Casamento Relâmpago com o Pai da Minha Melhor Amiga

A cafeteria do campus estava barulhenta, uma mistura caótica de máquinas de expresso sibilando e estudantes reclamando das provas de meio de período.

Eliza sentou-se no reservado do canto, agarrando um latte como se fosse uma tábua de salvação. A cafeína estava fazendo suas mãos tremerem ainda mais, mas ela precisava dela para combater a névoa em sua mente.

Azalea estava sentada à sua frente, rolando o feed do Instagram com uma careta.

— Todo mundo está falando sobre como você sumiu — disse Azalea, sem levantar o olhar. — Claudine está postando frases passivo-agressivas sobre "lealdade" e "'o lixo se jogando fora'".

Eliza estremeceu. Uma gota de espuma caiu em seu polegar. — Deixa ela falar.

— Ah, eu estou deixando — disse Azalea, sombria. — Estou comentando com emojis de vômito em cada postagem dela.

Eliza pegou um guardanapo para limpar a mão. Ao se mover, o cachecol de caxemira que usava escorregou um pouco para o lado.

Azalea ofegou.

O som foi tão alto que duas pessoas na mesa ao lado se viraram. Azalea deixou o celular cair na mesa com um baque.

— Eliza! O que é isso no seu pescoço?

A mão de Eliza voou para a garganta. Ela sentiu o ponto sensível logo abaixo da orelha. Um hematoma escuro e arroxeado contra sua pele pálida.

Ela o tinha visto no espelho naquela manhã e tentara não pensar nisso. A lembrança da noite anterior era nebulosa, obscurecida pelo álcool. Ela se lembrava de ter tropeçado. Lembrava-se de Dallas a segurando. Teria ele a segurado com muita força? Ou foi... outra coisa? Ela não tinha certeza, e a incerteza era aterrorizante.

— Não é nada — gaguejou Eliza, puxando o cachecol para cima. — A porta do carro me atingiu quando eu estava saindo hoje de manhã.

— Besteira — sibilou Azalea, inclinando-se sobre a mesa. Seus olhos estavam arregalados, predatórios. — Isso não é uma porta, é um chupão. Um chupão de primeira, possessivo, do tipo "fique longe dela". Quem é ele?

O coração de Eliza martelava contra suas costelas. Ela não podia dizer *Seu pai*. Ela absolutamente não podia dizer isso.

— É... complicado — disse Eliza, olhando para sua xícara. — Um cara mais velho.

As sobrancelhas de Azalea se ergueram. — Mais velho? Tipo... da idade do Anson?

— Mais velho — sussurrou Eliza.

Azalea abriu a boca para gritar, mas seu telefone a interrompeu. Começou a tocar, vibrando violentamente contra a mesa de madeira.

O identificador de chamadas piscou: The Bank.

Era o nome de contato dela para Dallas.

Azalea atendeu imediatamente, sua postura se endireitando instintivamente. — Sim, papai?

Eliza prendeu a respiração. Ela podia ouvir o som grave e profundo da voz de Dallas do outro lado, embora não conseguisse distinguir as palavras. Apenas o som fez os pelos de seus braços se arrepiarem.

Azalea franziu a testa. — Agora? Mas temos aula em uma hora.

Ela ouviu por mais alguns segundos, depois suspirou. — Ok. Tudo bem. Estamos indo.

Ela desligou e olhou para Eliza, confusa.

— Ele nos quer na loja principal, no centro.

O estômago de Eliza despencou. — Nós duas?

— Sim. Ele disse que você precisa de um "traje apropriado" para um jantar hoje à noite.

— Jantar? — guinchou Eliza.

— Aparentemente. — Azalea pegou sua bolsa. — Vamos. Não se deixa The Bank esperando.

Elas voltaram para o estacionamento. O Aston Martin prateado reluzia ao sol, atraindo olhares de um grupo de caras de uma fraternidade.

Eliza destravou o carro. Ela deslizou para o banco do motorista, o couro se moldando ao seu corpo. Apertou o botão de partida e o motor rugiu, um rosnado gutural que vibrava pelo assoalho.

— Você vai se acostumar com a vida de luxo, eventualmente — riu Azalea, afivelando o cinto de segurança.

Eliza saiu do estacionamento, entrando na avenida principal em direção à cidade. O perfil dos prédios se erguia à frente, torres de vidro refletindo o sol da tarde.

Ela olhou seu reflexo no espelho retrovisor. Ajeitou o cachecol novamente, garantindo que a marca estivesse coberta.

Fosse um hematoma ou... outra coisa, Dallas havia deixado uma marca nela. E ele havia feito isso em um lugar difícil de esconder.

Parecia uma marca.

De repente, a tela do painel se acendeu. Eliza havia pareado seu celular com o Bluetooth do carro mais cedo.

Uma notificação de mensagem de texto apareceu no console central, enorme e inegável.

Remetente: Anson Hyde

Mensagem: Pare de joguinhos. Volte para casa. Seu lugar é aqui.

Azalea viu. Ela soltou um assobio baixo.

— Ele é obcecado — disse Azalea, balançando a cabeça. — É realmente assustador. Ainda bem que você tem um novo "homem mais velho" para te distrair.

Eliza apertou o volante com mais força. — É. Ainda bem.

Ela dirigiu mais rápido, colocando distância entre si e a universidade, entre si e Anson. Mas estava dirigindo diretamente para o homem que havia colocado um anel em seu dedo e uma marca em seu pescoço.

E ela não tinha a menor ideia de qual era o jogo dele.

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