Do Abismo à Luz: A Minha Segunda Chance

O meu aniversário de 25 anos foi o dia em que pedi o divórcio.

O meu marido, Leo, tinha-me prometido uma grande festa, mas em vez disso, ele estava na casa da minha sogra, a dar um banho ao cão dela.

"Apenas espera um pouco, Ana. A mãe não se está a sentir bem, e o Bobo está todo sujo. Não posso simplesmente deixá-lo assim," disse ele ao telefone, a sua voz cheia de impaciência.

"Leo, eu estou a sangrar."

A minha voz estava calma, mas o meu corpo tremia.

Eu estava sentada no chão frio da casa de banho, o sangue a escorrer pelas minhas pernas e a manchar o tapete branco.

Tinha acabado de sofrer um aborto espontâneo.

Houve um silêncio do outro lado da linha, seguido pela voz aguda da minha sogra, Sofia.

"Sangrando? Que dramática. Provavelmente é só a menstruação dela a chegar mais cedo. Ela está a fazer isto de propósito para te fazer sentir culpado e vires para casa, Leo! Não te deixes enganar por ela!"

A voz do Leo voltou, agora mais fria.

"Ana, para de arranjar problemas. A mãe já está doente, não a stresses. Se estiveres a sangrar muito, chama uma ambulância. Eu estou ocupado."

Ele desligou.

Olhei para o telefone na minha mão, e depois para o sangue no chão.

O nosso bebé, o bebé que esperámos durante três anos, tinha-se ido. E o pai dele achava que eu estava a fingir para chamar a atenção.

Com as mãos a tremer, disquei o número de emergência.

Enquanto esperava pela ambulância, liguei ao Leo mais uma vez.

Desta vez, a chamada foi direta para o correio de voz. Ele tinha-me bloqueado.

Um sorriso amargo formou-se nos meus lábios.

Claro que ele me bloqueou. Para ele, o conforto da mãe dele e a limpeza do cão dela eram mais importantes do que a sua esposa, que poderia estar a morrer.

A dor no meu abdómen era intensa, mas a dor no meu coração era pior.

Fechei os olhos, e as memórias dos últimos três anos inundaram a minha mente. Cada vez que a minha sogra me criticava, cada vez que o Leo ficava do lado dela, cada vez que eu me sentia como uma estranha na minha própria casa.

Eu tinha aguentado tudo, à espera deste bebé. Pensei que um filho iria consertar o nosso casamento, que iria finalmente fazer-me parte da família deles.

Que tola eu fui.

Quando a equipa médica chegou e me colocou na maca, tomei a minha decisão.

Não havia mais nada para salvar.

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