Atraída Pelo Mafioso

Nos dias seguintes à revelação de Alessandro, Mariana sentiu que vivia em uma realidade paralela. A imagem de um mundo perigoso e cheio de mistérios começava a se sobrepor à vida tranquila que ela conhecia. Cada olhar, cada palavra de Alessandro trazia consigo um novo vislumbre de uma vida que, até então, ela só conhecia por livros ou filmes.

Apesar das dúvidas e dos temores que surgiam em sua mente, Mariana não conseguia afastar-se de Alessandro. Havia uma força inexplicável que a mantinha ligada a ele, uma conexão que ia além da simples atração física. Era como se, de alguma forma, o destino a tivesse levado até ele, para que ela descobrisse algo mais profundo sobre si mesma e sobre o mundo.

Mas a decisão de continuar ao lado de Alessandro não foi fácil. Naquela noite, depois de sair da mansão dele, Mariana mal conseguiu dormir. O peso do que tinha descoberto pairava sobre ela como uma nuvem sombria. Ela passou horas acordada, revivendo cada detalhe do que havia visto no porão de Alessandro: os homens, os mapas, os sussurros de conspirações que pareciam envolvê-lo em um emaranhado de segredos.

Na manhã seguinte, Luísa percebeu imediatamente que algo estava errado. Mariana chegou ao trabalho com olheiras profundas e uma expressão distante, como se estivesse presente fisicamente, mas sua mente estivesse em outro lugar. Luísa tentou puxar conversa, mas Mariana permaneceu evasiva, não querendo revelar os detalhes do que havia descoberto.

— Mar, você está bem? — perguntou Luísa, com um tom de preocupação genuína.

Mariana forçou um sorriso, tentando afastar as preocupações da amiga.

— Estou, Lu. Só uma noite mal dormida. Coisas demais na cabeça.

Luísa não parecia convencida, mas decidiu não insistir. Mariana sabia que, em algum momento, teria que contar a verdade para sua amiga, mas ainda não estava pronta. A verdade era que ela mesma ainda estava processando tudo o que tinha acontecido.

Durante o trabalho, Mariana se viu incapaz de se concentrar. Os pensamentos sobre Alessandro e o que ele havia revelado consumiam sua mente. A imagem do porão, dos homens que trabalhavam para ele, não a deixava em paz. Mas, ao mesmo tempo, havia uma parte dela que sentia uma excitação irracional, como se estivesse prestes a embarcar em uma aventura perigosa e irresistível.

No final do dia, enquanto saía do escritório, Mariana recebeu uma mensagem de Alessandro. Ele queria vê-la novamente, e dessa vez, o tom da mensagem era mais urgente.

"Precisamos conversar. Hoje à noite, na minha casa. Estarei esperando."

Mariana sentiu um arrepio correr pela espinha. A urgência na mensagem a deixou inquieta, mas ela sabia que não conseguiria recusar o convite. Havia uma parte dela que queria fugir, esquecer tudo e voltar à sua vida pacata, mas outra parte – aquela que se sentia atraída pelo desconhecido – sabia que não poderia simplesmente se afastar.

Quando chegou à mansão de Alessandro naquela noite, o ambiente parecia diferente. Havia uma tensão no ar que ela não conseguia identificar, algo que deixava tudo mais pesado, mais sombrio. Alessandro a recebeu na porta, sua expressão séria, sem o sorriso que ela estava começando a se acostumar.

— Obrigado por ter vindo — disse ele, guiando-a para dentro.

Mariana notou que a mansão estava mais movimentada do que da última vez. Havia mais homens circulando, todos com expressões tensas e focadas. Ela sentiu um nó se formar em seu estômago, uma sensação de que algo ruim estava prestes a acontecer.

— Alessandro, o que está acontecendo? — perguntou ela, tentando manter a calma.

Alessandro a levou até a sala onde haviam conversado da última vez. Ele gesticulou para que ela se sentasse, mas permaneceu de pé, andando de um lado para o outro, claramente perturbado.

— A situação se complicou mais rápido do que eu esperava, Mariana — começou ele, com um tom grave. — Eu não queria envolvê-la nisso, mas agora que você sabe, preciso que esteja ciente dos riscos.

