Amante do Subchefe

Anelise — Narrando

No novo quarto que agora chamaria de "meu" fiquei na companhia de uma doce e bonita garota, Bianca, ela possuía um olhar triste, me identifiquei com ela.

Para minha sorte, a comida  dos empregados é farta e gostosa, diferente da mansão do Fabrício todos se falavam e pareciam se dar bem. Foi o que percebi há pouco tempo que estive na cozinha, após a primeira bronca que levei do marido da Suyane. 

Jordan Aguirre. Suspiro, fecho os olhos para tentar dormir.

Horas mais tarde/ Madrugada 

— Anelise, acorde! 

Alguém sussurra no meu ouvido. Abro os olhos e me deparo com Bianca, a expressão dela é assustada.

— Oi, o que foi? 

Pergunto preocupada, os olhos dela estão cheios de lágrimas.

— Corre pra debaixo da cama! Não importa o que aconteça, não se mostre. Fique quieta!

Diz me deixando assustada, ouvi sons de passos pesados se aproximando da porta. Rapidamente fui para debaixo da cama.

Bianca voltou para a cama dela, incerta, penso ser uma brincadeira, ia sair para questioná-la, quem sabe rir, pois conseguiu me assustar. Porém, o ranger da porta me fez ficar quieta, alguém entrou e ligou a luz, por debaixo conseguir apenas ver os sapatos que pareciam caros igual aos de Fabrício.

O grito de Bianca fez meu corpo tremer, arregalei os olhos vendo ela ser jogada no chão, do outro lado da cama dela, fico de bruços espantada ouvindo a voz do homem que adentrou o quarto chamando-a de "Escrava gostosa" ele a despia.

Um tapa foi desferido na cara dela, o rosto dela virou para minha direção, eu ia sair para ajudá-la mas ela moveu os lábios pedindo para que não fizesse. 

A boca dela foi tampada pela mão do homem. Completamente nua comecei a ouvir um barulho estranho e o corpo de Bianca sendo sacudido.

Logo entendi que ele estava abusando dela, lembro da minha mãe, Fabrício não pagava para tê-la na cama dele, simplesmente abusava dela por isso engravidou, ele a manteve como prisioneira.

Não poderia ficar aqui só olhando, sair devagar e o primeiro objeto de vir foi um pequeno vaso em cima de uma penteadeira. 

Espiei na direção deles, aparecia a bunda do homem ruivo que machucava Bianca. Com o vaso nas mãos tive cuidado ao chegar perto, mirando na nuca, bati com o objeto pesado na cabeça dele.

— Anelise! 

Exclama Bianca espantada. A ajudei a levantar do chão, peguei o lençol para que ela cobrisse a nudez. 

— Vamos pedir ajuda!

Tento guiá-la para a porta, mas ela está travada olhando para o ruivo desmaiado no chão.

— Não podia ter feito isso, amanhã vai ser pior. Ele vai querer abusar de você também, Anelise, tinha que ficar quieta como pedir.

Ela começou a chorar, e iria ajudar o ruivo, na tentativa de acordá-lo. Não compreendo.

— Isso é errado! Alguém poderia ..

— Aqui ninguém se mete, Anelise, não é por maldade, mas por não termos qualquer direito de reclamar.

Isso me deixa abalada, repenso minhas observações e expectativas, não pelos empregados, mas por esse homem.

— Ele é um soldado, filho de um dos..

Bianca foi interrompida. Nossa atenção foi para uma belíssima mulher ruiva que abriu a porta. Ela olha diretamente para o ruivo desacordado.

— Perdão, eu sou responsável por isso. 

Bianca quase não conseguia se manter de pé para explicar. Não tive reação alguma, apenas encarei a mulher ruiva.

— Não peça perdão, meu irmão merecia a morte por violar uma mulher! 

A ruiva fala com ódio e desprezo. Pela roupa elegante dela, deduzo que seja alguém como Suyane.

— É a primeira vez? — a ruiva pergunta investigativa. Bianca negou. — Fez isso com você também?

— Não, eu estava escondida debaixo da cama, não sabia que isso acontecia. Foi eu quem bateu com o vaso na cabeça dele — explico mesmo com medo de ser castigada.

— Fez muito bem. É nova aqui? — ela pergunta, com certeza por nunca ter me visto antes por aqui. Respondo que sim.

Da porta mesmo ela virou para trás e fez sinal para alguém. Logo dois homens adentraram o quarto e arrastaram o corpo do infeliz desacordado.

— Sinto muito por tudo isso — lamenta sinceramente, vejo nos olhos verdes dela a tristeza com a situação. — Queria poder fazer algo que ajudasse. Conversarei com meu pai para ver se dá um jeito em meu irmão, o que penso ser difícil. Meu nome é Mariele, se ele voltar aqui me avisem! Ficarei na mansão por uns dias.

Bianca balança a cabeça, faço o mesmo. A mulher ruiva por nome Mariele sai do quarto fechando a porta.

— Obrigada! — Bianca me abraça. 

Algum tempo depois..

Espero Bianca terminar de tomar banho, penso no ocorrido sinto nojo e medo lembrando de vê-la sendo abusada, isso é traumatizante.

