Apocalipse Nuclear Volume 2

Richard estava sentado no chão, ao lado de seu pai morto, completamente desorientado, não conseguia escutar direito, havia um zumbido em seus ouvidos, uma mão toca seu ombro, era Cobra e ao olhar ao redor vê as outras pessoas da Comunidade, eles estavam falando algumas coisas, mas Richard não conseguia os ouvir, até que Lice toca em seu rosto suado e fala.

— Richard!!! Está me escutando?

Ele estava sem expressão, já tinha chorado muito, olhou ao redor de devagar e viu Victor carregando Mike para dentro da Comunidade, sua filha chorando nos braços de Jade e os outros ao redor de seu pai, com a audição voltando aos poucos ele ouviu.

— Ele .... ele está morto?

— Quem o deixou sair?

— Como essas crianças saíram?

Ao longe um grito desesperado, era de Maria ao ver o corpo do amigo, ela começa a chorar desesperadamente. Cobra e Lice ajudam Richard a se levantar e os outros levam o corpo de José para dentro da Comunidade para enterra-lo. Dentro da comunidade após terem cavado um buraco num canteiro, eles colocam o corpo de José enrolado em um lençol branco, todos da Comunidade estavam presentes então, um homem que trabalhava com enterros resolve dar algumas palavras.

— José era um bom homem, chegou a nós não faz muito tempo, mas, já conseguiu seu lugar no coração de muitos aqui, sempre feliz mesmo com sua limitação, que deus acalme o coração dos familiares —pegou um pouco de terra e despejou na cova— descanse em paz amigo, que Deus o tenha!

Todos fizeram o mesmo ato e Richard que foi o último, pegou uma pá e começou a enterrar seu pai, Cobra chega nele e fala.

— Ei amigo, você está cansado, deixa eu te ajudar.

Richard olha feio para Cobra e continua.

— Ok Ri, se precisar sabe onde nos encontrar.

Após terminar de enterrar, ele pega dois pedaços de madeiras e alguns pregos, faz uma cruz e enfinca na terra, com uma faca ele escreve na madeira: José de Castro, assim terminando o túmulo de seu pai. Indo para casa começa a chover e ao chegar nela, Julia estava cabisbaixa sentada no sofá, mas percebe seu pai e tenta ir até ele.

— Pai...eu...

Richard não dá atenção e vai direto pro banho, enquanto Julia senta no sofá de novo e chorando fala baixinho.

— Desculpa.

No dia seguinte, Richard arruma suas coisas como arma, munição e facão, então ele sai, mas se depara com Maria e a mesma começa a falar com seus olhos verdes cheios de lágrimas.

— Richard...desculpa....a culpa é minha, por favor Richard, eu quis leva-lo para casa, mas ele queria ir sozinho então por favor, por favor me desculpe!

Richard só olha para a mulher em prantos e segue seu caminho sem falar nada, entra em um carro e se vai para fora da Comunidade. Ao andar por algumas horas ele para em um lugar com algumas casas e muitos infectados, põe sua máscara pega seu facão com a mão direita, seu 38 com a esquerda e vai pra cima dos infectados matando um por um que havia ali, esquivando e dando facadas e até tiros quando juntavam ou quando o facão estava ocupado, ao final do dia ele retorna a Comunidade alguns perguntam onde ele esteve, mas Richard não quebra seu silêncio e ao chegar sua filha tenta abraça-lo para conversar mas ele a empurra fazendo a correr chorando para seu quarto, Richard repetiu isso por três dias e incansavelmente Maria tentava se desculpar com ele todos os dias, até que em um dia Richard estava saindo e Maria veio até ele e disse:

— Richard pelo amor de Deus me desculpe eu...

Richard para de caminhar se vira com ódio no olhar e grita.

— CALA A BOCA!

Maria se cala imediatamente e Richard fala gritando.

— VOCÊ FICA TODO DIA DIZENDO QUE A CULPA É SUA, PRA EU TE PERDOAR, QUE PODERIA TER FEITO DIFERENTE. FIZESSE DIFERENTE! AGORA NÃO ADIANTA FICAR CHORANDO E ENCHENDO A PORRA DO MEU SACO. SÓ PARA OK?

Maria calada e chorando, abaixa a cabeça e se vai, enquanto Richard faz seu trajeto de sempre, até que é parado por Mike que estava com a mão e a perna enfaixada, com dificuldades para andar ele fala.

— Onde você tem ido todos esses dias Richard?

— Não interessa!

Mike fica entre Richard e o carro e fala.

— A se interessa, você magoou a Maria e está deixando todos preocupados.

— Ao invés de ficarem preocupados comigo, deveriam estar preocupados com os fanáticos que podem nos atacar a qualquer momento, olha como eles te deixaram!

— Não é ficando calado e sendo grosso com as pessoas que você vai ajudar contra os fanáticos e pra onde você vai todo dia?