— Que tipo de riscos? — perguntou Mariana, sentindo o coração acelerar.

— Há pessoas que sabem da sua existência, pessoas que não gostariam que eu tivesse uma fraqueza. E, para elas, você é essa fraqueza, Mariana.

Mariana sentiu um calafrio. Ela sabia que estar perto de Alessandro a colocava em perigo, mas ouvir isso de forma tão direta era aterrorizante.

— Eu não quero que você corra risco algum, mas eu também não posso mais te deixar fora disso. Há uma guerra acontecendo, uma guerra que vai além do que você pode imaginar. E, se você continuar ao meu lado, precisará estar preparada para as consequências.

Mariana estava prestes a responder quando a porta da sala se abriu abruptamente, e um dos homens que ela havia visto antes entrou, com uma expressão tensa.

— Alessandro, temos um problema. — O homem falou rapidamente, olhando de relance para Mariana.

— O que foi, Dante? — Alessandro perguntou, claramente irritado com a interrupção.

— Eles estão se movendo mais rápido do que prevíamos. Nossos informantes dizem que um ataque pode ocorrer a qualquer momento.

Mariana sentiu o chão tremer sob seus pés. Um ataque? Quem eram essas pessoas? Ela olhou para Alessandro, esperando alguma explicação.

— Preciso cuidar disso agora — disse Alessandro, virando-se para Mariana. — Vou mandar alguém te levar para um lugar seguro.

— Não! — Mariana respondeu rapidamente, surpreendendo a si mesma. — Eu não quero ser protegida. Quero saber o que está acontecendo, quero estar ao seu lado.

Alessandro hesitou, claramente dividido entre o desejo de protegê-la e a necessidade de manter a situação sob controle.

— Mariana, isso não é um jogo. Essas pessoas não hesitarão em machucar você para chegar até mim.

— Eu sei disso, Alessandro. Mas eu fiz a escolha de ficar ao seu lado, e não vou voltar atrás agora.

Os olhos de Alessandro se suavizaram por um momento, e ele deu um passo em direção a ela, segurando suas mãos.

— Eu prometo que vou fazer tudo para te proteger, mas você precisa confiar em mim.

Mariana assentiu, embora o medo ainda estivesse presente em seus olhos.

— Eu confio em você.

Alessandro fez um gesto para que o homem, Dante, esperasse do lado de fora. Assim que ficaram sozinhos, ele se aproximou de Mariana e a puxou para um abraço apertado. Mariana sentiu o calor do corpo dele, o batimento forte do coração, e, apesar de toda a tensão, Alessandro segurou Mariana firme em seus braços, como se temesse que ela pudesse desaparecer a qualquer momento. Sentindo o calor dele ao seu redor, Mariana fechou os olhos, tentando encontrar conforto no toque daquele homem que, apesar de toda a escuridão que o cercava, fazia com que ela se sentisse segura.

— Eu não sei onde tudo isso vai nos levar — sussurrou Alessandro, a voz grave e carregada de preocupação. — Mas não vou permitir que nada te machuque.

Mariana se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dele. Havia uma determinação silenciosa ali, uma promessa de que ele lutaria até o fim para mantê-la a salvo.

— Eu sei que não é fácil, Alessandro — respondeu ela suavemente. — Mas eu escolhi estar aqui, ao seu lado, e vou enfrentar o que vier. Não estou com medo de você, nem do que você representa.

Ele a observou por um longo momento, e então inclinou-se, beijando-a com uma intensidade que fez o coração de Mariana acelerar. O beijo era uma mistura de paixão, medo e uma promessa silenciosa de que, juntos, enfrentariam qualquer perigo que estivesse à espreita.

Quando se separaram, Alessandro respirou fundo, como se estivesse se preparando para a batalha que sabia que viria.

— Vamos sair daqui — disse ele, decidido. — Vou levá-la para um lugar seguro, mas desta vez, ficaremos juntos.

Mariana assentiu, sabendo que, ao lado de Alessandro, estava entrando em um mundo de sombras e incertezas, mas disposta a seguir em frente, seja qual fosse o preço.

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