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Aprisionada nas Arábias
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Aprisionada nas Arábias

8.9
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Em Aprisionada nas Arábias, Ashilley é leiloada como cativa até que um cavaleiro misterioso a resgata rumo ao deserto. Este romance repleto de perigos traz uma adventure story intensa, onde a protagonista enfrenta um destino incerto entre nômades. Leia esta fiction fantasy romance books agora.

Capítulo 1 de Aprisionada nas Arábias

Ashilley Hilden sentou-se próximo à fogueira do acampamento, procurando se aquecer. Ao seu lado encontravam-se dois homens, que a luz do fogo iluminava em um vago tom dourado.

— Não é espantosa a rapidez com que esfria no deserto? — ela comentou com os companheiros. — Parece impossível que aqui seja tão quente durante o dia e tão frio à noite.

O mais jovem dos rapazes voltou-se para ela com um sorriso Sarcástico.

— Isso não devia surpreendê-la. Não é assim com sua vida também? — O olhar dele percorreu-lhe o corpo como se quisesse tirar-lhes as roupas, usava shorts jeans e uma camisa branca de algodão.

Os olhos verdes de Ashilley brilharam de raiva. Will Kennet havia sido desagradável desde que iniciaram a viagem a Yahren, o pequeno país desértico no Norte da África. Ela chegou à conclusão de que ignorá-lo era a melhor coisa que tinha a fazer. Levantou-se e dirigiu um sorriso para o homem mais velho.

— Boa noite, Roby. Eu vou me deitar.

— Eu também vou, embora não me seja nada agradável a ideia de voltar àquela barraca abafada. Ainda bem que estamos quase terminando o trabalho! Já não suporto mais este clima.

Ashilley tinha uma grande afeição por Roby Ricks, embora o conhecesse há pouco tempo. Olhou para ele com ar preocupado, notando-lhe a palidez do rosto. De certo modo, sentia-se culpada pelo desconforto do colega, uma vez que era a responsável por ele permanecer no acampamento. A parte de Roby no trabalho já estava encerrada e ele poderia voltar para casa, mas decidiu ficar apenas para não deixá-la sozinha com Will naquele local isolado.

Se não fosse pelas atitudes atrevidas e insistentes de Will, aquela seria uma missão maravilhosa. 

Quando o editor da revista Architectural World entrou em contato com ela na pequena faculdade em que trabalhava, em Maryland, nos Estados Unidos, Ashilley havia ficado entusiasmada. Toda a comunidade arqueológica estava excitada com a descoberta de uma tumba datada da época dos faraóis na longínqua Yahren, já que aquela era a primeira descoberta do gênero que foi do Egito. A múmia e todos os objetos encontrados nas salas funerárias ainda estavam sendo avaliados por especialistas e, portanto, foi um feito notável a Architectural World ter obtido permissão para fotografar a tumba antes de ela ser liberada para exposição.

Roby era editor da prestigiosa revista e encarregou-se da missão. Will seguiu como fotógrafo e Ashilley, na função de arqueóloga, deveria examinar a estrutura das salas e determinar qual teria sido o uso de cada uma delas. A reportagem seria o destaque de um dos próximos números da publicação.

Após deixar a fogueira naquela noite, Ela entrou na barraca e certificou-se de fechá-la com cuidado antes de começar a tirar as roupas. Will parou de tentar partilhar de sua cama, mas ela não tinha dúvidas de que o rapaz não hesitaria em dar uma espiada se encontrasse uma brecha na lona. Vestiu a camisola e desmanchou a longa trança em que prendia os cabelos. Soltas, as mechas loiras caíam sedosas sobre seus ombros, emoldurando as linhas delicadas do rosto de beleza clássica. O tecido fino exibia com perfeição o corpo bem feito e curvilíneo, mas não a protegia da temperatura baixa da noite, e ela não tardou a enfiar-se no aconchegante casulo de cobertores sobre a cama baixa.

