Finalmente, Eu Escolho a Mim

No dia do meu aniversário de casamento de três anos, meu marido, Léo, e eu fizemos uma reserva no nosso restaurante favorito.

Mas quando cheguei, ele não estava lá.

Em vez disso, vi a minha irmã mais nova, Sofia, sentada no seu lugar, com os olhos vermelhos e inchados.

Ela parecia ter chorado.

"O que aconteceu? Onde está o Léo?" perguntei, a minha voz cheia de preocupação.

Sofia fungou e não respondeu diretamente, apenas empurrou um relatório médico na minha direção.

"Irmã, o meu bebé não pode nascer sem um pai."

Fiquei confusa. "O que queres dizer com isso?"

"Estou grávida," disse ela, com a voz trémula, "É do Léo. Nós... não queríamos que isto acontecesse."

Senti como se o ar tivesse sido sugado dos meus pulmões. Olhei para o relatório. O nome de Sofia estava claro, e a data da gravidez indicava que tinha sido concebida há mais de dois meses.

O meu telefone tocou nesse exato momento. Era o Léo.

Atendi, a minha mão a tremer.

"Ana," disse ele, a sua voz soava distante e cansada. "A Sofia já te contou?"

"Léo, o que está a acontecer?" a minha voz falhou.

"Sinto muito, Ana. Foi um erro. Eu estava bêbado, e a Sofia estava a consolar-me porque tínhamos discutido. Uma coisa levou a outra... Mas agora ela está grávida. Não posso deixar o meu filho sem pai."

As suas palavras eram calmas, como se estivesse a declarar um facto inevitável.

"E quanto a nós?" perguntei, o meu coração a afundar. "E o nosso casamento?"

Houve uma pausa do outro lado da linha.

"Ana, sê razoável. A Sofia precisa de mim agora. O bebé é inocente."

"Razoável?" repeti a palavra, sentindo uma onda de raiva fria. "Tu traíste-me com a minha própria irmã e pedes-me para ser razoável?"

"Eu sei que é difícil, mas é a melhor solução para todos. Podemos divorciar-nos amigavelmente. Eu assumirei a responsabilidade."

Ele desligou antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa.

Olhei para a minha irmã. Ela estava a chorar abertamente agora.

"Irmã, por favor, não odeies o Léo. A culpa é minha. Eu amo-o. Eu sempre o amei, mesmo antes de vocês se casarem."

A sua confissão não me trouxe dor, apenas um nojo profundo.

Levantei-me, a minha cadeira arrastou-se ruidosamente no chão silencioso do restaurante.

"Fiquem juntos, então," disse eu, com a voz vazia de emoção. "Vocês merecem-se um ao outro."

Virei-me e saí do restaurante, deixando-a para trás com as suas lágrimas e o seu relatório de gravidez.

Lá fora, o ar da noite estava frio. Parecia limpar um pouco a minha cabeça.

Divórcio. A palavra ecoava na minha mente. Era a única opção.

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