Amo pós o Casamento

Amélia olhava para o anel em sua mão direita, ainda sem acreditar no que fez aquela noite.

Era extravagante o anel, em sua concepção a pedra era chamativa. Apesar de todo o trabalho do metal ser divinamente esculpido.

Porém, Amélia não conseguia usá-lo.

Parecia que estava pesando uma tonelada em sua mão.

Por isso ela o tirava toda vez que saía, principalmente para ir a faculdade.

Ela disse sim, não por querer, mas por obrigação.

Tinha coisas maiores em jogo, como por exemplo o futuro da sua família.

Amélia sabia que as coisas não estavam bem. Seu pai a tinha mostrado os relatórios feitos pelo pessoal de consultoria dos hotéis Bernard, e mesmo pagando todas as dívidas ainda seria difícil se reerguer.

Eles poderiam perder tudo.

A solução mais viável, que Alicia tinha apresentado aos acionistas, era uma junção da rede de hotéis com a da família Bustamante. Ajudaria muito e isso estava em jogo naquela simples pergunta.

Mesmo com o coração na mão, agora ela estava noiva.

De uma pessoa que ela mal conhecia.

De uma pessoa que ela não amava.

Mas Amélia não queria pensar nas consequências desse laço.

Suspirou pesadamente e bebericou o chá em seu copo. Ela esperava Louis, o garoto tinha ido à biblioteca devolver uns livros enquanto ela o esperava no local preferido de ambos.

- Você está tão abatida, Lia. - O alfa chegou, despertando os pensamentos da ômega.

- Você sabe o porquê. - Ela respondeu, sorrindo triste.

- Eu sinto muito, sugar. - Ele disse, compreensivo. - Gostaria de poder te ajudar, mas não tenho como.

- Eu sei, Lou. - Amélia suspirou, derrotada.

- Eu só não queria me casar assim, sem poder escolher nada, principalmente a minha esposa. – Disse meio triste.

- Eu sei que você e a Alicia são as últimas pessoas no mundo que ficariam juntas, mas acho que vocês deveriam tentar pelo menos uma amizade. - O alfa falou depois de beber do seu chá que a amiga já tinha pedido.

- Ela não é mais a babaca de sempre. E vocês podem entrar num acordo, fiquem casados até a situação da sua família melhorar e depois se divorciem, sei lá. - Louis opinou.

- E você acha que as nossas famílias, tradicionais do jeito que são, vão aceitar um futuro divórcio? - A menor fez careta.

- Eles já concordaram em não precisar da marca, você sabe. - Louis voltou a opinar.

- Pelo menos isso... - Amélia suspirou. - E eu nem quero pensar em como serão os cios. Oh Deus! Como eu vou fazer? - Choramingou.

- Vocês podem se ajudar ué. - Louis deu uma risadinha.

- Louis! - A ômega a repreendeu. - Nunca!

- Nunca diga nunca, love. - Louis a provocou, fazendo a garota jogar um guardanapo nela.

- Você é o pior, Louis William. - Amélia respondeu rindo.

E Louis riu alto.

- Enfim. - ele suspirou. - Mamãe e tia Clara estão pirando com o planejamento da festa de noivado, elas já querem até marcar a data do casamento. Mas eu acho que você e a Alicia deveriam decidir.

- Eu não sei mais de nada. - Amélia respondeu pensativa.

- Você e a idiota da minha irmã deveriam conversar. - Louis pontuou de novo. - Por isso, ela vem te buscar depois da aula.

- O que? - A menor arregalou os olhos surpresa.

- Isso mesmo que você ouviu e não me olhe com essa cara. - Louis revirou os olhos. - Tomei a liberdade de fazer esse favor a ambos e a Alicia achou uma boa ideia.

- E você me avisa assim? Desse jeito? - Amélia falou chocada.

- E você queria que eu te avisasse como? - O moreno rebateu rindo. - Bom, vamos logo que temos aula com a megera da Johnson e eu não posso chegar atrasado de novo.

- Você é impossível, Louis. - Amélia murmurou, ainda incrédula, e seguiu o amigo.

.....

Ao final da aula, Amélia estava apreensiva na porta da universidade esperando Alicia. Era rotina ela e Louis irem juntos para a casa, faziam os trabalhos que tinham pendentes ou só ficavam jogados na cama do alfa assistindo séries ou não fazendo nada.

