram direto para Debby.
"Olá, Debby", ela cumprimentou, mantendo um tom neutro.
Debby, que nunca escondia o desprezo que sentia por ela, apenas a olhou de relance antes de zombar: "Você sabe que Carol te convidou para almoçar, não sabe? Veja a hora - a pontualidade claramente não é seu ponto forte."
Sua voz era fria, cada palavra carregada de desprezo.
Rachel baixou o olhar, sem saber o que dizer.
Nesse momento, um calor suave envolveu sua mão.
Carol, apoiada em sua bengala, segurou os dedos de Rachel e se virou para Debby com uma expressão suave, mas firme. "Rachel sempre foi atenciosa. Se ela se atrasou, tenho certeza de que não foi intencional. Além disso, o almoço ainda nem está pronto, então como ela pode estar atrasada?"
Ao ouvir essas palavras, Rachel sentiu um nó se formar em sua garganta, e sua visão embaçou ligeiramente. Ela nunca havia conhecido o amor de mãe, já que a sua mãe morreu na mesa de cirurgia no dia em que ela nasceu.
E quanto ao seu pai? Frio e distante, ele não valia a pena ser mencionado.
O único afeto verdadeiro que ela já conheceu veio de Carol, a avó de Brian.
Sem ela, Rachel talvez nunca soubesse como era ser amada.
Debby bufou de irritação. "Ela já é uma mulher adulta. Você não pode ficar mimando-a para sempre."
A expressão de Carol se endureceu ao lançar uma repreensão feroz: "Vou protegê-la enquanto eu viver. Quem ousar intimidá-la terá que se entender comigo primeiro, e prometo que ninguém terá paz se tentar."
Com uma autoridade gentil, ela levou Rachel até a cadeira ao seu lado. "Venha aqui, querida. Sente-se comigo."
Debby ficou remoendo seu descontentamento, paralisada pela raiva contida. A proteção feroz de Carol não deixava espaço para discussões, forçando-a a reprimir sua frustração crescente. Um ciúme amargo fermentava dentro dela - depois de décadas na família White, Carol nunca havia lhe demonstrado tanto carinho.
No entanto, Rachel, só porque se parecia com a filha falecida de Carol, recebia um amor incondicional.
Como Debby não se sentiria desprezada?
A situação se agravava ainda mais considerando que seu filho estava se casando com uma filha ilegítima. A injustiça de tudo isso queimava dentro dela.
Durante a refeição, o humor de Debby ficou sombrio ao ver que Carol enchia o prato de Rachel com carinho.
"Você deve estar trabalhando demais ultimamente. Você emagreceu tanto. Por favor, coma mais. Se Brian não estiver cuidando bem de você, é só me dizer que vou dar um jeito nele", disse Carol, notando a palidez de Rachel.
Nesse momento, a frustração de Debby transbordou. "Para que serve toda essa comida? Eles estão juntos há anos e não há sinal de um filho."
Rachel continuou comendo em silêncio.
Ela entendia a ansiedade deles por um neto e ela mesma ansiava pela maternidade, mas Brian permanecia relutante.
Carol lançou um olhar de advertência para Debby, mas ela continuou se defendendo: "Só estou dizendo a verdade. Eles estão juntos há muito tempo, e sei que a saúde do meu filho está perfeita. Outras mulheres engravidam em semanas, mas depois de um ano, ainda nada. Você já poderia ter um bisneto se ele estivesse com outra mulher."
As palavras de Debby atingiram Carol em cheio.
Mais tarde, na varanda ensolarada, Carol tocou no assunto com delicadeza enquanto segurava a mão de Rachel.
"Minha querida, agora estamos só nós duas. Não precisa esconder nada. Se houver algum problema de saúde, a medicina moderna oferece muitas soluções. Dinheiro não é um problema para nossa família."
O coração de Rachel se encheu de emoção.
Emocionada, ela abraçou Carol com força. "Por favor, não se preocupe. Estou perfeitamente saudável."
Ao ouvir isso, Carol se assustou. "Então... Brian não consegue..."
"Não, não!" Rachel interrompeu rapidamente, os olhos arregalados. "Brian é completamente saudável. É só que nós..."
Nesse momento, a compreensão raiou nos olhos de Carol. "Ah. Brian quer esperar, não é?"
"Sim", Rachel confirmou suavemente. "Ele diz que quer aproveitar nosso tempo juntos primeiro e esperar até que minha saúde melhore."
"Sempre o defendendo... Ele não está te maltratando, está?"
Rachel mostrou seu pulso, exibindo uma pulseira elegante. "Olhe o que ele me comprou!"
"Que maravilha, querida."
Naquela tarde, o novo chef preparou sobremesas deliciosas.
Os olhos de Rachel se iluminaram ao prová-las. "Carol, tem mais?"
"Tem sim. Está pensando em Brian, não está?", perguntou Carol com um sorriso.
Rachel corou. "Sim... ele adora doces. Gostaria de levar alguns para ele."
O rosto de Carol se suavizou com carinho. "Vá em frente, querida!"
Quando Rachel chegou ao escritório de Brian, ele estava em uma reunião.
Não querendo incomodá-lo, ela deixou as sobremesas e se virou para sair.
"Rachel!" De repente, uma voz familiar soou atrás dela.
"Tracy?" Rachel se virou, surpresa com o encontro inesperado.





