Ele Fez a Sua Escolha, Eu Fiz a Minha

"Ana, o bebé está a mexer-se tanto hoje," eu disse, acariciando a minha barriga de nove meses.

Sentei-me no sofá, a olhar para o meu telemóvel.

O Pedro não tinha respondido a nenhuma das minhas chamadas ou mensagens durante todo o dia.

Uma sensação de inquietação crescia dentro de mim, tão forte como os pontapés do bebé.

A minha mãe, a Lúcia, saiu da cozinha com um prato de fruta cortada.

"Ele deve estar ocupado no trabalho, querida. Os arquitetos têm sempre prazos apertados."

Ela colocou o prato na mesa à minha frente.

"Come um pouco. Faz bem a ti e ao bebé."

Tentei sorrir, mas o meu rosto parecia tenso.

Peguei num pedaço de maçã, mas não consegui comer.

Liguei para o Pedro outra vez.

Desta vez, a chamada foi diretamente para o correio de voz.

O meu coração afundou-se. Ele desligou o telemóvel.

"Mãe, algo não está bem," eu disse, a minha voz a tremer ligeiramente.

"O Pedro nunca desliga o telemóvel."

A minha mãe suspirou e sentou-se ao meu lado, colocando um braço reconfortante à volta dos meus ombros.

"Não penses demasiado, Ana. Talvez a bateria tenha acabado."

Mas ambas sabíamos que era uma desculpa fraca.

Naquele momento, o meu telemóvel vibrou com uma notificação.

Era uma publicação no Instagram.

Uma amiga em comum tinha marcado o Pedro numa foto.

Abri a aplicação, o meu polegar a tremer.

A imagem era clara e devastadora.

O Pedro estava sentado num restaurante chique, a sorrir para a câmara.

Ao lado dele, com a cabeça apoiada no seu ombro, estava a Sofia, a minha "melhor amiga".

A legenda dizia: "A celebrar o novo projeto do Pedro e o noivado surpresa! Tão feliz por vocês os dois, @PedroAlmeida e @SofiaGomes!"

Noivado.

A palavra ecoou na minha cabeça, silenciosa e mortal.

O prato de fruta caiu das minhas mãos, espalhando pedaços de maçã e manga pelo chão.

Eu não conseguia respirar.

"Ana? O que aconteceu?" A minha mãe agarrou-me no braço, o seu rosto cheio de preocupação.

Virei o ecrã do telemóvel para ela.

Ela ofegou, os seus olhos arregalaram-se em descrença e depois em fúria.

"Aquele desgraçado," ela sibilou.

Eu não conseguia falar. Apenas olhava para a foto. Para o sorriso dele. O mesmo sorriso que ele me deu esta manhã antes de sair para o "trabalho".

De repente, uma dor aguda atravessou o meu abdómen.

Gritei, agarrando a minha barriga.

Era uma cãibra, mais forte do que qualquer coisa que já tinha sentido.

"Mãe... dói," consegui dizer.

Outra onda de dor atingiu-me, e senti um líquido quente a escorrer pelas minhas pernas.

A minha bolsa tinha rebentado.

"Oh, meu Deus. O bebé está a chegar," a minha mãe entrou em pânico por um segundo, mas depois a sua determinação tomou conta. "Aguenta, Ana. Vou chamar uma ambulância."

Enquanto ela corria para o telefone, eu fiquei ali, paralisada pela dor física e pela traição esmagadora.

O meu filho estava a chegar.

E o pai dele estava a celebrar o seu noivado com outra mulher.

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