— A pergunta é: onde está Isa? Você não foi mais vê lá, nem sabe se ela está lá ainda!

— Ela está bem Richard, é um lugar escondido.

— Quem garante? Aqueles filhos da puta estavam nos esperando, sabiam que estaríamos lá

Mike fica sem palavras e Richard se vai mais uma vez. Parando o carro em um lugar onde nunca esteve antes ele avista alguns infectados e os mata sem dó, chegando numa loja, ele entra e toma um refrigerante que estava no chão, mas ouve um barulho no fundo da loja, com sua arma em punho ele vai até o barulho que vinha de uma porta, e ao abri-la viu que lá havia um homem no chão assustado e tremendo, o homem disse:

— P-Por favor...n-não atire.

Richard já ia embora quando viu em uma das mãos do homem um crucifixo, no mesmo estante os olhos de Richard se encheram de ódio e ele disse:

— Você é um deles filho da puta!

O homem sem entender nada e complete assustado diz.

— Que? Um d-deles quem?

Richard o pega gola da camisa e vai o arrastando para fora da loja enquanto o homem falava desesperadamente.

— Ei ... o que está fazendo?

Ao chegar do lado de fora, Richard o joga no chão e fala com raiva.

— Me fala onde estão os outros?

O homem no chão com as mãos tentando proteger a cabeça e ainda segurando o crucifixo diz.

— E-eu não sei do q você está falando cara, e-eu estou com a perna machucada esperando minha mulher e filha voltarem com os curativos.

Richard grita.

— MENTIRAAA!!!

E sem pensar duas vezes, Richard começa a socar a cara do homem enquanto falava.

— Seu fanático filho da puta, onde vocês se escondem?

Richard não estava mais deixando o homem falar e o esmurrava como se fosse um saco de pancadas, até que uma mulher chega com uma garotinha carregando algumas coisas médicas numa maleta, então ela disse:

— Ei!!! pare com isso agora.

Quando Richard Olha e vê a mulher segurando uma faca e muito tremendo, a criança em choque o olhando, ele se dá conta do que estava fazendo e ao olhar na vidraça da loja, vê que está com muito sangue nas roupas, mãos e um pouco na cara, ele se lembra dessa mesma cena no dia em que o mundo acabou, a alguns meses atrás, só que naquela época ele era o mocinho e agora se tornou o “infectado”, saiu de cima do homem e falou consigo mesmo.

— Eu me tornei um deles pai, me tornei um monstro!

Quando ele se vira para a família e os vê assustados, pergunta.

— E esse crucifixo?

A mulher que já estava do lado de seu marido junto a garotinha, responde.

— Nós somos muito religiosos, por favor não nos machuque!

— Como posso saber se não estão com eles?

— Eles quem?

Richard sério fala.

— Esse é o jeito de vocês, se fingem de pobres coitados, com nomes de anjos, mas sei bem o que são na verdade, não vou deixar vocês feriram mais ninguém!

Richard puxa a arma e a mulher fala assustada.

— Moço se acalme... nós não sabemos de quem o senhor está falando.

— Mentirosos!

Richard aponta a arma na direção deles e dá um tiro no homem, a mulher grita e pede pra sua filha sair correndo, a menina o faz, mas Richard mira a arma na direção dela, mas a mulher entra na frente e toma o tiro, antes que a menina conseguisse escapar, Richard lhe dá outro tiro certeiro a matando. Ele deita no chão, começa a chorar e ao mesmo tempo rir (risadas descontroladas), Richard se levanta, coloca a arma na sua cabeça e um som de disparo ecoa em meio a árvores e as casas abandonadas.

•••

Julia estava cada dia mais angustiada, não queria mais sair de casa, Maria foi até seu quarto para tentar falar com ela.

— Julia, por que você não vai brincar com as crianças? Espairecer a mente pode te ajudar a sair da tristeza.

Julia chorando sentada em sua cama responde.

— Não. Muito obrigada!

Maria se aproxima da menina e fala.

— Eu também estou triste, mas....

— Por que meu pai gritou com você hoje? —Interrompeu Maria.

— A culpa é minha e eu e seu pai sabemos disso.

— Se ele pensa isso está enganado, você cuidou muito bem do meu avô, obrigada por ainda ficar comigo.

Maria se senta do lado de Julia, a abraça e diz.

— Eu jamais vou te abandonar.

Ambas se abraçam e Maria fala.

— Mas... por que você diz que ele pensa errado? Eu quem estava cuidando do seu...

— Não é nada, esqueça!

— Ok.

— Vou sair pra tentar brincar um pouco, como você sugeriu.

— É a melhor coisa que você faz Ju.

Julia vai até a porta e ao abri-la para sair, se depara com Lucas.

— Julia? Eu...ia te chamar.

— Pra que? Pra me deixar morrer de novo?

