Cinzas no Atlântico: A Promessa Final

O carro de luxo de Diogo deslizava pelas ruas de Lisboa, mas eu sentia-me como se estivesse num carro funerário a caminho do meu próprio enterro.

Ele e a Sofia sentavam-se no banco de trás, as suas vozes e risos a ecoarem no espaço confinado.

Eu estava no banco da frente, ao lado do motorista, uma sombra silenciosa.

"Amor, a festa no iate vai ser incrível," dizia Sofia. "Toda a gente importante vai estar lá."

"Só o melhor para ti," respondeu Diogo.

Eu olhava pela janela, para as luzes da cidade a passarem, mas não sentia nada. Era como se o meu corpo estivesse presente, mas a minha alma já tivesse partido. Um cadáver ambulante, como ele queria.

Não chorei. As minhas lágrimas secaram na prisão.

Chegámos ao seu apartamento, uma penthouse com vista sobre o rio Tejo.

Ele ordenou-me que preparasse o quarto deles.

"E depois, limpa tudo. Não quero vestígios."

Sofia tentou intervir, uma falsa bondade no seu olhar. "Diogo, não sejas tão duro com ela. Afinal, éramos amigas."

"Isto não é sobre dureza, Sofia. É uma transação justa. Ela quer o meu dinheiro, eu quero a minha vingança."

A sua crueldade era fria e calculada.

Os dias seguintes foram um borrão de humilhação.

Ele levava-me para todo o lado. Jantares de negócios, festas exclusivas, eventos de caridade.

Forçava-me a beber até quase cair, a servir a Sofia como uma criada, a ficar de pé durante horas enquanto eles dançavam.

Depois de cada evento, ele atirava-me dinheiro. Notas amarrotadas, sujas, como se eu fosse lixo.

Eu apanhava cada uma delas.

Em silêncio.

O meu objetivo era claro. Juntar dinheiro suficiente para pagar a "Última Viagem" e desaparecer para sempre. Sem deixar vestígios.

A festa de aniversário da Sofia foi o auge da sua ostentação.

Um iate luxuoso navegava pelo Tejo, a música alta, o champanhe a jorrar.

Sofia usava uma pulseira de diamantes deslumbrante.

"Foi um presente da mãe do Diogo," disse ela a uma amiga, alto o suficiente para eu ouvir. "Ele disse que ela gostava muito de mim."

Uma mentira. A mãe dele mal a suportava. A pulseira... tinha sido um presente para mim, no meu décimo oitavo aniversário.

Eu observava a cena, uma dor surda no peito. Lembrei-me do nosso próprio noivado, planeado para ser grandioso, uma celebração do nosso amor.

Ouvi os comentários à minha volta.

"Como é que ele a consegue manter por perto?"

"Ela merece cada segundo disto. Matou a mãe dele a sangue frio."

Eu era a vilã da história deles. E tinha de continuar a ser.

Mais tarde, Sofia encontrou-me sozinha no convés.

"Sabes, Lara, eu sempre o amei," confessou ela, sem qualquer vestígio da sua doçura fingida. "Tu tinhas tudo. E arruinaste-lhe a vida."

"Eu vou desaparecer em breve," disse eu, a voz cansada.

Ela riu. "Não acredito em ti. Vais sempre tentar voltar para ele."

Num movimento rápido, ela tirou a pulseira de diamantes do pulso.

"Vês isto? Agora é meu. Tudo o que era teu é meu."

E com um sorriso malicioso, atirou a pulseira para as águas escuras do Tejo.

"Ups. Acho que a deixei cair. És a assistente dele, não és? Vai buscá-la."

Continuar Lendo
Leia a Novel Completa em Moboreader
UDesbloquear Todos
Abrir o Site Oficial
Capítulos
Personalizar

Você pode gostar

Logo
Seu guia para os melhores dramas curtos online. Prévias gratuitas, informações completas do elenco e links para plataformas oficiais — tudo em um só lugar.
©2026 PinesDramas Todos os direitos reservados