— Mariele Franco, ela é linda e muito boa, não é a primeira vez que a vejo — diz Bianca ao sair do banheiro, já contando sobre a ruiva. — Ela é filha de um capo, é uma das poucas mulheres gentil que participam da máfia.

— Só o irmão é desse jeito — digo sentindo repulsa. 

— Cléver é o nome dele — diz se vestindo. Vejo algumas marcas no corpo dela, prefiro não perguntar. — Como vai morar aqui, poderíamos cuidar uma da outra, concorda?

— Sim — ela senta do meu lado. — Estava pensando nisso. 

Sorrimos. Bianca pediu para dormir comigo, eu quase recusei, mas pela situação recente, permitir. Diferente das vezes que dormi com a Suyane, fiquei confortável, Bianca não tocou no meu corpo muito menos ficou me olhando.

Demorei, mas consegui pegar no sono. Antes com a Bianca arredamos com dificuldade a penteadeira para ter segurança na porta.

Pela manhã 08:45

Cogitando que Suyane estaria acordada para ajudá-la. Ao entrar no quarto, avistei-a na imensa cama dormindo, a camisola dela estava no chão, assim também a lingerie rasgada em pedaços.

Não cheguei perto para vê-la melhor. Me ajoelhei e comecei a catar as roupas, peça por peça, mas parei quando vi uma cueca próxima ao criado mudo.

Decidi pegar, ajoelhada virei na outra direção e me espantei ao dar praticamente de cara com um par de pernas grossas no meu caminho. Ergui a cabeça, subi os olhos até encontrar os olhos azuis, os mesmos de ontem quando fui repreendida.

— O que faz nesse quarto? — Jordan estava apenas com uma toalha enrolada no corpo grande e musculoso. Mordi o lábio, nervosa 

— Vim pegar as roupas e ajudar Suyane a fazer algo — minha boca treme, Jordan respira fundo. Me assusto ao ser pega pelos braços, Jordan me coloca de pé e passa a mão pelo meu pescoço.

— É a segunda vez que a vejo — braveja observando meu rosto. — No meu caminho. Isso é coincidência?

Parece avaliar, queimando minha pele com o toque brusco no meu pescoço e o olhar indecifrável.

— Sim, senhor! — deixo as peças cair no chão, pelo nervosismo crescente, minha respiração falha. — Sou apenas a empregada da Suyane. 

Jordan fica me olhando, parecia ver-me por dentro. Soltando-me, direcionou os olhos para meu lábios entreabertos. Uma sensação física que não sei de onde vem, movimenta meu corpo, e mexe meus pensamentos tentando decifrar o que Jordan pensa e porque está encarando-me desse modo que desconheço.

Sinto um calor inferior. Quando ele alisa meus lábios. Parecia estar hipnotizada e ele também, mas piscando por duas vezes, Jordan se afastou.

— Para o seu bem, melhor não se colocar novamente no meu caminho. Não quero reencontrá-la aqui! — diz ríspido me puxando para fora do quarto. 

Apavorada corri para longe quando tirou as mãos de mim.

📍📍

Jordan Aguirre — Narrando 

Espero pelo Devon, meu irmão no escritório, tínhamos assuntos pendentes para resolver, por isso não quis viajar para foder Suyane, isso poderia fazer em qualquer lugar para selar o casamento.

Enquanto espero penso na empregada magricela que encontrei duas vezes, e nelas senti vontade de beijá-la e levar pra cama para deflorá-la, ela cheira a inocência e pureza.

— Devon — digo, ele entrou na sala acompanhado de alguns capo e nosso conselheiro. — Esperei no casamento.

— Tive um contratempo — diz sentando na cadeira, lançando um olhar gélido e escuro, queria respostas.

— O coreano na próxima semana estará aqui para acertar os negócios — digo, Devon quer unir a máfia coreana e a chinesa para maior benefício para a Camorra e expansão. Suas habilidades superam qualquer ideia e pensamento inimigo por ser um espreitador paciente para as missões e negócios. — Cuidarei de tudo!

— É sua obrigação! — diz entufado. — Saíam! 

Os capo saíram, restou somente Saymon por ser o mais chegado.

— E a lua de mel? Já garantiu um herdeiro para a máfia? — pergunta Saymon. 

Devon me encara. Ele não quer casar, e atirou em minhas costas a obrigação de casar e fazer herdeiros.

— Sim, Suyane não vai demorar a engravidar — digo sem entusiasmo.

— Qual a mulher que tirou teu tesão pela Suyane, Jordan? — pergunta Devon. Desde o começo da ideia de casamento, Suyane foi a primeira que pensei. — Está pensando nela!

— Uma amante tão cedo — diz Saymon, servindo-se da melhor bebida da prateleira. — Quem é ela?

— Uma empregada nova, veio com a Suyane para ajudá-la — digo, olho para Devon, à espera de uma advertência.

— Se a deseja, faça dela sua amante. Só se comprometa em depositar o esperma no útero certo, Jordan — diz Devon.

Me encosto na cadeira de couro, ela parece uma menininha, é linda, e talvez a faça minha.

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