Em Nossas Mãos

JULIETE CASTRO

Meu Deus que homem louco, é só o que vem à minha mente. Eu perdi o controle da bicicleta e desci a rua como uma louca descontrolada, e acabei caindo... ou melhor atropelando, esses dois homens, e agora estou sendo sacudida por um deles que berra em italiano comigo, e pelo tom de voz, ele deve estar me xingando e muito.

- Larga a garota, fratello!

O outro falou, calmo, o que me sacudia parou, mas não me soltou. 

- Desculpa meu irmão, bella mia, ele ainda não aprendeu bons modos diante de una ragazza bellizima!

Ele falou com um sotaque italiano simplesmente lindo, aliás ele é lindo de verdade, muito alto, acho que passa dos dois metros, tem ombros largos, forte, mas não muito musculoso, bronzeado e com um sorriso lindo. Jesus que homem... pensei encarando ele.

Eu não sabia o que fazer, estou morta de vergonha, que humilhação não saber andar de bicicleta e ainda atropelar não só uma, como duas pessoas.

- Me desculpem? Por favor, me desculpem? - minha voz saiu tremula devido a vergonha, o susto e o pavor que esse bombado à minha frente me causou.

- Desculpa o caramba! Você trabalha para os nossos inimigos, veio se aproximar de nós com esse rostinho de anjo para nos confundir!

- O que?! - falei ao olhar para esse outro que gritou comigo, sem entender o absurdo que esse cara me falou, que merda de inimigos são esses?

- Para de ser paranoico, irmão - o cara muito lindo fez o outro – que também é lindo e extremamente forte, me soltar. - Se machucou, bella mia?

- Ahh... eu estou bem, eu sinto muito de verdade, sinto muito.

Eu não sabia onde enfiar a minha cara de tanta vergonha e para ajudar, Aria se aproximou de mim e chorava de tanto rir.

- Eu filmei, eu filmei tudo! -  Aria ria apontando para seu capacete que tinha uma câmera embutida.

- Eu vou te matar, Ariane! – eu falei furiosa.

- Desculpa senhores a bebezona aqui, não sabe andar de bicicleta!

- Cala a boca Ariane! – eu devia estrangular ela.

O gostoso que me sacudiu começou a rir e eu olhei furiosa para ele.

- Qual é a graça? – eu falei o encarando séria. 

- Quem não sabe andar de bicicleta? Minha sobrinha de seis anos sabe andar de bicicleta! 

O idiota ria feito uma hiena, senti meu rosto esquentar de raiva e vergonha.

- Eu não sei e não é da sua conta! - levantei minha bicicleta, que vou jogar no lixo, olhei para os dois gatos à minha frente.

- Desculpa ter atropelado vocês, se não se machucaram, já vou indo!

- Almoça com a gente, bella mia? - o mais a tatuado deles perguntou.

- O que?! – eu e o bombado falamos juntos.

- É pazza? Non conosciamo nemmeno suo, fratello - o bombado falou ao tatuado.

-Ma voglio incontrarla, fratello! - O tatuado respondeu, eu fiquei olhando de um para o outro e puta merda, eles são sexys demais falando em italiano, muito mesmo.

Senti um calor estranho entre minhas pernas só de ouvi-los conversando entre si, achei os dois gostosos demais. Afastei os pensamentos rapidamente, eu nem conhecia esses dois e já sentia esse calor estranho.

- Sborra, pensa solo a testa bassa! 

- Guarda questo angelo biondo e dimmi, si ai pensato la stessa cosa?

- Nemmeno, fratello (Não mesmo, irmão)!

- Quindi pela prima volta, non sarema interessaria alla stessa ragazza! 

 - Non o detto che non ero interessato a lei, fratello!

- Quindi non perdiamo tempo e lasciamoci tutto per noi!

- Siamo fidanzati, te ne sei dimenticato, fratello?!

- É solo um affare do mafia, so che questa ragazza é nostra.

- Bom eu não faço ideia do que estão falando, e parece ser importante! desculpa mais uma vez, tchau! - eu tentei passar e o tatuado barrou minha passagem. 

- Calma, bella mia almoce conosco! - o tatuado disse me lançando um largo sorriso, e fiquei uns instantes perdida naquele lindo sorriso.

- Nós aceitamos, mesmo não tendo sido convidada, eu me convido!

Eu olhei para Arie, ela estava querendo levar um soco, só pode.

- Claro que está convidada, signorine! - o tatuado sorriu polido, para Ariane, eu cruzei os braços. 

- Sinto muito, estou ocupada, não posso ir!

- Ocupada com o que? Coçar o saco, que você não tem, o dia todo?

- Arie, cala a boca!

- Por favor, bella mia, nos compense o atropelamento, com sua companhia no almoço! - o tatuado se aproximou de mim, e eu dei um passo para trás. 

- É só um almoço garota, anda logo, para de frescura, piccola strega! – o bombado falou e revirei os olhos, é um gato gostoso, mas um idiota.

- Vamos Julie! Já estou faminta quero almoçar!

- Não queria vir fazer exercício? Agora quer ir comer? Não pedalamos nem meia hora!

- E você quase matou duas pessoas nesse pouco tempo, não quero mais correr riscos!

Os dois italianos riram e eu senti aquele calor me invadir de novo.

- Vamos, bella mia! - o tatuado chamou e eu suspirei, podem ser dois loucos tarados, mas a culpa por tê-los atropelado falou mais alto.

- Ok, vamos então! - falei, por fim, ajeitando a minha roupa e vi que o tatuado me olhou atentamente, parecia me despir com os olhos, cheguei até a ficar envergonhada pelo jeito que me olhava. 

Ele era muito bonito, mas também assustador, não tanto quanto o bombado que realmente é um monstro de grande e pavoroso.

- Que bom que aceitou, bella mia, estamos de férias e precisamos de alguém que nos mostre os melhores lugares para se conhecer por aqui! - o tatuado falou.

- Nossa, conheço um monte de lugares, inclusive eu e a Julie vamos à uma boate hoje à noite, é aniversario de um amigo nosso, vocês poderiam ir! - Ariane falou enquanto entrávamos, eu resmunguei e concluí que ela realmente precisa ser morta no tapa hoje!

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