Destinada aos meus Alfas

VICTORIA

— Posso? — Ele perguntou, após abrir a porta, com uma das mãos no bolso da calça enquanto a outra segurava a maçaneta. Eu assenti. Ele não me faria nada, foi o que o senhor Mcdowell afirmou! 

Ele caminhou até mim, olhando diretamente nos meus olhos e parou em frente. Ele parecia capaz de me engolir ali mesmo, porém, as sobrancelhas dele relaxaram um pouco e ele estendeu a mão para mim. 

— Sou Teagan Mcdowell. Acho que esse deveria ter sido o nosso primeiro contato. — Ele falou e eu olhei para a mão dele e, de volta para o rosto. — Não vai apertar a minha mão? 

Eu pisquei e balancei um pouco a cabeça, levantando a mão e apertando a dele. Foi tão estranho, porque eu senti não só o calor da pele dele, mas parecia ter algo a mais ali. Não sei se ele também sentiu, mas retraiu a mão de uma forma estranha. 

Ele inspirou. 

—  Desculpe por ter agido daquela maneira. Eu desci do carro, vi você com meu irmão e, de repente, ele levou um tapa. Eu deveria ter ouvido o seu lado, antes de te empurrar. — Ele então olhou para o meu rosto, com a sobrancelha franzida. — Por que está toda machucada? Não foi do meu empurrão. 

Minha língua coçou para acusar o irmão dele, porém, se conviveríamos ali, talvez fosse melhor não incitar mais problemas e desentendimentos. 

— Eu caí enquanto voltava da escola. — Respondi, o que não era mentira. 

— E o seu lobo não te curou ainda? 

— Meu lobo é… fraco. 

— Hmm… — ele levantou o queixo. — E o que o meu irmão fez pra merecer um tapa como aquele? — Agora tinha um tom um pouco mais brincalhão na voz dele. 

— Teve uma situação na escola e eu não sei exatamente o que andaram falando de mim, mas seu irmão pareceu acreditar que eu estava dando em cima dele, quando me viu aqui. 

Teagan levantou uma sobrancelha. 

— Situação na escola?

— Nada preocupante. Só uma pegadinha. — Eu suspirei. — Enfim, acho que agora ele sabe que eu não vim aqui para persegui-lo. Devemos ficar bem daqui pra frente. 

— Hmm… — ele fez, novamente. Pelo visto, quando não tinha algo exato para falar, Teagan apenas soltava aquilo. Ou não tinha, ou não queria falar. — Então, para demonstrar como eu realmente vejo a situação, que tal tomarmos um sorvete? 

Será que Teagan realmente me veria como irmã dele? Talvez ficar ali não fosse tão ruim! 

— Claro! 

Ele olhou para o relógio no pulso dele. 

— Eu tenho umas coisinhas pra resolver. Esteja pronta às sete. 

Teagan saiu do meu quarto e eu não podia acreditar. Ele não era tão ruim quanto eu pensei, mais cedo! 

Mais contente, tomei um banho e escolhi uma roupa bonita. Era a primeira vez que eu sairia com Teagan, e eu não faria ele se arrepender de ser legal comigo! 

Mamãe sumiu o restante do dia e eu só podia pensar que ela estava com o noivo. Bom, ela ficando feliz, eu também ficava. 

Quando deu a hora, eu estava pronta e a batida na minha porta foi certa. A abri e era Teagan. Descemos as escadas e só vimos Aiden passando da cozinha para a sala imensa e se jogando num dos sofás. Ele fez sinal de despedida para o irmão, e me ignorou completamente. 

Diferente do que eu pensava, não iríamos de carro, mas de moto. Eu olhei para o capacete que Teagan me ofereceu, incerta. 

— O que foi? 

— É que… eu nunca andei de moto. 

Ele pegou o capacete da minha mão e o colocou na minha cabeça, ajeitando-o. Nesse momento, eu pude olhar melhor para ele, pelo visor. Teagan era um dos homens, se não o mais bonito, que eu já tinha visto na vida. Os traços dele eram masculinos, mas não brutos demais. 

— Eu vou subir, você segura no meu ombro e passa a perna por cima da moto. Beleza? É só montar. — Ele deu uma olhada para mim, por cima do ombro, com um sorriso que eu não compreendi muito bem. 

— Eu… acho melhor eu voltar e trocar de roupa. Estou de vestido. 

— Relaxa, ninguém vai ver nada. — Ele me olhou e sorriu ainda mais. — Não confia em mim? 

Suspirei e assenti. 

— Sim, confio. Claro. 

Lá no fundo da minha mente, parecia ter algum tipo de aviso, eu só não entendia o que era. Talvez para que eu me segurasse firme? 

Teagan olhava de vez em quando por cima do ombro, como se para checar se estava tudo bem comigo. Porém, quando a moto parou, não foi bem onde eu imaginava. Aquilo ali não era uma sorveteria. 

— Onde estamos? 

— Eu só preciso resolver uma coisa. Me espera perto do bar, okay? Já volto. 

Ele piscou e praticamente me deu um empurrãozinho em direção ao balcão, onde um homem preparava bebidas. 

Sentei em um dos bancos altos e fiz o que Teagan disse: eu esperei. 

Cinco minutos, dez minutos, vinte minutos, meia hora. Eu já estava ficando impaciente. Se ele tinha algo muito importante para lidar, não teria sido melhor remarcar a saída comigo? Tamborilei os dedos em cima do balcão, recusei as duas vezes que o barman perguntou se eu queria beber algo, e então senti uma sombra atrás de mim. 

Me virei, pronta para sair daquele lugar, mas não era Teagan, e sim um estranho. 

— Olá, doçura. 

Eu franzi a sobrancelha e fechei a minha expressão. 

— Ah… Quem é você? 

O estranho primeiro se apoiou com o antebraço no balcão, sorriu de lado e estendeu a mão, próxima ao corpo dele. 

— Spencer Mack. E você? 

Engoli em seco. Eu não deveria falar com estranhos. Olhei em volta e achei melhor não ser grosseria. Eu estava sozinha ali. 

— Victoria Taylor. — Apertei a mão dele e aquele foi um erro, porque ele me puxou mais para perto e passou a outra mão em volta da minha cintura. 

— Você é uma delícia, sabia disso? Que tal a gente ir pra um lugar mais reservado? 

Eu torci a boca e empurrei o peito dele. 

— Não! Eu não vou a lugar nenhum com você! 

— Qual é… Vai ficar se fazendo de difícil? 

— Cai fora! 

O homem me encarou por um segundo, antes de colocar a mão atrás da minha cabeça e tentar me beijar. Eu consegui virar o rosto e ele não tocou meus lábios, porém, um nojo subiu pelo meu corpo todo. Pisei no pé dele, que soltou um palavrão e afrouxou o aperto. Deu-lhe um tapa e me afastei. 

— Sua vadia! — Ele reclamou, furioso e foi pra cima de mim, porém, alguém se colocou na frente. Eu esperava que fosse Teagan, porém, era o barman. 

— O senhor está importunando um cliente. Por favor, retire-se! 

— E quem caralhos você pensa que é?! 

— Eu sou o caralho do dono, agora, CAI FORA! Ou eu vou tomar medidas… 

O outro lobisomem me olhou de cima a baixo, como se prometendo que aquilo não ficaria daquele jeito, e se afastou. O tal salvador se virou para mim e só então eu realmente o olhei. 

— Você tá bem? — Assenti. — Aqui não é um lugar muito bom para moças desacompanhadas. O que veio fazer aqui sozinha? 

— E quem disse que ela tá sozinha?

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