Ex-esposa Rejeitada? Uma Nova Rainha Nasce!

Quando abri os olhos, o cheiro a desinfetante invadiu-me as narinas, forte e avassalador. O meu corpo doía, uma dor surda e profunda que vinha do meu útero vazio. O meu filho, que eu carregara durante nove meses, já não estava lá.

A minha mãe, Joana, estava sentada ao meu lado, o seu rosto pálido e marcado pela preocupação. Ela segurava a minha mão com força.

"Eva, querida, finalmente acordaste."

A sua voz era um sussurro rouco.

Olhei para o teto branco do hospital, tentando processar tudo. A memória do acidente de carro era um borrão de metal a contorcer-se e o som agudo de pneus a chiar. O outro carro tinha passado um sinal vermelho.

Eu estava a caminho da maternidade para a minha última consulta. Estava tão perto.

Peguei no meu telemóvel com a mão a tremer. Precisava de ligar ao meu marido, o Miguel. Ele precisava de saber.

O telemóvel dele chamou, chamou, chamou. Quando finalmente atendeu, o barulho de fundo era de música alta e risos.

"Eva? O que se passa? Estou um bocado ocupado agora."

A sua voz soava irritada, distante.

"Miguel, eu... eu sofri um acidente. Perdi o bebé."

As palavras saíram com dificuldade, cada uma delas um peso na minha garganta.

Houve um silêncio do outro lado da linha, que durou apenas um segundo. Depois, ouvi a voz da minha cunhada, a Sofia, a rir ao fundo.

"Miguel, querido, quem é? Anda cá, vamos cortar o bolo!"

A voz do Miguel voltou, apressada e sem qualquer emoção. "Olha, Eva, agora não posso falar. A Sofia está a celebrar o noivado, é uma noite importante para ela. Já chamei um táxi para ti. Fica aí, não te mexas."

E desligou.

Fiquei a olhar para o telemóvel, incrédula. A celebrar o noivado. O meu mundo tinha acabado de ruir, e ele estava a celebrar.

A minha mãe tirou-me o telemóvel da mão, o seu rosto uma máscara de fúria.

"Aquele desgraçado. Como é que ele se atreve?"

As lágrimas que eu estava a segurar começaram a cair, silenciosas e quentes. Eu não tinha perdido apenas o meu filho, tinha perdido a ilusão de um marido, de uma família.

O bebé era a única coisa que nos mantinha juntos. Tentámos durante anos. Ele era o nosso milagre. E agora, tinha desaparecido.

A decisão formou-se na minha mente, clara e fria como o gelo.

"Mãe," disse eu, a minha voz surpreendentemente firme. "Eu quero o divórcio."

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