Entre o dever e o desejo: O Guarda-costas da CEO

Ponto de Vista de Leyla

— Que inferno! — A voz de Sultan entrou em meus ouvidos.

Deitada na cama do hospital, eu continuei de olhos fechados, por sorte o vidro do meu carro era blindado, levei apenas um tiro de raspão na perna esquerda.

— Você é um incompetente!

Achei que ele só estava brigando com um dos gerentes da empresa. Abri os olhos levemente e tive um rápido vislumbre de Sultan. Ele estava observando o soro.

— Como está a minha neta?

Fechei os olhos rapidamente.

— Senhor Osman! — Sultan forçou simpatia. — Ela já está fora de perigo.

— O delegado está investigando, — disse o meu avô, — ele informou que foi uma tentativa de execução,

— Acredito que foi uma tentativa de assalto, ela saiu com o Porsche vermelho e o senhor sabe como a sua neta é dispersa no volante.

— Por que ela estava dirigindo sozinha?

— A sua neta é arisca, está seguindo os mesmos passos da mãe dela.

Eu me controlei para não voar no pescoço de Sultan. Aquele imbecil me enervava.

— O que é essa marca arroxeada?

Eu senti a mão áspera do meu avô tocando o meu braço. Tentei resistir, mas quando a dor aumentou, instintivamente, eu puxei.

— Foi um hematoma do acidente, — a voz de Sultan falhou.

Aquele sonso não teve coragem de contar a verdade. Ele causou aquele hematoma quando me prendeu para me punir pela madrugada.

— Com licença, senhores! — Uma voz feminina desconhecida entrou em meus ouvidos. — O senhor é o marido?

— Sim, — tinha acidez em sua voz quando respondeu.

— Vamos deixar a paciente em observação por alguns dias, mas Leyla está respondendo bem ao tratamento.

Fiquei animada por passar uns dias longe dele e imagino o quanto ele ficou feliz com essa notícia também. Seria a oportunidade perfeita para Sultan passar mais algumas noites com a amante.

— Infelizmente, ela perdeu o bebê!

— Leyla estava grávida? — A voz do meu avô parecia consternada.

— Não sabia, senhor Osman! — Sultan tentou se redimir da culpa.

Eu também não sabia da gestação, a minha regra estava atrasada há algumas semanas, mas pensei que fosse devido ao estresse gerado pelo trabalho e pelas atitudes grotescas de Sultan.

— Não se preocupe, logo, vocês poderão tentar de novo, — a médica falou.

Nem que o inferno congelasse, eu ia querer engravidar novamente daquele crápula. Estava mais do que na hora de lutar pelos meus direitos e sair daquele casamento fadado ao fracasso.

— O senhor quer tomar chá? — Sultan convidou o meu avô.

Era óbvio que ele queria desviar a atenção da minha pessoa, mas aquilo já não importava. Como eu disse antes, Osman Aydin estava morto desde o dia que ele me deixou aos cuidados de um marido violento e abusivo.

— Tem uma cafeteria aqui no hospital.

— Eu não quero chá! — O meu avô recusou o convite. — Temos que agilizar os trâmites para o traslado do corpo de Nadiye.

Senti o nó se formando na garganta, não pude evitar a lágrima que caiu no canto dos meus olhos. Ela era tudo o que eu tinha, era como uma mãe. Nadiye queria tanto fugir comigo, parecia que ela estava pressentindo que algo ruim estava para acontecer. Quando escutei o ruído da porta fechando, forcei para abrir as pálpebras. O contato da luz halógena, que pendia sob meu rosto, incomodou os meus olhos marejados por lágrimas.

Levantei o tronco, suportando a dor em meu abdômen e costas. Retirei o acesso do soro do braço e puxei o cobertor, descobrindo as minhas pernas. O ar gelado açoitou as minhas costas. Eu estava usando aquele avental frente única que deixa o bumbum e as costas de fora.

Arrastei-me pela cama até meus pés encontrarem o piso vinílico gelado. Uma dor lancinante na perna enfaixada obrigou-me a parar. Com as mãos apoiadas nas costas da cama de hospital, eu tentei reunir forças para sair daquele hospital.

Alguma coisa estava me dizendo que Sultan estava envolvido no atentado. O coração acelerou quando a porta abriu novamente e minha visão ficou turva. Antes do meu corpo tombar no chão, senti braços fortes me envolvendo. Pelo aroma refrescante do perfume, eu tive certeza de que não era o Sultan.

Forcei para abrir as pálpebras rapidamente e então observei o belo par de olhos azuis brilhantes, a barba emoldurava-lhe o rosto quadrado, os cabelos dele eram curtos e castanhos. Cerrei os olhos, acreditando que aquele era um anjo me levando para longe daquele inferno.

— Senhora, Aydin! — A voz enrouquecida foi a última coisa que ouvi antes de mergulhar na escuridão.

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