Entre seu ódio e amor

O choro alto e lamentoso de Neil ecoou por toda a mansão, deixando a família Griffin extremamente irritada.

"Quando esse pirralho vai parar de chorar?", perguntou Tracy Griffin, revirando os olhos com impaciência. "Ele é um lixo inútil, igual à mãe morta dele. Que irritante do caralho."

Melanie franziu a testa. "Mãe, não se lembra? Neil é filho da Lyla. O que ele tem a ver com aquela mulher desprezível?"

Os olhos de Tracy se arregalaram. Ela cobriu a boca rapidamente, percebendo o que dissera, e olhou ao redor. Felizmente, não havia mais ninguém por perto. "Quando o Ramon vem buscar você e o pirralho?"

"Já está a caminho, mas o Neil não quer ir conosco", respondeu Melanie.

Entre dentes cerrados, Tracy retrucou: "Pois bem, ele não para de chorar. Arraste-o para fora e dê uma surra, para que aprenda o lugar dele."

"Nem pensar. Se me virem batendo numa criança, imagine o que vão dizer! Mesmo que o Ramon não goste da Ximena, o Neil ainda é filho dele."

Apesar de não gostar do menino, Melanie sabia que ele era o único filho de Ramon e que sua família contava com ele para conquistar o favor dos Mitchell. Se quisesse ficar com Ramon, ainda precisaria usá-lo como trunfo.

Por ora, poderia poupá-lo. Se não se comportasse no banquete de aniversário, lidaria com ele depois.

Enquanto Melanie e Tracy conversavam, Neil conseguiu escapar pela janela do quarto no andar de cima...

De repente, um barulho alto ecoou pela mansão, e todos se assustaram.

"Que barulho foi esse?", perguntou Melanie, apreensiva.

Como se respondesse à pergunta, os guardas lá fora começaram a gritar: "O Neil caiu do prédio!"

O rosto de Melanie empalideceu na hora. "O quê? O Neil caiu?!"

Mal saiu correndo, sua atenção foi atraída por um menino deitado numa poça de sangue. Era Neil.

"O Ramon está vindo buscá-lo! O que eu faço?!", gritou Melanie em pânico.

Naquele momento, dois faróis brilhantes surgiram à distância: o comboio da família Mitchell se aproximava da mansão dos Griffin.

A família olhou para Neil, imóvel na poça de sangue, paralisada de medo. Ninguém sabia o que fazer.

Melanie sentiu o suor frio escorrer pela testa, suas mãos trêmulas. Apesar do pavor, reuniu coragem para correr e parar o comboio, colocando-se bem à sua frente.

"Ramon, aconteceu uma coisa! O Neil caiu da janela!"

Imediatamente, o comboio parou e o pânico tomou conta de todos.

Mal viu Ramon, lágrimas brotaram nos olhos de Melanie.

"Não sei como aconteceu. O Neil insistiu em se trancar no quarto; nunca imaginei que fosse tão descuidado a ponto de cair. Sinto muito, Ramon. A culpa é toda minha. Não cuidei direito dele e —"

"Onde ele está?" Ramon a interrompeu, sem lhe dar outra chance. Sua voz estava carregada de pura raiva.

As mãos ainda trêmulas, Melanie apontou para Neil, coberto de sangue e imóvel.

Os olhos de Ramon ficaram injetados de sangue quando agarrou Melanie pela gola e gritou: "Se algo acontecer com ele, você vai pagar!"

Os olhos de Melanie se arregalaram, em choque. O medo foi tanto que as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.

Ignorando tudo, Ramon levou Neil às pressas para o hospital.

O diretor do hospital não perdeu tempo, permitindo que Ramon entrasse com o filho. Neil estava gravemente ferido e precisava de cirurgia imediata. Felizmente, muitos médicos estavam de plantão naquela noite. No entanto, devido à influência dos Mitchell, o diretor decidiu que uma médica renomada, contratada a peso de ouro no exterior, realizaria a cirurgia.

"Doutora Griffin, seu paciente hoje é um menino de três anos. É o único filho do senhor Mitchell, então tenha extremo cuidado durante a cirurgia. Precisa ser bem-sucedida a qualquer custo", exigiu o diretor. "Caso contrário, a morte dele trará sérios problemas ao hospital."

