A Última Vez Que Acreditei

O cheiro a desinfetante ainda estava nas minhas narinas.

Minha irmã Ana tinha acabado de sair de uma cirurgia de emergência no hospital.

Meu marido, Diogo, estava ali, ao meu lado, no hospital. Mas os seus olhos estavam colados no telemóvel.

"A Eva ligou," ele disse, as palavras penduradas no ar como veneno.

"O pai dela morreu. E-eu tenho que ir a Lisboa. Ela precisa de mim."

Eva. A ex-namorada que ele nunca esqueceu.

"E quanto a nós?" minha voz tremeu, enquanto eu jazia, convalescendo.

"E quanto à sua mulher e à sua cunhada recém-operada?"

A resposta foi um olhar irritado e um adeus apressado.

Ele voou para Lisboa para cuidar dela, para ser o seu "amor" no Instagram.

A esposa dele, a mulher que o amava, que estava ali, no quarto estéril de um hospital, não merecia nem uma chamada.

Ele nem sequer me queria em casa. Queria-me fora, a cuidar de Ana.

Pergunto-me, ele realmente não entende?

Ou eu finalmente entendi?

Olhei para os documentos do divórcio. Quando ele voltasse, não encontraria uma esposa. Encontraria papéis prontos para serem assinados.

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