A Segunda Opção Não Mais: A Minha Liberdade

Levantei-me e fui para a varanda, precisava de ar.

O ar frio da noite fez pouco para acalmar o fogo dentro de mim.

Liguei ao Pedro.

Foi diretamente para o correio de voz.

Claro que foi. Ele estava demasiado ocupado a ser o cavaleiro de armadura brilhante da Sofia.

Enviei-lhe uma mensagem de texto.

"Onde estás?"

A resposta foi quase imediata, mas não era dele.

Era uma foto.

Enviada do telemóvel do Pedro.

Era Sofia, deitada numa cama de hospital, a sorrir para a câmara. O Pedro estava sentado ao lado dela, a segurar-lhe a mão. Pareciam um casal.

Debaixo da foto, uma mensagem de texto simples.

"Ele está ocupado. Não o incomodes."

O meu sangue gelou.

Ela tinha o telemóvel dele. Ela estava a responder por ele.

A audácia dela era de cortar a respiração.

Liguei outra vez, e outra vez. Cada chamada ia para o correio de voz.

Voltei para dentro, a minha cara uma máscara de calma que eu não sentia.

A minha sogra estava a abrir os seus presentes, rindo e agradecendo a todos.

Quando chegou a minha vez, ela pegou na pequena caixa que eu lhe tinha trazido - um par de brincos de pérolas que ela tinha mencionado querer há meses.

Ela abriu-a, olhou para dentro e depois para mim.

"Oh. São... amorosos, Ana."

O seu tom era vago, desinteressado. Ela colocou a caixa de lado sem um segundo olhar.

Momentos depois, a Clara deu-lhe o seu presente. Era um lenço de seda vistoso.

Inês ofegou de prazer.

"Oh, Clara, é lindo! Sabes sempre exatamente do que eu gosto!"

Ela envolveu o lenço à volta do pescoço, radiante.

Senti-me invisível.

Mais tarde, enquanto eu estava na cozinha a ajudar a lavar a loiça, a Clara encostou-se ao balcão.

"Sabes, a Sofia ligou há pouco. Para o telemóvel da mãe."

Eu parei, com a mão a meio de esfregar um prato.

"O quê que ela queria?"

"Apenas a atualizar. O Leo está estável. O Pedro vai ficar com ela no hospital durante a noite, só para ter a certeza."

Clara olhou para mim, os seus olhos a avaliar a minha reação.

"Ela disse que o Pedro se sente terrivelmente mal por ter perdido a festa, mas que a Sofia precisava mesmo dele."

"Claro que precisava," murmurei, a minha voz cheia de um sarcasmo que não me esforcei por esconder.

Clara deu de ombros.

"Olha, Ana, eu posso não gostar da situação, mas tu és a única que a pode mudar. Ou aceitas o teu lugar, ou fazes alguma coisa."

As palavras dela, embora duras, eram verdadeiras.

Eu tinha estado a aceitar isto durante demasiado tempo.

A permitir que a Sofia fosse uma presença constante no meu casamento.

A permitir que o Pedro me pusesse em segundo lugar.

Naquela noite, enquanto conduzia para casa para um apartamento vazio, tomei uma decisão.

As coisas iam mudar.

Eu ia certificar-me disso.

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