Um ruído acordou Ashy no meio da noite. O luar entrando pela abertura da tenda revelou um homem usando o longo traje típico dos árabes. Ashilley sentiu o ódio arder o seu rosto, pensando que daquela vez Will tinha ido longe demais!

Ela sentou-se na cama e puxou o cobertor até o queixo.

— O que você pensa que é? O sheik das Arábias? Se não sair daqui agora mesmo eu vou começar a gritar!

Quando ela estendeu o braço em busca da lanterna, o homem segurou-a pelo pulso. Chocada, Ashy descobriu que não era Will! A pessoa de pé à sua frente era um árabe dos desertos, que ela, às vezes, via a distância. As tribos nômades nunca os haviam perturbado, mas eles tinham sido avisados para ter cuidado quando acampassem em regiões isoladas.

Ashilley saltou o braço e pulou da cama, gritando por socorro enquanto corria para a entrada da tenda. Porém, um outro homem, maior ainda do que o primeiro, bloqueou-lhe o caminho, segurou-a pela cintura e levantou-lhe o queixo, de modo que a lua iluminasse seu rosto amedrontado. Disse algo em uma língua que ela não compreendeu e os dois estranhos riram.

O coração de Ashilley pulava dentro do peito, enquanto os árabes a devoravam com um olhar malicioso.

— Tire as mãos de mim! Eu sou uma cidadã americana, entenderam? — Ao ver que suas palavras não surtiam efeito, ela entrou em pânico. — Eu lhes darei dinheiro ou qualquer coisa que tiver aqui na tenda! Por favor, soltem-me!

O homem que a segurava pela cintura pareceu compreendê-la, mas o alívio de Ashilley durou pouco.

— Nós levamos dinheiro e levamos você, também. — Os olhos dele brilharam ao examiná-la da cabeça aos pés.

— Vocês vão ter problemas se não saírem daqui. Meus amigos têm armas. — "Onde estariam Roby e Will?", ela pensou, desesperada. "Não teriam percebido o movimento?” 

Obteve a resposta quando o homem colocou-a sobre o ombro e carregou-a para fora. Roby e Will estavam deitados no chão e amarrados.

— Sinto muito, Ashy — murmurou Roby. — Eles nos dominaram antes que percebêssemos que estavam dentro da tenda. 

— Não posso acreditar — ela disse, debatendo-se sem sucesso. — O que vou fazer agora?

— Eles não ousarão machucá-la. Tenho certeza de que vão levá-la apenas para pedir um resgate. — A voz de Roby não parecia muito convicta. — Pagaremos qualquer coisa para tê-la de volta — disse ele aos homens, que o ignoraram.

Ashilley foi atirada sobre a sela de um dos dois cavalos que esperavam. Sem mais uma palavra, os raptores montaram e levaram-na através do deserto.

Aquele foi o início de três dias de ansiedade e medo. Ela foi conduzida ao acampamento dos árabes, um amontoado de tendas que abrigava homens, mulheres e crianças. Uma infinidade de animais domésticos andava entre as barracas. Ao ver o lugar tão calmo, ela sentiu-se mais aliviada. Era certo que eles não a molestariam na presença de suas famílias!

No mesmo instante, os homens juntaram-se em torno dela. Tocaram-lhe o cabelo, sentindo a textura e o comprimento. Depois, tentaram tocar-lhe o corpo, mas Ashilley os repeliu com fúria. Os árabes não insistiram, apenas riram entre si.

Após muita conversa, da qual ela não entendeu nada, Ashilley foi levada para uma grande tenda e entregue aos cuidados de várias mulheres, que pareciam tão interessadas nela quanto os homens. Elas mexiam nos laços da camisola e examinavam um pequeno anel de ouro em seu dedo.

— Eu o darei a vocês se me ajudarem a sair daqui — tentou Ashy, sem ser ouvida.

