De Rio a Munique: O Renascimento de Danna

Todos no Rio de Janeiro esperavam para ver a piada que Danna Perez se tornaria.

Eles esperavam o dia em que Lilith Gordon voltasse da Noruega, e Hugo Contreras a abandonasse sem pensar duas vezes.

A própria Danna também esperava por esse dia.

Hoje era o dia que tinham combinado para ir ao cartório registar o casamento.

Hugo faltou pela terceira vez.

Danna ficou na porta do cartório por horas, o sol do Rio queimando sua pele. Ela ligou para ele mais de dez vezes, mas todas as chamadas foram rejeitadas.

O coração dela, que antes ardia como o samba, agora estava frio e cinzento. Com um gesto final, ela rasgou o formulário de casamento em pedaços minúsculos, que o vento espalhou pela calçada.

Ela decidiu acabar com aquele amor humilhante.

Mais tarde, no estúdio de dança, enquanto tentava focar nos passos, ela viu a foto no Instagram de um amigo em comum.

Hugo não tinha atendido suas ligações porque estava no aeroporto.

Ele foi buscar Lilith, que acabara de voltar.

Na foto, Hugo e Lilith estavam sentados lado a lado no lounge do aeroporto, ele com seu terno impecável e ela com seu sorriso sereno. Pareciam um casal de capa de revista.

O coração de Danna morreu de vez.

Ela não foi para casa. Em vez disso, mergulhou no trabalho, aceitando a enorme responsabilidade de coreografar o desfile das campeãs do Carnaval do Rio. O suor e a música eram sua única fuga.

Naquela noite, a campainha do seu apartamento tocou. Era Lilith, apoiando um Hugo completamente bêbado.

"Ele bebeu demais com os amigos para comemorar minha volta," disse Lilith, com um tom de quem era a dona da situação, enquanto o ajudava a sentar-se no sofá de Danna.

Lilith começou a andar pelo apartamento, tocando nos objetos de Danna, seu olhar avaliando tudo.

"O Hugo não gosta de café forte de manhã, só o fraco. E ele odeia coentro, você sabia? Ele também tem o sono leve, qualquer barulho o acorda."

Cada palavra era uma afirmação de posse, uma maneira de dizer: "Você nunca o conhecerá como eu conheço."

Danna cruzou os braços, a calma em seu rosto contrastando com a tempestade em seu peito.

"Lilith, você foi embora. Fui eu quem aprendeu a fazer o café dele, a tirar o coentro da comida e a andar na ponta dos pés pela casa. Você não tem mais o direito de ditar as regras aqui."

Lilith ficou sem palavras por um momento, seu sorriso forçado vacilou. Ela deixou Hugo no sofá e foi embora sem dizer mais nada.

Mais tarde, na escuridão do quarto, Hugo se mexeu. Ele a puxou para perto, seu hálito cheirando a álcool.

"Lilith...", ele sussurrou contra seu cabelo, "eu senti tanto a sua falta."

Ele a beijou, e naquele momento de confusão e dor, Danna cedeu.

Na manhã seguinte, a luz do sol invadiu o quarto. Hugo já estava de pé, vestindo sua camisa. Ele não a olhou nos olhos.

"Não se esqueça de tomar a pílula do dia seguinte," ele disse, com a voz fria e distante.

Ele fez uma pausa na porta.

"Ah, e desculpe por ter perdido o cartório de novo. Tive um imprevisto."

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