Mas hoje seria diferente.

Louis foi logo embora avisando que Alicia não demoraria a chegar e a ômega ficou sentada num dos bancos que tinha por ali à espera da alfa. Estava visivelmente nervosa, avaliava as horas de minuto em minutos pelo celular e já estava considerando pegar um ônibus para voltar para a casa quando viu um Audi R8 parar na frente da universidade.

De dentro do veículo saiu ninguém menos que a sua noiva.

Ela usava um vestido preto. Alicia estava usando óculos escuros e os cabelos compridos balançaram devido ao vento. E Amélia podia dizer que todos os presentes no local estavam com os olhos grudados na alfa maravilhosa que andava em sua direção.

Amélia sentiu as bochechas esquentarem quando viu que algumas pessoas a olhavam também, já que Alicia estava há poucos passos de distância.

- Amélia. - Alicia lhe saudou sorrindo. - Está pronta para ir?

- Oi. - Amélia disse, sorrindo timidamente, sem entender por que aquela alfa a deixava envergonhada. - Sim, podemos ir.

Alicia assentiu e as duas andaram lado a lado até o seu carro, e é claro que o alfa fez questão de abrir a porta do carona para ela, que sorriu sem mostrar os dentes em forma de agradecimento.

....

Alicia escolheu um restaurante que Amélia já conhecia, na verdade era um dos seus preferidos. Louis deveria ter dado com a língua nos dentes.

- Gostou do local? - A alfa perguntou assim que as duas estavam devidamente sentadas.

- Sim, é um dos meus restaurantes favoritos. - Amélia assentiu sorrindo.

- Louis me indicou o local, mas eu não sabia que era o seu favorito. - Alicia falou e riu da esperteza de seu irmão mais novo.

Amélia balançou a cabeça em negação, mas sorria porque assim era Louis William Bustamante. O garçom chegou com os cardápios e perguntou se elas queriam algo para beber antes da comida chegar, e ambas escolheram água.

Enquanto folheava o cardápio, pensando no prato que iria escolher, Amélia não percebeu que os olhos de Alicia não saiam de si. E a mais velha franziu o cenho quando não encontrou o anel de noivado no dedo anelar da mão direita da ômega.

- Amélia? - Alicia lhe chamou.

- Sim? - A ômega levantou os olhos do cardápio.

- Por que não está usando o anel? Não gostou? - Alicia perguntou, preocupada, pois estava realmente pensando que a menor não tinha gostado do anel e por isso não estava usando-o.

- Hm... Eu... - Amélia corou, hesitando, sem saber o que responder. - Na verdade, eu fiquei com vergonha.

- Vergonha de quê? - A alfa inquiriu.

- O anel é lindo, mas bem chamativo. - Amélia respondeu, envergonhada. - E eu não queria comentários na universidade.

- Amélia, em menos de duas semanas nossas fotos da festa de noivado estarão estampadas em todas as colunas sociais da Inglaterra. - Alicia disse após suspirar.

A ômega se encolheu ligeiramente e entendeu que a alfa a sua frente estava magoada por ela não estar usando seu anel.

- Desculpe se estou sendo rude, eu sei que te incomoda toda essa situação. Se o anel te incomoda me diga que podemos procurar um que te agrade mais. - Ela terminou.

Amélia apenas assentiu e pediu desculpas num sussurro. Alicia apenas assentiu com a cabeça antes de suspirar novamente. O garçom voltou com as águas e elas fizeram seus pedidos.

O silêncio reinou na mesa e Amélia estava se sentindo um pouco nervosa, além de incomodada. A alfa não tirava os olhos de si e ela sentia que suas bochechas estavam quentes e provavelmente vermelhas.

Iria ser difícil para Amélia se acostumar com tudo isso.

Não era o que ela queria.

Um casamento arranjado com uma pessoa que ela mal conhecia.

Alicia puxou assunto sobre algo cotidiano e o silêncio mortal se dissipou.

Sem demora os pratos chegaram.

Amélia pediu um fettuccine com molho de cogumelos e Alicia pediu algum prato com filé mignon que estava muito cheiroso na opinião da ômega.

