O vazio dentro de mim não era leve; era pesado, como se eu tivesse engolido uma pedra bruta.
Saí da clínica sentindo-me completamente oca.
Meu útero estava vazio.
Meu coração estava vazio.
Até minhas veias pareciam carregar poeira seca em vez de sangue.
Eu deveria ter ido para casa descansar. O médico tinha sido claro sobre isso.
Mas a casa não era mais um lar.
Era apenas um monumento a um casamento morto.
Impulsionada por uma necessidade masoquista de encerramento, me vi vagando pelos corredores da ala particular do hospital onde Dante mantinha sua "prioridade".
Eu precisava ver.
Eu precisava ver pelo que ele havia trocado seu filho.
Virei o corredor e parei abruptamente.
Dante estava do lado de fora de uma suíte particular.
Ele parecia cansado, a gravata afrouxada, as mangas enroladas revelando a tinta escura das tatuagens em seus antebraços.
Ele estava encostado na parede, ouvindo atentamente um médico.
E então Sofia saiu do quarto.
Ela não estava apenas andando; estava atuando.
Ela colocou a mão na parte inferior das costas e fez uma careta, uma exibição teatral de fragilidade.
Dante imediatamente se endireitou.
Ele estendeu a mão, suas mãos grandes surpreendentemente gentis, e a guiou para uma cadeira.
Ele tocou a barriga dela.
Foi um toque casual, possessivo.
O tipo de toque que ele costumava me dar.
A náusea subiu pela minha garganta, amarga e ácida.
Dante olhou para cima e cruzou os olhos comigo.
Sua expressão endureceu instantaneamente.
"Elena", disse ele, sua voz um aviso baixo. "O que você está fazendo aqui?"
Ele não perguntou se eu estava bem.
Ele não notou a palidez fantasmagórica da minha pele ou a maneira como eu estava me apoiando na parede para me sustentar.
Ele apenas viu uma ameaça para Sofia.
Os olhos de Sofia se arregalaram e ela soltou um pequeno suspiro.
"Oh, Elena! Sinto muito. Eu não sabia que você viria."
Ela se levantou, fazendo uma careta para dar efeito, e caminhou até mim.
Ela entrelaçou o braço no meu, seu aperto surpreendentemente forte.
"Não é uma bênção?" ela arrulhou, olhando para a própria barriga. "Um pequeno Moretti. Sei que deve ser difícil para você, sendo... bem, incapaz de cumprir esse papel."
Ela torceu a faca com um sorriso.
Olhei para Dante, esperando que ele a corrigisse.
Esperando que ele me defendesse.
Ele apenas checou o relógio.
"Elena conhece seu dever", disse ele friamente. "Ela não é mesquinha o suficiente para deixar os negócios da família afetarem suas maneiras."
Negócios da família.
Era assim que ele arquivava meu trauma. Apenas negócios.
"Vamos jantar", anunciou Sofia. "Você tem que vir, Elena. Precisamos mostrar uma frente unida, não é, Dante?"
"Não estou me sentindo bem", eu disse, minha voz rouca.
"Besteira", disse Dante. "Você parece bem. Só um pouco pálida. Passe um batom. Vamos ao Fasano."
Não era um pedido.
Era uma ordem do Don.
Eu estava fraca demais para lutar.
No restaurante, eles se sentaram juntos no sofá.
Eu me sentei em frente a eles, como uma criança indesejada.
Sofia fez uma cena sobre seu risoto estar muito salgado.
Dante estalou os dedos e toda a equipe da cozinha saiu para se desculpar.
Ele provou a comida dela por ela.
Ele serviu água para ela.
Ele não olhou para mim uma única vez.
Encarei meu prato, o cheiro rico e enjoativo de azeite trufado revirando meu estômago.
Eu estava sangrando.
Eu podia sentir.
O médico disse para descansar.
Mas aqui estava eu, interpretando a esposa obediente para um homem que estava sendo pai de uma mentira.
"Preciso usar o banheiro", murmurei, levantando-me.
Minhas pernas pareciam gelatina.
Enquanto eu passava pela mesa deles, um estrondo baixo sacudiu o teto.
Aconteceu em câmera lenta.
O pesado lustre de cristal acima da mesa deles gemeu.
A âncora cedeu.
"Dante!" Sofia gritou.
Ela não tentou se mover. Ela apenas se jogou em direção a ele.
Dante não hesitou.
Ele se lançou.
Ele pegou Sofia em seus braços, protegendo o corpo dela com o seu, e mergulhou para o lado.
Em sua pressa desesperada para salvá-la, seu ombro bateu em mim.
Eu voei.
Bati no chão de mármore com um estalo doentio.
Minha cabeça bateu na pedra.
O lustre caiu exatamente onde eu estava um segundo antes.
Cacos de vidro explodiram como estilhaços.
Poeira e gesso encheram o ar.
Meus ouvidos zumbiam.
Toquei minha testa e minha mão saiu vermelha.
Através da névoa, vi Dante se levantando.
Ele estava segurando Sofia.
"O bebê está bem?" ele gritava. "Verifique o bebê!"
Sofia soluçava histericamente, agarrando-se a ele.
Ele não olhou para o chão.
Ele não me procurou.
"Peguem o carro!" ele rugiu para sua equipe de segurança. "Vamos para o hospital!"
Ele a carregou para fora, passando por cima dos destroços.
Passando por cima de mim.
Fiquei deitada no chão frio, observando suas costas se afastarem.
O sangue do ferimento na minha cabeça se acumulou no mármore branco, misturando-se com a poeira.
Eu estava sozinha.
De novo.





