A Vingança Silenciosa da Esposa Rejeitada

Na manhã seguinte, o silêncio na casa era pesado. Miguel tinha dormido no sofá. Eu não tinha dormido nada.

Acordei o Leo com cuidado.

"Querido, vamos fazer uma pequena viagem. Vamos visitar os avós."

Os seus olhos sonolentos iluminaram-se. "A sério? Vamos ver o vovô e a vovó?"

"Sim, meu amor."

Ajudei-o a vestir-se, as minhas mãos a tremer ligeiramente. Eu tinha de ser forte por ele.

Quando saímos do quarto, o Miguel estava na cozinha, a fazer café. Ele agia como se nada tivesse acontecido na noite anterior.

"Bom dia," disse ele, a sua voz casual. "Vão sair?"

"Vamos visitar os meus pais," respondi, mantendo a minha voz neutra.

Ele franziu o sobrolho. "Por quanto tempo?"

"Não sei." Peguei na mala que tinha feito.

A sua expressão mudou. A raiva voltou aos seus olhos. Ele deu um passo à minha frente, bloqueando o caminho.

"Sofia, já chega disto. Pára com este disparate."

O Leo escondeu-se atrás da minha perna, assustado.

"Miguel, sai da frente," disse eu, a minha voz firme.

"Não vais a lado nenhum com o meu filho."

"Ele também é meu filho. E eu não o vou deixar neste ambiente tóxico."

"Tóxico? Eu dou-vos tudo! Uma vida boa, uma casa bonita. E é assim que me agradeces?"

"Eu não te pedi uma casa bonita, Miguel. Pedi-te lealdade. Pedi-te respeito."

Ele riu-se, um som amargo. "O amor não paga as contas, Sofia."

Nesse momento, o telefone dele tocou. Ele olhou para o ecrã. Era a Eva. Ele rejeitou a chamada, mas não antes de eu ver o nome dela.

"Ela não perde tempo," comentei, a minha voz cheia de sarcasmo.

A sua cara endureceu. "Isto não tem nada a ver com ela."

"Tem tudo a ver com ela!" A minha voz subiu de tom. "Não me trates como se eu fosse estúpida!"

O Leo começou a chorar baixinho.

Isso trouxe-me de volta à realidade. Respirei fundo.

"Miguel, por favor. Vamos fazer isto de forma civilizada, pelo Leo."

Ele olhou para o nosso filho, e por um segundo, vi um vislumbre de hesitação. Mas desapareceu tão rápido como apareceu.

"Tu não me dás escolha, Sofia. Se saíres por aquela porta, eu juro que vou tornar a tua vida um inferno. Vais ver. Vou tirar-te o Leo."

A ameaça pairou no ar, fria e assustadora.

O meu sangue gelou. Eu sabia que ele era capaz disso. Ele tinha o dinheiro, os advogados, a influência. Eu não tinha nada.

Mas olhar para o rosto assustado do meu filho deu-me uma coragem que eu não sabia que tinha.

"Vamos ver," disse eu, a minha voz a tremer, mas determinada.

Passei por ele, puxando o Leo pela mão. Ele não me parou.

Quando cheguei à porta, olhei para trás. Ele estava parado no meio da sala, a observar-me, a sua expressão uma mistura de raiva e incredulidade.

"Tu vais voltar a rastejar, Sofia. Tu e o teu orgulho," gritou ele.

Fechei a porta atrás de mim, deixando as suas palavras para trás.

Enquanto descia no elevador, abracei o Leo com força. Ele estava a soluçar contra o meu peito.

"Está tudo bem, meu amor. A mamã está aqui. Vai ficar tudo bem."

Eu repetia as palavras, mais para me convencer a mim mesma do que a ele.

Não sabia o que o futuro me reservava. Estava aterrorizada. Mas, pela primeira vez em muito tempo, senti que estava a fazer a coisa certa.

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