Elas comeram e Amélia insistiu em comer uma sobremesa, um sorvete de baunilha com calda de chocolate, enquanto Alicia lhe observava saboreando mais uma taça de vinho branco.

- Eu já comecei a ajudar seu pai com os hotéis da sua família. - A alfa interrompeu a ômega de se deliciar com seu sorvete.

- Oh... Isso é ótimo. - Amélia sorriu animada. Ela só queria o bem de sua família.

- Logo, logo as coisas vão estar melhor e vocês sairão do vermelho. - Alicia continuou sorrindo pela animação da menor.

- Obrigado por isso. - Amélia agradeceu, ela realmente estava grata pelo que a alfa estava fazendo pela família Bernard.

- De nada, isso tudo é por você. - Alicia balançou a cabeça e deu mais um sorriso de lado em direção a menor.

Amélia corou e abaixou a cabeça envergonhada. Alicia apenas suspirou, pensando em como a ômega era adorável.

A alfa pagou a conta depois que a menor terminou de comer a sobremesa, e então as duas foram embora. O caminho do restaurante a casa de Amélia foi divertido. Amélia propôs um jogo onde cada uma questionava algo que queria saber para se conhecerem melhor

Quando Alicia parou o carro, já na frente da residência dos Bernard, Amélia agradeceu pela tarde e Alicia pediu para que ela esperasse um pouco mais antes de sair.

- Tenho uma coisa para você. - Ela disse e tirou um cartão preto do bolso de seu paletó.

Amélia a fitou confusa.

- Esse cartão é pra você. - Alicia disse, estendendo o cartão para a ômega. - É um cartão de conta conjunta com a minha. Ele funciona tanto para crédito quanto para débito. Eu sei que vocês ainda estão na contenção de gastos, então pensei que você gostaria de ter um cartão novamente. Assim como o seu carro, este já está a sua espera na garagem de casa.

- Alicia... - Amélia tentou negar.

- Amélia, eu só estou fazendo o que prometi. - Alicia a interrompeu. - Por favor, aceite.

Após essas palavras Amélia aceitou o cartão suspirando. Ela sabia que não adiantaria discutir com a alfa. Ela balançou a cabeça em confirmação e pegou o cartão das mãos da latina.

- Obrigado. - Ela respondeu tímida.

- De nada Amélia. - Alicia sorriu, mostrando as covinhas e ficando mais linda ainda na opinião da ômega. - Saiba que tudo que estou fazendo agora é por você, e quero dizer que não estou tentando te comprar. Só quero que você continue com a mesma vida que tinha antes, sem ter que parar de fazer as coisas que gosta porque não pode gastar mais do que deve.

- Tudo bem. - Amélia assentiu.

- Gostaria de propor que sejamos ao menos amigas. - Alicia continuou, sem tirar os olhos da ômega. - Eu quero que nossa relação seja agradável. Não quero que você me odeie ou fique com medo de mim. A única coisa que eu quero é que você se sinta bem, não se sinta acuada ou rejeitada de alguma forma. Isso não vai ser benéfico apenas para a sua família, gostaria que isso ficasse claro para você.

- Eu estou te compreendendo. - Amélia suspirou. - É difícil, por ser uma mudança muito brusca, eu não queria me casar agora e com alguém que não conheço direito. – respondeu suspirando. - Me desculpa, sei que isso é difícil para você também, você está sendo incrível comigo desde o começo e isso está ajudando bastante a entender e ver como vai ser o futuro. - Ela finalizou apertando as mãos de forma ansiosa.

- Fico feliz que você me veja assim. - Alicia respondeu. Sentiu o coração mais leve com as palavras da ômega. – Temos todo o tempo do mundo para nos conhecermos, não precisamos acelerar as coisas, podemos ir no seu tempo. - Ela sorriu e Amélia acabou sorrindo também.

- Tudo bem. - Amélia riu baixo e assentiu com a cabeça.

A alfa sorriu e por fim deixou a ômega sair do carro.

- Até mais, Amélia. - Ela acenou quando viu morena dar a volta no carro e seguir em direção a sua casa.

- Tchau, Alicia. - Amélia riu de novo e acenou timidamente.

Alicia esperou que ela entrasse em sua casa para dar partida no veículo.

E foi suspirando contente até sua casa, as coisas com Amélia estavam finalmente fluindo.

Ela precisava agradecer a Louis depois.

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