Ximena amarrou o cabelo com indiferença antes de olhar os resultados do raio-X. "Claro, farei o possível para salvar qualquer paciente, seja quem for. Mas espere... senhor Mitchell? Qual?"

"Ramon Mitchell, o homem mais poderoso de Fairedge. Você deve ter ouvido falar dos Mitchell, não?"

Ela cerrou os punhos instintivamente. Mesmo de máscara, a expressão de espanto em seu rosto era evidente. Não esperava encontrar Ramon tão logo após começar a trabalhar naquele hospital. Mas o mais importante: como ele poderia ter um filho?

"O Ramon tem um filho?", perguntou Ximena, surpresa.

"Sim, um menino. Tem três anos.", confirmou o diretor, acenando. "Não lhe falei da situação da criança agora mesmo?"Ximena arqueou uma sobrancelha.

"A ex-mulher do Ramon já faleceu. De onde veio essa criança? Se fosse filho dela, já teria quatro anos."

"O menino é filho da Lyla Griffin. Pouco depois que a ex-mulher do Ramon faleceu, há quatro anos, a Lyla recuperou a consciência. Um ano depois, deu à luz um filho, Neil Mitchell. O menino acabou de fazer três anos."

Ao ouvir aquilo, Ximena sentiu uma pontada aguda no peito. O brilho em seus olhos se apagou no instante em que percebeu que o menino era filho de Lyla.

Ela deixou o avental cirúrgico sobre a mesa e olhou para o diretor. "Senhor, sinto muito, mas não posso realizar essa cirurgia."

Os olhos do diretor se arregalaram. "Por quê? Você acabou de prometer! Por que não pode?"

"Acabei de voltar do exterior e não estou me sentindo bem. Peça ao doutor Young que faça a cirurgia", respondeu Ximena, tentando se acalmar.

Ela não era uma pessoa complacente. Operaria qualquer um, menos o filho de Lyla.

Dito isso, Ximena se virou e saiu. Imediatamente, o diretor saiu atrás dela.

Enquanto isso, Ramon aguardava ansioso do lado de fora da sala de cirurgia pela médica. A demora fez sua raiva atingir o limite.

Quando soube que a cirurgiã-chefe queria desistir, não conseguiu mais se conter e ordenou que os seguranças a seguissem e a confrontassem.

A tensão pairou no ar enquanto Ximena permanecia imóvel no corredor silencioso.

Sentiu um olhar gelado nas costas, perfurante como uma lâmina. Tinha quase certeza de que, se saísse agora, o homem ali atrás não hesitaria em lhe dar uma lição.

Mas e daí?

Há quatro anos, ligara para Ramon inúmeras vezes, e ele se recusara a vê-la pela última vez. E agora, apesar de tudo, ele queria que ela salvasse o filho?

Que ridículo!

Tomada pela raiva, o corpo de Ximena tremeu ligeiramente. Mal se virou, seus olhos encontraram o olhar feroz de Ramon. Ele estava igual a antes: arrogante e insensível. Ela havia esquecido o quanto amara aquele homem outrora. Naquele momento, tudo o que sentia por ele era puro ódio.

"Senhor Mitchell, não estou me sentindo bem hoje, portanto não poderei operar seu filho. Não se preocupe, o doutor Young é um cirurgião experiente. Vou procurá-lo agora", declarou ela com frieza.

Ao ouvir sua voz, o coração de Ramon deu um salto.

Um lampejo de surpresa apareceu em seus olhos enquanto ele caminhava lentamente em direção à mulher, o olhar fixo nela.

Ela usava uma máscara que cobria quase todo o rosto. Apesar do cheiro de desinfetante no ar, Ramon percebeu um odor vago e familiar vindo dela.

"E se eu insistir para que você faça essa cirurgia hoje? O que fará?", exigiu Ramon.

Mal terminou a frase, seus seguranças cercaram Ximena.

A respiração de Ximena se acelerou enquanto franzia a testa e cerrava os punhos. "Não farei essa cirurgia, não importa o que diga. Pode até me matar, mas nada mudará."

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