— Eu vim me desculpar, não foi certo e nem corajoso fazer aquilo, o Mike jamais faria aquilo. —Murmurou.

— Não, não foi. Agora saia da minha frente, já estou muito estressada.

— Ei, eu quero me desculpar.

— Isso não trará meu avô de volta.

— Ei sei, mas...só não fique brava comigo.

Julia saindo dali fala.

— Tarde demais Lucas, pensasse nisso antes de me arrastar pra morte e me abandonar lá. Tchau!

Lucas ficou ali vendo a se distanciar com lágrimas nos olhos. Julia andava pelas ruas da Comunidade choramingando e lembrando de seu avô, ela vai até a cova dele e se senta lá.

— Vovô, eu sinto sua falta e o papai está muito bravo, eu queria pedir desculpas —começou a chorar— eu fui fraca vovô, você não merecia estar aí de baixo, eu quem merecia, espero que esteja num lugar melhor, a menina se levanta e volta a caminhar de cabeça baixa. Dois dias se passam e Richard não havia retornado, seus amigos já estavam fazendo rondas atrás dele, mas nada, Julia fica no meio dos adultos que estavam falando sobre seu pai e as interrompe dizendo.

— Algum de vocês sabem onde meu pai foi e quando volta?

Todos se calam, Lice vai até a menina e diz.

— Estamos procurando Ju

Carol faz o mesmo.

— E vamos achar, pode ficar tranquila garota.

Julia fala.

— Só espero que os homens com cruzes não tenham o achado primeiro.

Mike se intromete na conversa e fala.

— Como sabe deles Ju?

— Eu ouvi meu pai falando deles uma vez, só quero que ele volte vivo, preciso me descul...falar com ele, preciso falar com ele!

— Estamos fazendo o nosso melhor Ju, fique tranquila nossos amigos vão achá-lo.

—Eu posso ajudar Mike?

— Você já ajuda ficando em segurança.

Julia abaixa a cabeça e fala.

— Ok.

A garota sai triste e de noite já em sua casa e nada de seu pai, ela conversa com Maria.

— E daí eu perguntei se podia ajudar e eles pediram pra eu ficar em segurança.

— É um trabalho sério Ju, eles só querem te proteger.

— Eu quero proteger também, mas..., mas...

— Você vai querida, um dia.

— Eles sabem que eu sou inútil e só causo problemas.

— Isso não é verdade Ju.

— Então me fala algo de útil que eu fiz?

— Ju, você é uma criança, não deve pensar nessas coisas.

Julia fica pensativa e diz.

— Ok. Estou com sono vou dormir agora e espero que amanhã o papai tenha voltado.

— Se Deus quiser sim querida.

Após cobrir Julia Maria dá um beijo na cabeça dela e fala.

— Boa noite.

— Pra você também Maria.

Então Maria se vai fechando a porta e após alguns minutos a menina levanta de fininho e ao ver que Maria havia adormecido na sala, sai de casa em silêncio e corre até a casa de Jade que estava acorda recarregando algumas pistolas. Julia entra sem bater e Jade fica surpresa com a visita noturna e fala.

— O que você quer pirralha?

Julia fica muda por alguns segundos e Jade fala

— Ficou muda?

— Eu...eu estou cansada de ser inútil, —começa a chorar— as pessoas me evitam por eu não saber nada, meu pai está desaparecido, Maria está muito triste e eu também, não consigo mais brincar como antes.... meu vovô está morto e a culpa é toda minha!

A garota se ajoelha no chão chorando e falando.

— Se eu não fosse inútil, nada disso teria acontecido, meu pai e avô estariam aqui comigo, eu não aguento mais esse aperto no peito, por favor Jade me ajuda!

Jade estava extremamente surpresa com tudo aquilo e falou.

— Coisas ruins acontecem pirralha e não podemos fazer nada a respeito e ficamos com essa sensação de culpa que você está agora.

— Eu só quero que isso passe!

—E o que você quer que eu faça pirralha?

Julia se levanta, enxuga as lágrimas e olhando sério para Jade diz.

— Me ensine a matar!

E nesse exato momento, enquanto as duas falavam na casa de Jade, em uma ronda noturna estavam Cobra, Carol e Lice atrás de Richard, até que Cobra disse:

— Vamos voltar, está muito escuro, nunca vamos acha-lo assim.

— Concordo — disse Carol— amanhã cedo voltamos.

— Ok, —disse Lice— vocês têm razão, vamos.

Quando Cobra se vira para voltarem para o carro, um infectado o assustado e antes que o mesmo pudesse fazer algo, a cabeça do infectado é arrancada e ao apontar a lanterna para quem teria matado o infectado, Cobra fala.

— Richard?

Richard estava com sem facão na mão direita cheio de sangue, igualmente suas roupas, estava segurando em seu ombro esquerdo um corpo ainda vivo, porem desmaiado, com as mãos e pernas amarradas, e na testa de Richard havia uma cruz.

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