Graham era o CEO de uma renomada empresa. A Price & Pierce fora herdada por seu pai, e seu pai a herdou de seu pai. Era um negócio de família que começou pequeno e se tornou grandioso, logo ocupando um lugar importante nos tabloides e virando sinônimo de sucesso. Com o passar dos anos, Graham aprendeu que a melhor maneira de ser bem-sucedido era ignorar suas fraquezas e elevar o seu nível social. Viver à sombra de seu pai era motivo de decepção. A maior parte de sua vida Graham buscou o apoio do pai, mas agora isso não importava muito. Ele se tornou ainda melhor que seu pai, ainda mais bravo e valente, ocupando o topo da empresa. Mas era claro que seu pai não confiaria o império tão facilmente. Por isso ele deixou alguém que ficaria de olhos bem abertos.
Vivian era a secretária de seu pai; prestativa e muito bem organizada, esperta e atraente. Grant, o pai de Graham, achou que podia controlar o próprio filho se ele fosse seduzido por Vivian. Bom, isso quase aconteceu, exceto por Graham sofrer um acidente no seu aniversário e conhecer uma enfermeira doce e atenciosa, por quem se apaixonaria. Talvez isso foi de fato o que fez tudo mudar. Graham tinha um caso com Vivian, mas aquilo nunca passou de sexo. Ele tinha deixado bem claro que era apenas isso, mas ela nunca entendeu muito bem por que ele preferiu uma enfermeira do que ela, a protegida de seu pai.
Para Graham, a resposta estava bem debaixo de seu nariz.
Ele odiava ser controlado.
Odiava qualquer método que o obrigasse a viver sob as rédeas de alguém. Foi por isso que ele decidiu se tornar melhor que seu pai. Não era uma competição, mas se fosse, Graham ganharia. Ele viveu toda a sua vida em busca disso e, quando finalmente alcançou o que sempre quis, percebeu que o gosto não era tão bom.
— No que está pensando? — Perguntou Vivian, sentada à cadeira na frente da mesa de Graham, que por sua vez estava virado para as janelas que tocavam o chão. Todo o seu escritório era aberto, e a vista era de tirar o fôlego. Ele nunca gostou daquele lugar, mas ocupar a cadeira e o cargo em que estava precisava de alguns desafios, a começar por ter que tolerar Vivian.
— No que acha que estou pensando? — Perguntou ele, virando para ela.
— Graham, eu sei que nos afastamos desde que o seu pai morreu, mas quero que saiba que tem todo o meu apoio. Eu sei que tudo está diferente agora e que somos praticamente estranhos um para o outro… — ela disse. Graham olhou para ela como se estivesse prestes a dormir.
— Espero que a sua viagem tenha sido divertida — ele alinhou o terno e se ergueu. Ela o acompanhou com os olhos e sorriu. — Você sabe que eu não tolero qualquer tipo de confronto. O que você fez foi imperdoável.
— Eu só tentei consertar as coisas — disse ela.
Graham virou para Vivian e a fuzilou com o olhar. Ele não sabia o jeito exato de as mulheres pensarem, mas ela com certeza devia ser estranha até para os padrões femininos. Ele a encarou, esperando que Vivian continuasse, mas ela retribuiu seu olhar.
— O que está fazendo aqui, afinal?
— Ouvi dizer que encontrou uma babá — ela também se ergueu e se aproximou dele. — E que ela é adorável. — Os olhos azuis de Vivian se incendiaram. Ela pousou uma mão no peito de Graham e olhou nos olhos dele. — Você não vai seduzi-la, vai? Mesmo que fosse, o que iria fazer? Você é um homem incompleto. Parte sua está enterrada junto ao corpo cadavérico da sua mulher. — O sorriso que os lábios de Vivian desenharam doeu como uma faca enfiada no coração de Graham. Ela estava certa. Parte dele estava mesmo morta. Parte dele, Graham nem tinha certeza, estava enterrada. Ele respirou fundo e a encarou. Era somente o que podia fazer. Ela estava enganada. — Para um homem incompleto, você é bem pervertido — ela sussurrou ao ouvido dele, levando a mão até a sua virilha. — Que adorável — Vivian continuou, ouvindo a respiração de Graham, que tentava se controlar. Vivian era uma mulher muito bonita, com cabelos loiros, olhos azuis e um corpo escultural. Ela fazia qualquer homem cair em seus encantos, e não importava o que quisesse, sempre conseguia. Ele não tinha medo dela porque ela era perigosa, mas sim porque, em algum momento, ela realmente se apaixonou por ele. — Ah, Graham… você vai mesmo fazer isso comigo?
— Pare — ele disse, uma veia saltou em seu pescoço.
— Por que eu devo fazer isso? — Ele pegou o pulso dela com força. Vivian sorriu. — Finalmente!
Ele não sabia exatamente, mas Vivian ainda parecia cultivar algum tipo de interesse. Logicamente, Graham não fazia ideia. O que tinham já havia acabado. Na verdade, Graham nunca sentiu nada por ela.
— Certo — ela finalmente recuou. Vivian se afastou. — Você venceu. Eu não gosto de insistir. Achei que só queria um pouco de diversão. Nós sabemos que você tem um gosto um pouco estranho, não é mesmo?
— Eu não posso tocar em ninguém — ele disse. — Não posso fazer sexo com outra mulher. Eu a amava, prometi a mim mesmo que não tocaria em mais ninguém depois dela.
— Ela está morta, Graham. Você está vivo. Muito vivo, aliás. Seus métodos são estranhos, admito. Não pode prometer a uma morta nunca tocar em outra mulher.
— Você não entende.
— É claro que eu não entendo. Nunca entendi, na verdade. Espero que se divirta. Deve ser um pouco difícil fazer tudo isso sozinho, mas… Bom, você é criativo.
Vivian tinha retornado de uma viagem depois de anos fora. Ela foi embora antes de seu pai adoecer e morrer lentamente em um leito de hospital, e agora estava de volta, exigindo o que nunca teve. Ela não conseguia entender por que Graham escolheu uma mulher como Layla. Não conseguia entender por que ele se apaixonou por ela.
De toda forma, ele não se importava com isso.
Não iria quebrar a promessa que fez.
Mas Vivian estava certa.
Haviam outras formas de ter prazer.





