A Prisão Dourada do Marido Obsessivo

Ponto de Vista de Alice:

— A senhora tem certeza absoluta, Sra. Prado? — A voz da médica era gentil, quase uma súplica. Seus olhos continham uma profunda preocupação.

— Gravidez de gêmeos é muito rara, sabe. Uma verdadeira bênção. — Ela fez uma pausa, deixando as palavras pairarem no ar.

Assenti, com a garganta apertada.

— Tenho certeza, doutora. — Minha voz era um sussurro plano e oco.

Ela suspirou, um som suave e triste.

— Como desejar. Vamos preparar tudo.

Voltei para a cobertura, o silêncio ecoando meu vazio interior. Cada canto, cada móvel caro, gritava a decepção dele.

Balões flutuavam perto do teto. Uma faixa luxuosa proclamava: "Feliz Aniversário, Meu Amor!"

Meu coração parecia uma ameixa seca. A ironia era uma piada cruel.

— Surpresa! — Arthur surgiu de trás do sofá, com um sorriso largo e deslumbrante no rosto. Ele correu em minha direção.

Ele me envolveu em um abraço apertado. Seus braços pareciam pesados, sufocantes.

Ele beijou minha testa, depois meus lábios. Parecia errado. Sujo.

— Você voltou cedo — consegui dizer, as palavras com gosto de cinzas na minha boca.

— Não poderia perder o aniversário da minha esposa, poderia? — Ele piscou, me levando até uma mesa cheia de presentes.

A mão dele roçou a minha. Foi quando eu vi. Um pequeno curativo cor de pele no dedo indicador.

Meu olhar se prendeu naquilo. Uma pequena centelha de suspeita, fria e afiada.

Ele puxou a mão de volta, um pouco rápido demais.

— Vidro quebrado — murmurou ele, com um aceno desdenhoso.

Mas o formato daquilo... Não era um corte. Era uma indentação perfeita, em forma de meia-lua. Uma marca de mordida.

De Eduarda. Sua ex-mulher. O "fogo".

Ele gesticulou para uma caixa de veludo na mesa.

— Abra, meu amor. — Sua voz era suave, confiante.

Levantei a tampa. Um colar repousava lá dentro. Diamantes, brilhando contra uma almofada de veludo escuro.

Ele o pegou, seus dedos roçando meu pescoço enquanto o fechava em mim. Um arrepio de repulsa percorreu minha espinha.

Ele ajeitou meu cabelo, os lábios roçando minha orelha.

— Lindo, assim como você. — Sua voz era um murmúrio suave.

Eu vi então, no reflexo do espelho do outro lado da sala. O colar. Parecia familiar.

Eduarda tinha usado um igualzinho. Um presente rejeitado, provavelmente. Uma sobra do "fogo" dele.

Suas palavras, destinadas a serem doces, pareciam veneno. Eu queria arrancá-lo do pescoço.

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