Do Luto ao Lucro: O Império da Ex-Esposa

O meu irmão, Tiago, chegou a correr ao hospital, com o rosto pálido e os olhos vermelhos.

Quando me viu deitada na cama, pálida e sem vida, as lágrimas dele caíram.

"Lia, o que aconteceu? Onde está o Pedro?"

Ele agarrou a minha mão, a sua voz a tremer.

Eu não conseguia falar. Apenas abanei a cabeça, as lágrimas a escorrerem silenciosamente pelo meu rosto.

Tiago percebeu tudo.

Ele tirou o telemóvel e ligou para Pedro.

"Pedro, onde raio estás? A tua mulher está a morrer no hospital, e tu estás por aí a divertir-te?"

A voz de Tiago era um rugido de fúria.

Não sei o que Pedro disse, mas o rosto de Tiago ficou ainda mais zangado.

"Levá-la a casa primeiro? Estás a brincar comigo? A Lia precisa de uma transfusão de sangue agora! Se algo lhe acontecer, eu mato-te!"

Ele desligou e olhou para mim, com o coração partido.

"Lia, não te preocupes. Eu estou aqui. Eu assino os papéis. Eu salvo-te."

Ele foi encontrar o médico, a sua figura a desaparecer pelo corredor.

Eu fechei os olhos, sentindo uma onda de calor no meu coração frio.

Pelo menos, eu ainda tinha o meu irmão.

A transfusão de sangue começou.

Senti a vida a voltar lentamente ao meu corpo.

Quando acordei novamente, Tiago estava sentado ao meu lado, a sua expressão sombria.

"Lia, eu quero que te divorcies dele."

Ele disse, a sua voz firme.

"Eu sei."

A minha voz era calma. A decisão já estava tomada.

"Ele não te merece. Ele não merece ser pai."

Tiago cerrou os punhos.

"Eu vou fazê-lo pagar por isto."

"Tiago, não faças nada estúpido."

Eu agarrei o braço dele.

"Eu só quero um divórcio pacífico. Não quero mais drama."

Ele olhou para mim, os seus olhos cheios de dor.

"Mas ele magoou-te tanto. Ele deixou-te morrer."

"Eu sei. E é por isso que o vou deixar. Essa será a minha vingança."

A minha calma pareceu surpreendê-lo.

Ele suspirou.

"Está bem, Lia. O que quer que decidas, eu apoio-te."

Naquela noite, Pedro finalmente apareceu.

Ele parecia cansado e irritado.

"Como estás?"

Ele perguntou, a sua voz desprovida de qualquer emoção.

Eu não respondi. Apenas olhei para ele, uma estranha calma a instalar-se em mim.

"Eu ouvi o que aconteceu. Lamento pelo bebé."

Ele disse, as suas palavras soando vazias e ensaiadas.

"Onde estiveste?"

A minha voz era um sussurro.

Ele franziu o sobrolho, impaciente.

"Eu já te disse. Eu tive de levar a Sofia a casa. Ela não estava bem."

"E eu estava?"

A minha pergunta pairou no ar.

Ele não respondeu. Apenas desviou o olhar.

"Lia, não vamos discutir sobre isto agora. Estás cansada. Precisas de descansar."

Ele tentou pegar na minha mão, mas eu afastei-a.

"Eu quero o divórcio, Pedro."

Eu disse, a minha voz clara e firme.

Ele olhou para mim, chocado.

"O quê? Estás a falar a sério? Por causa disto?"

"Por causa disto?"

Eu ri, um som amargo e oco.

"O nosso filho morreu, Pedro. E tu escolheste outra mulher em vez de mim. Em vez dele."

"Isso não é verdade! Eu não a escolhi a ela em vez de ti. Eu só estava a ajudá-la."

A sua defesa era fraca.

"Não importa. A minha decisão está tomada."

Virei-lhe as costas, sinalizando o fim da conversa.

"Lia, não sejas ridícula. Estás a ser demasiado emocional. Vamos falar sobre isto quando estiveres melhor."

Ele disse, a sua voz a subir de tom.

"Não há nada para falar. Eu quero o divórcio."

Ele ficou ali por um momento, a sua raiva a crescer.

"Está bem! Se é isso que queres, está bem! Mas não penses que vais conseguir alguma coisa de mim!"

Ele virou-se e saiu, batendo a porta atrás de si.

Eu não chorei.

Não havia mais lágrimas para derramar.

Apenas um vazio frio no meu peito.

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