Ele Me Perdeu: As Consequências de Suas Escolhas

As palavras da minha sogra são como sal na minha ferida aberta.

O Pedro não diz nada para me defender. Ele apenas fica ali, com uma expressão de frustração, como se eu fosse a fonte de todos os problemas.

"Mãe, não diga isso," ele finalmente murmura, mas a sua voz não tem força.

"Porque não? Estou a dizer a verdade!" A sua mãe vira-se para ele. "Pedro, tu trabalhas tanto, e quando chegas a casa, ainda tens de lidar com o mau humor dela. E agora isto. É por causa dela que eu perdi o meu neto!"

Eu olho para o Pedro, à espera que ele diga alguma coisa. Que ele diga que não foi minha culpa. Que ele me defenda.

Ele permanece em silêncio.

O meu coração, que já estava partido, parece estilhaçar-se em mil pedaços.

"Chega," eu digo, a minha voz surpreendentemente firme. "Eu quero o divórcio."

A minha sogra ri-se alto.

"Divórcio? Achas que alguém te vai querer? Uma mulher que nem sequer consegue ter filhos? Devias agradecer por o meu filho ainda estar contigo."

"Eu não preciso que ninguém me queira," eu respondo, olhando diretamente para ela. "Eu só não vos quero mais a vocês."

Viro-me para o Pedro.

"Amanhã, os meus advogados entrarão em contacto contigo."

A sua expressão muda de frustração para choque, e depois para raiva.

"Eva, estás a falar a sério? Vais deitar fora o nosso casamento por causa de um mal-entendido?"

"Um mal-entendido?" Eu repito, incrédula. "Tu deixaste-me a sangrar em casa para ires consolar outra mulher. Isso não é um mal-entendido. É uma escolha."

"A Sofia precisava de mim!" ele grita.

"E o teu filho também!" eu grito de volta, as lágrimas finalmente a escorrerem pelo meu rosto. "O nosso filho precisava do pai, e tu não estavas lá!"

O quarto fica em silêncio. Apenas o som dos meus soluços ecoa.

A minha sogra parece perceber que foi longe demais. Ela tenta suavizar o tom.

"Eva, querida, acalma-te. Todos estamos chateados com a perda do bebé. Não tomes decisões precipitadas."

Mas é tarde demais. A decisão já foi tomada.

Eu enxugo as minhas lágrimas com as costas da mão.

"Por favor, saiam. Eu quero ficar sozinha."

Pedro hesita, depois olha para a sua mãe. Ela encolhe os ombros e sai do quarto.

Ele fica parado por mais um momento, como se quisesse dizer alguma coisa. Mas no final, ele apenas se vira e sai, fechando a porta atrás de si.

Sozinha no quarto silencioso, eu abraço os meus joelhos e choro livremente. Choro pelo meu bebé perdido. Choro pelo meu casamento desfeito. Choro pela pessoa ingénua que eu costumava ser.

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