Apaixonado pela filha do Don - Apostando no Amor

Bryan tinha acabado de chegar de viagem. O rapaz tinha o corpo bem exercitado devido aos treinos na academia e no campo de futebol. Ele mal colocou os pés na casa quando foi avisado por Dona Laura que o pai o esperava no escritório.

— Ele está zangado, vó?

— Bastante. — A mulher de cabelos brancos respondeu.

— Eu deveria estar aborrecido porque ele não mandou o dinheiro e não pagou os cartões esse mês.

— Bryan, vá com calma, — a voz calma aconselhou o neto. — Não discuta com o seu pai.

— Onde está a mamãe?

— Justine foi atender uma cliente importante no ateliê.

— Cadê a Giovanna?

— Está fazendo o trabalho na casa das amigas.

— Sei! — Bryan riu e coçou a nuca.

Na certa, ela estava se divertindo com as amigas e tapeou dona Laura.

— Vá ao escritório e não discuta com o seu pai… — a voz crepitante da idosa deu o conselho.

Sem pressa alguma, Bryan rumou pelos corredores da mansão. Mentalmente, ele já estava se preparando para tomar uma bronca. Antes de bater, cerrou os olhos e contou de um a dez. Ergueu o punho e tocou na madeira branca.

— Entre de uma vez, Bryan.

Não estranhou o fato de o pai saber que era ele. Já sabia que Kevin viajava por toda a casa e esse era um dos motivos pelos quais ele nunca levou uma garota para o quarto dele naquela casa.

— Oi, pai! — Proferiu ao adentrar. — Mandou-me chamar.

Com uma carranca sombria, Kevin assentiu com a cabeça e indicou a poltrona com um aceno de mão.

Bryan sentia o estofado macio quando se acomodou. Ele inclinou o torso para frente e repousou os antebraços sobre as pernas após unir as mãos.

— Como foi o jogo? — Atrás da mesa, o homem de meia-idade escrutinou o filho.

— Ganhamos!

— E as notas das avaliações?

Desviando o olhar, Bryan ainda procurava uma desculpa para explicar o péssimo empenho nas provas do curso de Economia e Gestão.

— Nem precisa falar.

Erguendo o tronco, Bryan ajeitou as costas na poltrona, encarando o pai desta vez.

— Claro, o senhor já sabe de tudo… — rebateu, atiçando a ira de Kevin. — Não pode nem ficar feliz por eu vencer mais uma partida.

— Mas que porra acha que está fazendo da sua vida, ãh! — Kevin deu um tapa na mesa, revoltado. — A sua vida se limita aos jogos, treinos e a sair com suas namoradinhas.

— O senhor não pode controlar a minha vida dessa maneira. — Indignado, Bryan enfrentou o pai.

— Você já viu quantos jogadores de futebol caíram no esquecimento depois de uma lesão e de gastar dinheiro com festas e mulheres? É isso que você quer para sua vida?

— Eu já disse que não vou me envolver nos seus negócios. — Uma faísca de raiva cintilou nos olhos azuis de Bryan.

— Mas quer continuar usufruindo do meu dinheiro.

— Quer saber? — O filho deu um tapa no braço da poltrona antes de ficar em pé. — Eu não preciso do seu dinheiro sujo, minha mãe sempre me sustentou com trabalho digno e honesto mesmo quando você nos deixou naquele apartamento sujo na periferia de Milão.

O sangue fervia nas veias do pai que contraía os olhos, fuzilando o filho. Kevin cerrou a mão sobre a mesa. Antes que as coisas piorassem, a porta se abriu.

— Que gritaria é essa? — Justine apareceu a tempo de evitar uma briga feia.

— Conte para ela! — Kevin espremeu os olhos para Bryan.

— Eu só disse a verdade, mãe.

— Bryan disse que não precisa mais do meu dinheiro sujo e jogou na minha cara que abandonei vocês na periferia. Já contou para ele o motivo? — Kevin piscou para a esposa que passava a mão na cabeça do filho.

Justine sabia que o filho era tão genioso e arrogante quanto o pai e sabia que em algum momento da vida, os dois iam acabar divergindo ferozmente.

— A senhora já sabe o que meu pai quer que eu faça?

— Você não vai obrigar o meu filho a se casar… — Em meio à exasperação, Justine redarguiu.

— O quê? — Bryan levantou. — Não quero casar! — Exaltado, ele se impôs.

— Olha a merda que você fez… — falou com a esposa. — Só estava repreendendo o nosso filho devido às notas ruins e Bryan acha que é porque quero que ele assuma os meus negócios escusos… — Cada palavra dita por Kevin saiu entre dentes.

— Bryan, não devia desrespeitar o seu pai dessa maneira.

— Concorda com esse lance de forçar a casar? — Bryan retrocedeu alguns passos quando a mãe tentou tocar em seu braço. — Deixe-me ser bem claro: não quero e não vou casar com ninguém só para expandir os seus negócios. Hai capito? — A última frase foi dita enquanto ele olhava para o pai.

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