Chefe bilionário

tailandês. Foi o que ela me trouxe quando eu tinha quatorze anos,

quando ouvi dois meninos do último ano zombando da roupa que usei

na escola naquele dia. Ou melhor, eles estavam zombando do fato de que eu não fui capaz de preenchê-la melhor do que um garoto de

quatorze anos faria.

Liguei para Martina em lágrimas, e ela veio com frango com

gergelim. Alguns meses depois, levei o mesmo prato para ela quando seu namorado a largou dois dias antes do grande baile da primavera.

Eu tinha que admitir, ela tinha sido além de paciente comigo, me

deixando dormir em seu quarto de hóspedes e não dando um ultimato sobre quando eu precisava sair ou começar a pagar o aluguel. Não que eu pretendesse me aproveitar dela.

Eu tinha ido ao banco na segunda-feira para tirar dinheiro do meu fundo fiduciário e o tinha em um envelope para entregar a ela

quando perguntasse se podia ficar mais um pouco. Só enquanto eu descobrisse o que queria fazer.

Eu mal tive tempo de colocar minha cabeça no lugar depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas. Após o telefonema dela,

decidi que era o melhor momento para perguntar, depois de explicar

tudo. Com esse plano em vigor, meus nervos relaxaram um pouco.

Ela esperou até que estivéssemos comendo há alguns minutos para dizer — Desembucha.

Engoli um gole rápida, pronta para confiar em minha amiga. —

Primeiro, tenho que te agradecer por me deixar ficar e não me forçar a falar.

— Você não vai escapar desta vez. — Ela apontou para mim, seus

olhos cor de obsidiana se estreitando. — Você precisa lidar com essas coisas.

Eu levanto a mão. — Você está certa, e eu vou lhe contar o que aconteceu. Eu só queria agradecer primeiro por não tentar arrancar de

mim antes.

Ela sorriu. — Sim, sou uma amiga incrível.

Revirei os olhos, mas apreciei a provocação. Eu ia contar tudo a ela, e não seria agradável, mas ela estava tentando tornar isso o mais

fácil possível para mim.

— Você viu a história no noticiário um dia antes do Dia de Ação de Graças sobre as reféns no Iraque que foram resgatados de serem

vendidos? — Parecia um lugar tão bom para começar quanto qualquer outro.

Ela ficou completamente imóvel. — Sim.

— Quatro deles foram levados no Irã semanas antes. —

Pressionei minhas mãos para evitar que tremessem. — Eu sei por que também fui pega por eles.

A cor sumiu do rosto de Martina, sua pele normalmente cor de mel tão pálida como eu nunca tinha visto.

— Freedom teve que fazer uma apendicectomia de emergência na última semana no Irã, então ela foi direto do hospital para o aeroporto

onde eu deveria encontrá-la. No meu caminho para lá, alguns homens

armados pararam o táxi, me agarraram, me jogaram em uma van e me levaram para algum lugar nos arredores da cidade.

— Como não foi notícia nacional? Internacional? Inferno, mesmo local? — Martina parecia que ia vomitar.

— Freedom manteve tudo em segredo porque ela não tinha certeza do que tinha acontecido comigo no início. Ela estava tentando

fazer com que a polícia procurasse por mim quando recebeu um vídeo

de resgate. — Eu ainda ficava gelada toda vez que pensava sobre como

deve ter sido para ela. Não importa o quão chateada eu estivesse com ela, eu sabia que ela me amava, e deve ter sido horrível para ela. —

Ela sabia que nossos pais podiam pagar o resgate, mas não confiava

nos sequestradores para honrar o acordo, então ela ligou para um antigo namorado que tem uma agência de segurança e o contratou

para me encontrar e me tirar de lá.

A história ficava mais fácil de contar a cada palavra e, logo, elas estavam fluindo. Contei tudo a Martina. De ter certeza de que seria

estuprada quando fui arrastada para fora da cela, para ver os homens

morrerem naquele corredor. Contei a ela sobre Eoin fingir que eu era uma prostituta e como eu o beijei. E mais.

Também contei tudo o que aconteceu depois que cheguei em casa. Todo o caminho até sair da casa dos meus pais e aparecer no

trabalho dela. Quando terminei, me senti surpreendentemente

melhor, como se tivesse me purgado de algo que estava me deixando doente.

Reaqueci minha comida e comi enquanto Martina pensava nas coisas em silêncio. Finalmente, quando eu estava terminando, ela se aproximou e colocou sua mão na minha.

— Estou tão feliz que você esteja segura.

Com um sobressalto, percebi que ninguém havia me falado daquela forma. O alívio e alegria em me ver em casa em segurança

foram genuínos, mas sempre foram tingidos com uma pitada de exasperação, como se eu tivesse algum nível de responsabilidade pela

cadeia de eventos.

Talvez tenha sido inconsciente por parte da minha família, e eu sinceramente esperava que fosse o caso, mas de qualquer forma, isso

apenas provou que eu fiz a escolha certa ao partir.

Coisas precisavam mudar.

TRÊS EOIN Não foi assim que imaginei o final da minha primeira semana

oficial no meu novo emprego. Depois que Freedom foi embora, esperei

que Cain me dissesse que estava despedido. Em vez disso, ele caiu de volta na cadeira de Bruce e suspirou.

— Chega de foder clientes... ou suas irmãs. — Ele apoiou a cabeça nas costas da cadeira e fechou os olhos.

— Nunca mais — prometi. — Eu terminei com as mulheres no futuro próximo. Não valem a pena.

Ele ergueu a cabeça e abriu um olho. — Você está esquecendo com quem está falando. Eu namorei uma mulher Mercier. Elas valem

muito.

Eu soltei um suspiro exasperado. — Sem tanto problema.

Ele encolheu os ombros e abaixou a cabeça. — Espere e veja. Elas são muito mais viciantes do que você pensa. Eu namorei Freedom por

cerca de três meses e, então, pouco antes de receber minha nova

designação, ela me largou. Levei quase um ano para superá-la.

Merda.

— Não é o mesmo — eu insisti. — Aline e eu, não éramos assim.

Poderia ter sido, se as coisas não tivessem sido uma merda toda vez que eu estava com ela. Eu dormi com a mulher três vezes, e todas

às vezes, o inferno desabou logo depois. Quanto melhor o sexo, mais

loucas as coisas ficam.

— Mm-hm. — Não parecia que ele acreditava em mim, mas eu

não tinha tanta certeza se acreditava em mim também.

Ele parecia que ia tirar uma soneca, o que estava bom para mim porque eu não estava com vontade de falar. Minha mente já estava

fodida por causa do que aconteceu no fim de semana, e a visita de Freedom não ajudou muito. Eu precisava colocar minha cabeça no

lugar e me concentrar em meu futuro, não na última coisa que Aline

tinha feito para se meter em problemas.

Eu não estava pensando por muito tempo quando meu telefone tocou. Uma rápida olhada na tela me disse que era Israel McCormack,

o pai de Léo. Se ele estava me ligando durante a semana, algo estava acontecendo.

— Olá?

— Eu odeio incomodar você no trabalho, garoto, mas... — Sua voz

falhou. — Nana Naz... Ela está no hospital.

Eu me levantei tão rápido que minha cabeça girou. — Ela está...

O que aconteceu?

— Não sei. Os médicos não me deixaram ficar com ela enquanto fazem exames.

Eu nunca o tinha ouvido assim. Eu não estava lá quando ele recebeu a notícia sobre Léo, mas ele não estava sozinho. Ele teve Nana

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