Contrato Obscuro II - Os irmãos de Alícia

O homem saiu da sala, deixando Yago sentado ainda algemado. Michelle se aproxima dele, faz um carinho em seu rosto:

— Senti sua falta.

— Eu só soube recentemente que você está viva.

— Eu sei, por você eu teria morrido naquele instituto.

— Era mais fácil pra mim não pensar no que você estava passando lá.

— Yago , não gosto de ver você assim. Eu quero saber se posso te soltar se limpar suas feridas.

— Porque você faria isso?

— Porque você é meu marido.

— Não, eu sou marido da Alícia.

— Ah, Yago . Na verdade, você acha que é marido da Noêmia no papel e da Alícia de corpo. Eu estou viva, e você não se divorciou de mim, então nenhum dos dois casamentos tem efeito!

— Do que você está falando?

— Que você é meu marido, legalmente. E eu pretendo que seja de fato daqui pra frente.

— Você é louca? Faz oito anos que nos separamos, que eu vivo com outra mulher, tenho um filho com ela.

— Não, faz oito anos que você divide uma mulher com o amor da vida dela, com quem ela teve um filho que você ajuda a criar

— Seus preconceitos não vão invalidar meu relacionamento!

— Me diz, Yago . Brasileiros têm uma certa promiscuidade que não se vê em outras culturas. Na nossa, então, é muito menos natural. Na sua relação promíscua, vocês já fizeram troca troca?

Yago se lembrou da despedida. Alícia está grávida de oito meses e meio, já não tem mais a disposição para o sexo nem com um, quanto mais com dois! Depois que engravidou, começou a se excitar com os dois se tocando.

Yago lembra que teve uma conversa com Fernando quando marcou a viagem para a França:

— Vocês não podem adiar essa viagem? Tem que ser logo quando ela está para parir?

— Fernando, você é o pai, você vai estar perto. Não precisam de mim!

— Você não vai começar com isso de novo, não é, Yago ? Somos um trisal, resolvemos tudo juntos e ela te ama. Ela precisa de você.

— Mas eu não posso adiar. E eu tenho medo de quando voltar, ela não me queira mais.

— Que bobagem é essa?

— Fernando, ela sempre foi apaixonada por você. Quando você decidiu ser mais enérgico, você a teve. Ela decidiu ficar com você. Eu estraguei tudo, foi diferente pra ela. Quando se viu livre, ela tinha uma decisão a tomar. Ela se viu precisando de mim pra assumir o lugar que queria na máfia. E a partir daí, fizemos dar certo. Mas ela nunca se viu sozinha, vivendo esse amor de vocês. Agora vou passar dias longe, e vocês serão uma família normal, terão os bebês de vocês, terão sua bolha. Quem garante que ela vai me querer furando essa bolha quando eu voltar?

— Eu garanto, Yago . Ela não funciona sem você, assim como sem mim. Por isso chama trisal! Somos cada um a ponta de um trio.

— Você acredita mesmo nisso, Fernando?

— Sem sombra de dúvida.

— Então prove! Dê o que ela quer!

— Não entendi, dou tudo o que ela quer, sempre!

— Nesse momento, Alícia quer ver nós dois nos amando, e fazendo o círculo real desse trisal, não apenas dois maridos dividindo a mesma mulher.

— Isso que você está sugerindo é surreal, Yago .

— Só não aconteceu ainda por causa dos seus preconceitos. Se você aceitar, vou marcar minha despedida e ela vai me querer na vida dela quando eu voltar.

Dois dias depois, Fernando aceitou o desafio, e eles combinaram como iam surpreender Alícia. E Yago se lembrava como foi intenso!

— Não é de sua conta, Michelle. Nada da minha vida com minha boca mulher é de sua conta. Se vai me soltar, faça logo. Se não vai, me mate logo também. Mas deixe minha família em paz!

— Yago , não é possível deixar os Costelli em paz. Tudo faz parte de um plano muito bem arquitetado há trinta anos. Você se debandar para o lado deles, quase colocou tudo a perder! Mas podemos consertar isso.

— E como podemos consertar, Michelle? Não vou trair Alícia.

— Vamos fazer assim: eu te conto parte do plano e você me conta parte do que sabe de cada uma das irmãs. De Matheo não precisa, ele foi nossa marionete o tempo todo.

— E no que isso vai te ajudar?

— Mantenha o inimigo perto! Por isso eu deixei você tanto tempo com elas. Pra fazer um reconhecimento de campo quando formos fazer o grande final! E tenho certeza que depois que você ouvir o plano, vai querer participar também.

— Eu não vou trair Alícia, Michelle.

Michelle se levantou e sentou de pernas abertas no colo de Yago , que sabia o que ela estava fazendo. Ele imaginou que ela cutucaria as feridas dele, para torturar. Mas para sua surpresa, ela beijou o canto da boca dele e rebolou em cima do pau dele, o que provocou uma ereção, mesmo ele tentando evitar.

Michelle deu um beijo na boca dele, depois mordiscou seu lábio inferior, o que fez a ereção aumentar e incomodar dentro das calças, mais do que o ferimento a faca que Yanes tinha feito. Yago se lembrou como Michelle rebolava gostoso por cima dele em um passado distante, e se pegou imaginando que gostaria disso de novo!

Se repreendeu: ele era casado e não gostava de traições. Adultério sempre foi uma palavra fora de seu vocabulário!

— Olha só. Vou cuidar dos seus ferimentos e você me conta tudo sobre aquela negrinha! A partir da hora que ela saiu do quarto depois que fomos capturadas.

— Você deveria começar!

— Não, Yago . Você me falar da caçula dos Costelli vai ser o pagamento por eu consertar o estrago que Giselle fez nesse corpo gostoso!

Yago se lembrou daquele fatídico dia, em que acabou o cativeiro de Alícia, se lembrando da adolescente emocionada que Paola era e como ela estava madura e forte!

Desde que ela foi deflorada por um erro de Matheo, era por quem Yago tinha mais carinho!

Sem pensar, começou a falar da evolução da negrinha…

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