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A última Bruxa
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A última Bruxa

9.4
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Em A última Bruxa, Sofia descobre ser a chave para quebrar uma maldição ancestral. Entre o dever e a paixão por um vampiro-bruxo, ela encara perigos nesta fantasy romance. Explore este web novel repleto de mistérios e sacrifícios, uma leitura essencial entre os fiction fantasy novels.

Resumo de A última Bruxa

Sofia é uma atriz marcada por traumas familiares que retorna à sua cidade natal após a doença do pai. Lá, ela descobre ser herdeira de uma linhagem mágica e conhece Rair, um híbrido de vampiro e bruxo. Sofia aprende que o local está sob uma maldição que aprisiona seres sobrenaturais, e apenas ela pode quebrá-la através de um sacrifício fatal. Dividida entre o dever e sua ligação com Rair, ela deve escolher entre libertar a todos ou enfrentar um destino sombrio e incerto.
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Capítulo 1 de A última Bruxa

O telefone tocou no exato momento em que Sofia ajustava a postura no palco. A luz dos refletores iluminava a cena, destacando a silhueta dela contra o fundo escuro. O ensaio estava correndo bem até então, e o diretor já havia feito dois elogios discretos - o que, para ele, era quase um aplauso de pé. Mas o toque do celular, abafado pela bolsa no canto do teatro, interrompeu a cena como um trovão em dia de céu claro. - Pausa de cinco minutos! - gritou o diretor, impaciente. Sofia correu até a bolsa, pegou o celular e viu o número desconhecido. Sentiu um arrepio na espinha, um presságio que não soube explicar. Hesitou por um momento antes de atender. - Alô? - Sofia? - A voz do outro lado era rouca, familiar e desconhecida ao mesmo tempo. - Aqui é seu tio... irmão do seu pai. A palavra "pai" fez o estômago de Sofia se revirar. Sentiu um frio nas mãos, como se todos os anos de distância fossem apenas uma ilusão. O passado, que ela tanto se esforçara para enterrar, parecia agora bater à porta com força. - Acho que você ligou errado - respondeu, seca, prestes a desligar. - Espere! Seu pai... Marcelo... ele está doente. Muito doente. Ele só quer te ver uma última vez. Sofia fechou os olhos. Era um truque, só podia ser. Mas o homem continuou: - Eu sei por que você e sua mãe fugiram. Sei o que ele fez. Mas ele mudou. E ele quer pedir perdão. - Você não sabe de nada - sussurrou ela, mas a voz tremia. - Sei o suficiente. Sei que vocês foram embora naquela noite, que Ana dirigiu até o Rio sem olhar para trás. Sei que você tinha nove anos e ficou em silêncio o caminho inteiro. Sei que, mesmo assim, você ainda guarda a foto daquela casa velha no fundo da sua gaveta. O mundo de Sofia girou. Ninguém, além de sua mãe, sabia dessas coisas. Cada detalhe era uma ferida que nunca cicatrizou, agora reaberta de forma cruel. Ela desligou o telefone sem dizer mais nada. Tentou voltar ao ensaio, mas cada palavra, cada movimento parecia distante. O teatro, seu refúgio, agora parecia sufocante. As paredes pareciam se fechar, e o som dos diálogos ecoava, como se estivessem muito longe. - Está tudo bem, Sofia? - perguntou Mariana, uma das colegas de elenco. Sofia tentou sorrir, mas falhou. - Só... preciso de um tempo. Saiu do teatro com passos rápidos, o coração batendo descompassado. O caminho até o apartamento que dividia com a mãe pareceu mais longo do que nunca. Cada esquina, cada rosto desconhecido, parecia um lembrete do passado que ela tentava esquecer. Chegou em casa, abriu a porta devagar. O cheiro familiar de café recém-passado a envolveu, mas não trouxe conforto. Encontrou Ana na cozinha, mexendo uma panela no fogão. A mãe sempre parecia distante, como se estivesse em dois lugares ao mesmo tempo: no presente, com Sofia, e em algum ponto do passado que nunca quis compartilhar. - Mãe... - Sofia começou, hesitante. - Ele está doente. Meu pai. Ana parou de mexer a panela. A colher de pau ficou suspensa no ar por um momento que pareceu uma eternidade. - Quem te disse isso? - A voz dela era quase um sussurro. - Um homem ligou. Disse que era meu tio. Ana respirou fundo, os olhos fixos em um ponto distante. - Você não devia ter ouvido. - O que ele fez, mãe? - Sofia perguntou, a voz carregada de frustração. - Por que fugimos daquela forma? Sempre me disse que era para nos proteger, mas nunca me contou do quê. Ana baixou a cabeça. Um silêncio denso se instalou entre elas. Finalmente, Ana tirou de dentro do colar que sempre usava uma pequena chave prateada, antiga e gasta. - Pegue. Você vai precisar dela. Sofia segurou a chave, sentindo o metal frio contra a pele. - O que ela abre? - Respostas. A resposta vaga só aumentou a sensação de que algo muito maior estava sendo escondido dela. Sofia subiu para o quarto, a chave ainda apertada na mão. Sentou-se na cama, tentando organizar os pensamentos. Sentia que estava à beira de algo importante, mas não sabia o quê. Decidiu arrumar uma mochila. Se fosse voltar àquela cidade, precisava estar preparada. Enquanto colocava algumas roupas na mala, notou uma bolsa antiga no fundo do armário. Era a bolsa que sua mãe usava quando fugiram, anos atrás. Algo a fez puxar a bolsa e abri-la. No fundo, quase escondido no forro, encontrou um envelope amarelado. Com as mãos trêmulas, abriu a carta. As palavras escritas à mão eram quase ilegíveis, como se o autor tivesse escrito com pressa. "Ana, você precisa saber a verdade sobre aquela noite. Não foi o que você pensa." As palavras pareciam gritar no silêncio do quarto. O coração de Sofia disparou. Quem havia escrito aquilo? Por que sua mãe guardara aquela carta todos esses anos? Virou a última página e viu a assinatura no fim. As letras eram claras, e o nome saltou da página como um soco no estômago: Romulo Lyhr. Romulo. O nome não lhe era estranho, mas ela não conseguia lembrar de onde o conhecia. Tentou buscar na memória, mas tudo parecia embaçado. Ouviu passos no corredor. Ana estava parada na porta, com uma expressão que Sofia nunca tinha visto antes - uma mistura de medo e resignação. - Você encontrou a carta... - murmurou Ana. - Quem é Romulo, mãe? Ana fechou os olhos, como se estivesse prestes a dizer algo que a consumia há muito tempo. - O homem que... eu nunca quis que você soubesse. - O que ele tem a ver com meu pai? - Sofia perguntou, a voz quase quebrando. Ana não respondeu. Apenas se afastou, deixando Sofia sozinha com as perguntas que ecoavam no quarto. O passado, finalmente, estava voltando para cobrar seu preço. E Sofia sentia que aquela era apenas a primeira camada de um segredo muito mais profundo.

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