Com quem me casei? O Golpe do Amor

Chegaram em um prédio abandonado, havia muitos naquela região, mas Lisa não entendeu o que estavam fazendo ali.

Apenas o seguiu e quando viu que o rapaz realmente pretendia entrar ela o segurou.

- Olha, não é uma boa ideia.

- Você que falou que não tinha onde dormir.

Ela teve certeza de que Andrew era um viciado, somente usuários e prostitutas moravam naqueles prédios. Os hotéis de Richmond deveriam ter sido implodidos pelo governo há anos.

Como não aconteceu.

Traficantes tomaram posse dos locais, organizaram pequenos estúdios que ficavam alugados para qualquer um, nem mesmo Mick tinha coragem de entrar em um lugar como aquele.

Pegava as entregas na parte de fora.

- Você mora aí, mesmo?

- Moramos! Você é minha esposa agora.

Lisa soube o motivo de Andrew nem sequer questionar quem ela era.

Olhou em volta, estava frio, não podia voltar para casa, o irmão estava sumido e agora ficar perto dele seria um risco.

- Se encostar em mim eu grito!

- É... não vai ser única.

Ela não entendeu de imediato, mas quando entrou pelo corredor que Andrew iluminou com a lanterna do celular a brincadeira ganhou sentido.

Tudo ali era a prova de que o inferno existe.

Choro de crianças se misturava com gemidos de mulheres, palavrões e cheiro de pólvora.

Seguiu o rapaz que simplesmente forçou uma das portas até a madeira ceder.

- Você não tranca?

- Não! Essa porta nunca nem teve chave. Está louca?

Lisa esperava o pior, mas quando Andrew acendeu algumas velas percebeu que o lugar era bonito.

Caminhou pelo lugar intrigada, passou os dedos em um cooktop.

- Como cozinha?

Andrew pensou que o segurança era um completo imbecil. Havia pedido para Mason organizar o pior lugar da cidade, só não esperava que ele colocaria um cooktop extremamente caro em uma pocilga como aquela.

Sorriu tentando disfarçar a raiva.

- Ora, cozinhando. Ganhei esse fogão de uma das minhas clientes, como eu disse com a cueca certa consigo muitas coisas.

Lisa franziu a testa, não entendeu o porquê de Andrew estar mentindo. Aquele era um cooktop de indução, já tinha visto um no trabalho, apesar de jamais nem sequer sonhar com aquilo.

- E você cozinha nele?

- Cozinho, sou quase um chef. Posso fazer alguma coisa para você, está com fome?

Ela pensou um pouco e respondeu.

- Morrendo de fome e gostaria de ver você cozinhar nesse fogão.

Andrew aceitou o desafio, cozinhava desde pequeno, sempre gostou disso. Estava se divertindo com aquilo como não se divertia há muito tempo.

Abriu a geladeira meio despretensioso, precisava saber o que Mason tinha comprado, sabia que não seria nada sensacional, o segurança teve pouco tempo.

Cortou os legumes com cuidado.

Mas se lembrou da ex-noiva. Costumava cozinhar para Georgina, ela detestava, dizia que não via nenhum sentido em ter um namorado fedendo a alho e ervas se podiam comer nos mais caros restaurantes.

Lisa ficou esperando e então o momento chegou.

Andrew só se deu conta do ridículo quando se aproximou do fogão, não havia energia elétrica no lugar, logo, um fogão de indução não funcionaria.

Soltou o ar.

- Ok, você me pegou. Eu nunca usei esse fogão.

- E por que mentiu?

- Sei lá, talvez eu quisesse que você pensasse que eu sou um bom partido. Não é muito bom para a minha autoestima ser abandonado duas vezes no mesmo dia.

A menina acabou rindo de novo.

Se levantou animada.

- Quero uma camiseta e uma cueca!

Andrew arregalou os olhos.

- Ok, devo dançar também?

- Pra você, não, pra mim.

Lisa trocou de roupas olhando para quatro baratas que pareciam estar fazendo uma reunião na parede do banheiro.

Não teve coragem de matar, sabia que se elas se mexessem a postura de mulher forte iria pelo ralo, mas também não pediria ajuda a um desconhecido.

Olhou para a cueca que havia recebido.

Esperava uma box para usar como shorts e não uma tanga!

Saiu do banheiro com a camiseta e a cueca, mas também puxou uma toalha e enrolou na cintura.

Caminhou tranquila até a cozinha e avisou.

- Tem baratas no seu banheiro.

- Também tem uma no seu cabelo, deixa eu tirar, não se mexe.

Lisa começou a pular, batendo no próprio cabelo em uma cena que mais parecia vinda de um hospício.

Andrew gargalhou só até que as pernas da menina ficassem expostas.

Ela também percebeu o silêncio, quase como se a energia vinda dele fosse mais forte do que o medo que estava da suposta barata.

O rapaz a puxou pela cintura e os rostos ficaram tão perto que ela não conseguiu nem sequer respirar.

Ele com certeza era um mentiroso, mas um mentiroso bonito demais!

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