Além do Destino.

O som do vento assobiando entre as árvores era a única coisa que quebrava o silêncio na cabana oculta no fundo da floresta. Isabella estava ao lado de Alejandro, com as mãos manchadas de sangue enquanto pressionava um pano sobre sua ferida. A flecha que o atingira tinha sido removida, mas a hemorragia persistia. Sua respiração era pesada, mas seus olhos não se desviavam dela.

- Não vou deixar você morrer - sussurrou Isabella, com a voz trêmula.

Alejandro forçou um sorriso.

- Não estou planejando fazer isso - respondeu com dificuldade -, mas devo admitir que a situação não é das melhores.

Isabella molhou um pano em um recipiente com água fresca e limpou o suor de sua testa. Sabia que não podiam ficar ali por muito tempo. As tropas do príncipe Edmond já deviam estar revistando a região em sua busca, e mais cedo ou mais tarde encontrariam seu paradeiro.

- Precisamos sair daqui - murmurou ela.

- Ainda não consigo montar - respondeu Alejandro. - Se nos movermos agora, seremos presas fáceis.

Ela apertou os lábios. Ele estava certo. Precisavam de pelo menos mais uma noite para que ele recuperasse forças.

Mas o tempo não estava a seu favor.

Enquanto isso, no castelo de Arendelle, a ira do príncipe Edmond se fazia sentir em cada canto do palácio.

- Como é possível que ela tenha escapado?! - bradou, batendo com o punho fechado na mesa.

Seus generais e conselheiros mantiveram-se em silêncio, sem ousar levantar os olhos. Um dos homens, o comandante Gautier, tomou a palavra com cautela.

- Meu senhor, enviamos tropas para todas as aldeias próximas e patrulhas nos caminhos principais. Eles não devem ter ido muito longe.

Edmond apertou a mandíbula.

- Essa mulher é minha. A família dela me a prometeu, e eu não vou permitir que ela fuja com um simples soldado.

Deu um passo à frente, fixando o olhar no comandante.

- Encontrem-na. E quando o fizerem... tragam-na de volta viva. Mas o traidor, quero sua cabeça.

Os homens assentiram e saíram apressados.

Edmond ficou sozinho na sala, suas mãos tremendo de raiva. Desde criança, soubera que Isabella seria sua esposa. Não só porque era bela e de sangue nobre, mas porque seu casamento selaria seu poder. Agora, ela o desafiara.

E isso, ele não perdoaria.

Na cabana, Isabella mal havia fechado os olhos quando ouviu o estalo de galhos do lado de fora. Seu coração acelerou imediatamente. Levantou-se cautelosamente e pegou a adaga que Alejandro lhe dera antes de dormir.

Aproximou-se da porta e escutou atentamente.

Passos.

Não era um animal. Alguém estava lá.

Com o pulso acelerado, girou a maçaneta lentamente e entreabriu a porta. Na penumbra da noite, distinguiu uma silhueta.

- Isabella?

Ela sentiu seu corpo estremecer.

- Margot... - sussurrou ao reconhecer sua criada.

A jovem se aproximou rapidamente, com os olhos cheios de desespero.

- Você tem que ir embora! As tropas de Edmond estão próximas!

O terror apoderou-se de Isabella.

- Como nos encontraram?

Margot negou com a cabeça.

- Não sei. Mas os soldados interrogaram os aldeões e agora estão procurando na floresta. Não tem muito tempo.

Isabella não hesitou. Fechou a porta e correu até Alejandro.

- Acorda - ela o sacudiu suavemente.

Ele abriu os olhos com esforço.

- O que aconteceu...?

- Nos encontraram.

Alejandro respirou fundo e se levantou como pôde. Sua ferida ainda doía, mas não havia tempo para fraquezas.

- Vamos sair - disse com firmeza.

Margot os ajudou a montar os cavalos que trouxera. Alejandro mal conseguia se manter ereto, mas não tinha escolha.

- Sigam o caminho para o norte - disse Margot. - Há um velho mosteiro nas colinas. Lá vocês poderão se esconder.

Isabella a olhou com gratidão.

- Não sei como agradecer...

- Apenas viva - sussurrou Margot. - Viva livre.

Com um último olhar, Isabella esporeou seu cavalo e galopou ao lado de Alejandro na escuridão da noite.

O som das patas retumbava contra a terra úmida. Isabella olhava constantemente para trás, com o medo mordendo sua pele. Alejandro se mantinha em seu cavalo com dificuldade, mas sua determinação não vacilava.

A floresta era densa e o caminho traiçoeiro. A lua mal iluminava a trilha, e o vento assobiava entre os galhos, trazendo consigo um murmúrio inquietante.

Então, ouviram o estrondo de mais cavalos à distância.

- Estão nos alcançando... - sussurrou Isabella, sentindo o pânico subir pela garganta.

- Precisamos acelerar.

Mas Alejandro estava perdendo forças. A ferida drenava suas energias a cada movimento, e seu cavalo começava a ressentir seu peso.

De repente, um silvo cortou o ar.

- Isabella, agache-se! - gritou Alejandro.

Ela reagiu a tempo. Uma flecha passou raspando seu ombro e se cravou em uma árvore próxima.

Os soldados estavam sobre eles.

- Parem em nome do príncipe! - gritou uma voz das sombras.

Isabella sentiu seu sangue ferver. Não voltaria a ser prisioneira.

- Não parem! - gritou Alejandro.

Mas os soldados eram mais rápidos. Fecharam o caminho com suas lanças e espadas levantadas.

Isabella e Alejandro puxaram as rédeas, parando bruscamente.

O comandante Gautier sorriu satisfeito ao vê-los.

- Veja, veja... - disse com ironia. - Que tocante. A dama fugindo com seu cavaleiro caído.

Isabella apertou os dentes.

- Se nos entregarmos, você deixará ele viver?

Alejandro a olhou com horror.

- Não...

Gautier soltou uma gargalhada.

- Isso não depende de mim. Mas o príncipe Edmond ficará encantado em vê-la de volta, minha lady.

Os soldados avançaram com as armas prontas.

Isabella apertou a adaga em sua mão.

Ela não se renderia.

O combate estava prestes a começar.

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