Deitou-se, imóvel, sobre o tapete que as mulheres lhe indicaram, tentando imaginar qual era sua situação. Talvez Roby estivesse com a razão e aquelas pessoas apenas quisessem um resgate. Se tivessem mais alguma coisa em mente, já a teriam feito, em vez de alojá-la com as mulheres.

Ainda assim, não gostava da maneira como os homens a fitavam. Quem poderia garantir que eles a libertariam depois de receber a quantia que pedissem?

Na manhã seguinte, Ashilley recebeu um kaftã para vestir, o que, pelo menos, permitiria que saísse da tenda para avaliar suas chances. Porém, as mulheres a seguiam por toda parte, sem que ela soubesse se obedeciam ordens ou apenas estavam curiosas. Não podia falar com as pessoas porque ninguém no acampamento compreendia sua língua, exceto o homem que a raptou, cujo nome descobriu ser Akmed, e que havia desaparecido do local. Ele voltou após três dias e parecia satisfeito.

Ashy apressou-se em enfrnta-lo.

— O que vão fazer comigo? Não podem me manter aqui para sempre.

— Você não está feliz? Não se preocupe, irá embora logo. Aquelas palavras, no entanto, não a convenceram. De fato, quando as mulheres a levaram à tenda e começaram a despi-la, ela soube que a situação estava piorando.

Ashilley resistiu como pôde, decidida a não tornar a tarefa fácil para as mulheres.

O esforço, porém, foi em vão, pois minutos depois encontrava-se nua no meio do aposento. Elas, então, a vestiram com calças largas de tecido fino e esvoaçante, presa na altura dos quadris por um cós de lantejoulas que lhe deixava o umbigo à mostra. Um sutiã faiscante completava o traje, expondo grande parte dos seios firmes.

Ashilley olhou para si própria, incrédula. Parecia uma dançarina árabe... ou uma noiva nativa. Seria possível que a fariam se casar com um daqueles homens do deserto? Uma onda de pânico subiu-lhe à garganta, quase a sufocando.

Após lhe pentearem os longos cabelos claros, arrumando-os em torno dos ombros nus, as mulheres fizeram Ashy sair da tenda, colocaram-na sobre uma mesa que havia sido armada no centro do acampamento e se retiraram.

Havia uma atmosfera de excitação entre os homens que se agruparam em torno do palanque improvisado. Os olhos escuros brilhavam com avidez quando eles a examinavam como se fosse uma peça de mercadoria:

De repente, Ashilley compreendeu o que se passava. "Ia ser vendida!", refletiu: os três dias de espera haviam sido necessários para contatar todos os chefes locais. Seria leiloada como uma escrava! Como aquilo poderia estar acontecendo com ela? Olhou os homens morenos que a devoravam com o olhar e sentiu enjoos.

Os lances se iniciaram logo, com os árabes empurrando-se uns aos outros e acenando os braços para chamar atenção. Akmed era um leiloeiro astuto e passava todo o tempo afagando os longos cabelos loiros de Ashilley e apontando para várias partes de seu corpo, para elevar as ofertas.

Todos estavam tão concentrados no leilão que não notaram a aproximação de um retardatário. Olharam-no com surpresa quando ele, montado em um imponente cavalo negro, misturou-se à multidão de compradores. Vestia um caftã de brancura imaculada, em contraste com às roupas puídas usadas pelos outros homens. O kaffiyeh que levava à cabeça, preso à testa por um cordão, escondia grande parte de seu rosto, mas Ashy calculou que ele devia ter cerca de trinta e cinco anos. Os olhos castanhos escuros estavam apertados e sérios.

Embora irradiasse poder e arrogância, havia no recém-chegado alguma tensão ao observar atentamente o grupo que a cercava. Ashilley perguntou-se o que poderia preocupar um homem tão audacioso. Com certeza, não seria medo.

Quando os olhos dele passearam com admiração sobre seu corpo semi despido, ela estremeceu. Não havia dúvida quanto à significação daquele olhar: também veio para participar do leilão. A voz dele soou com determinação ao falar em voz alta na estranha língua nativa.

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